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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

CARLOS NEJAR e FABRÍCIO CARPINEJAR -Poesia de Pai Para Filho


Poetas Carlos Nejar e Fabrício Carpinejar apresentam
Poesia de Pai Para Filho - Encontro de Duas Gerações

Fonte: Eliane Verbena / Fotos: Rodrigo Resende Coutinho 


Os escritores e poetas, pai e filho, Carlos Nejar e Fabrício Carpinejar, apresentam Poesia de Pai Para Filho - Encontro de Duas Geraçõesespetáculo teatral com a leitura dos principais títulos de ambos, mostrando cumplicidade na criação dentro de casa, seja em dicas do método literário ou em histórias de aprendizado. Em São Paulo, acontece única apresentação no dia 23 de novembro, sexta-feira, no palco do Teatro Frei Caneca, às 21 horas, com ingressos grátis.

A peça é comemorativa de seis décadas de literatura de Carlos Nejar - 79 anos, membro da Academia Brasileira de Letras e indicado ao Nobel pela Academia Brasileira de Filosofia - e os 20 anos de carreira de Fabrício Carpinejar - 45 anos, premiado com o Jabuti e Associação Paulista dos Críticos de Arte.

O espetáculo, que tem roteiro e direção assinados por Carpinejar, estreou em setembro, em Brasilia, seguiu, em outubro, para Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, encerrando a turnê na capital paulista.



Em versos, a montagem é uma homenagem à importância da família. No palco, duas gerações diferentes de autores, apresentam os seus ideais de criação literária, os seus métodos de trabalho, as dificuldades e desafios que tiveram que superar para alcançar o reconhecimento. No texto, momentos das suas trajetórias líricas: Carlos Nejar faz leitura de seus poemas prediletos e Fabrício conta histórias da convivência entre eles. “É poesia e crônica se envolvendo. Falamos o quanto são duas dicções diferentes, dois temperamentos diferentes, duas gerações diferentes, mas que partilham o mesmo respeito em ouvir. Ouvir a tempestade, ouvir a respiração, ouvir o coração”, comenta Carpinejar. 

Em Poesia de Pai Para Filho os poemas são trabalhadas a partir de objetos simbólicos e emocionais, como  relógio, escapulário, porão, retrato, revelando um universo marcado por rituais masculinos. Juntos, Carlos e Fabrício explicitam que o homem chora, emociona-se e está cada vez mais aberto a transparecer seus sentimentos de continuidade e afinidade. O espetáculo mostra que nada melhor que a relação entre pai e filho para promover confissões de medos e alegrias entre os homens. “No mundo de extremismo, de intolerância, a gente quer mostrar que a poesia cumpre essa carência de emoção. A poesia ensina a aceitar a solidão e aceitar as diferenças. Quem tem poesia em sua vida, é mais sensível e menos preconceituoso”, reflete Carpinejar.



Pela primeira vez, os poetas se unem para uma apresentação com a proposta de mostrar a troca de experiências e de cumplicidade entre pai e filho. “A ideia veio do filho, e depois acolhi porque é muito importante para mim, estar junto dele. Penso que a poesia tem que ser dita, pois  na oralidade ela se abre e comove. No papel é fria. Na fala é ardente e humana. O espetáculo vai nos aproximar mais dos leitores, porque não é apenas a voz, é também o rosto, a forma de ser e dizer”, explica Carlos Nejar“Era um sonho antigo. Vamos reviver tudo que vivemos na infância. Um exemplo é a varanda de relâmpagos. Sempre que ia chover, minha mãe e meus irmãos corriam para dentro. O pai e eu fazíamos o movimento contrário. Pegávamos as cadeiras de praia e íamos assistir ao ‘teatro dos relâmpagos’. Mãe e irmãos gritavam pra gente ir pra dentro. E, em nossa cumplicidade, sabíamos que viver é ter coragem. Ter um poeta como meu pai, me fez ter coragem para ser poeta”, declara Fabrício Carpinejar. 

Carlos Nejar confessa ser emocionante recitar junto ao filho. “Poeta como eu, comunicador de vocação e que sabe recitar poemas, algo que só se aprende na medida em que a gente cria. Eu sei que cada um tem a sua entonação e formamos uma boa dupla. São duas gerações que se unem na palavra de pai a filho, embora a poesia se estenda a todas as gerações porque é um estado de êxtase e beleza. Nós somos muito próximos, a poesia nos reúne como se fosse uma alma coletiva. E, na minha visão, a poesia não é apenas uma maneira de estar no mundo, poesia é uma maneira de estar com todos”, finaliza o pai.

Ficha técnica - Texto e direção: Fabrício Carpinejar. Elenco: Carlos Nejar e Fabrício Carpinejar. Iluminação: Wladimir Medeiros. Cenografia: Miriam Menezes. Produção executiva: Ray Ribeiro. Produção: Francesca Romani. Produção local: Geondes Antônio. Fotos: Rodrigo Resende Coutinho.


Serviço

Espetáculo: Poesia de Pai Para Filho - Encontro de Duas Gerações
Com: Fabrício Carpinejar e Carlos Nejar
Data: 23 de novembro. Sexta, às 21h
Ingressos: Grátis – Retirar senha nos dias 22 e 23/11 (quinta e sexta), das 14h às 18h.
Duração: 60 minutos. Classificação: 12 anos

Teatro Frei Caneca
Rua Frei Caneca, 569. Shopping Frei Caneca, 7º Andar. São Paulo/SP
Tel: (11) 3472-2229. Capacidade: 600 lugares.

Programação de LITERATURA SESC BELENZINHO – Novembro/2018

Cia Arte Negus 





Bibliotecas: Livro, Palavra Livre
Com Arte Negus
Mediações: Promove encontros sobre a temática das ações em torno da leitura.

Os artistas trazem consigo malas. O curioso é que dentro delas há o bilhete de passagem para viagens diversas: uma série de livros de tamanhos, papéis e formatos diferentes, cheios de histórias, personagens, intrigas e brincadeiras. Eles contam as histórias, mediando a leitura, para que aquilo que está dentro do papel ganhe espaço e possa entrar nas mentes e corações dos ouvintes. Cia Arte Negus é um grupo que acredita na comicidade como modo de transformar a sociedade. Para eles, um riso muda não só um momento, mas na longa duração pode mudar um dia, uma semana, pode mudar uma vida toda. A partir dessa crença, realizam atividades em diferentes segmentos: artes cênicas, narração de histórias, artes visuais e literatura. Fundado em 2007, somam à comicidade a oralidade e os saberes populares como campo de referência estética e conceitual.
Local: Biblioteca. Livre. Grátis.
02/11. Sexta, das 11h às 16h
03/11 a 22/12. Sábados e domingos, das 11h às 16h
15/11. Quinta, das 11h às 16h



Ninho Cantante


Bibliotecas / para crianças: Ninho Cantante
Com Camila de Sá, Andrea Lopes e Lucas Lopes
Mediações: Promove encontros sobre a temática das ações em torno da leitura.

Entre caixinhas de música e apitos de pássaros, Ninho Cantante nasce da necessidade inventada de trançar espaço de aconchego itinerante para pousos e nutrição de encontros poéticos, lúdicos e afetivos. Inspirada na poética das miudezas de Manoel de Barros, a instalação evoca a importância do singelo, da receptividade atenta no olhar e na escuta, propondo um retorno à era da "invencionática", convidando pássaros adultos e crianças a adentrarem um ninho em tamanho de gente grande para alçar voos extra-cotidianos. Camila de Sá - Artista-criadora de multilinguagens, compositora e preparadora musical. Graduada em Ciências Sociais, estudante de Artes Visuais, cursou técnico em Canto Popular e Teoria Musical. Trabalhou no Artinclusiva da UNESP, ONG Transformar para o Desenvolvimento da Pessoa com Deficiência e Centro de Convivência da Pessoa com Deficiência de Embu das Artes e coletivo feminino de poetas Terra Vermelha. É diretora musical do coletivo Encarnadas e integrante do coletivo Mira. Em parceria com Giovanni Di Ganzá, prepara seu primeiro álbum autoral Riacho dos Quatro Ventos. Idealizadora do primeiro Ninho Cantante: uma instalação afetivo-poética (cantigas e poemas haicais premiados). Desenvolve o projeto Úterra com peças de cerâmica inspiradas nas temáticas do feminino. Andrea Lopes é atriz e arte-educadora. Como atriz participou dos espetáculos: Calabar (dir. Heron Coelho), Breviário (de Chico Buarque e Ruy Guerra) no SESC Paulista, Desmonte - A Grande Obra (Cia. de Domínio Público), Em Cena: Ações!!! (leituras cênicas e musicais), Da Senzala À FavelaGeraldo Filme - Carnaval e Tradição (dir. Heron Coelho), Operetas (Cia. de Domínio Público), A Resistível Ascensão de Arturo Ui (de Narradores), Os Pecados Mortais (dir. Paula Coelho), Brinquedos QuebradosAssassinato do Anão do Caralho Grande (dir. Marco Antonio Rodrigues) e Couro de PiolhoLucas Lopes é mineiro formado em Artes Visuais pela Universidade Federal de Uberlândia. Trabalha como arte-educador orientando ateliês e oficinas de artes visuais e fotografia. Desenvolve trabalhos de criação e direção de arte com o Coletivo Grão; fez a direção de arte do espetáculo FEIO, voltado ao público surdo e cego, e desenvolvei material visual para o projeto Coisolândia (CCSP).
Local: Biblioteca.
Livre. Grátis.
04/11 a 16/12. Domingos, das 11h às 16h
20/11. Terça, das 11h às 16h




Curso: Se Essa Rua Fosse Minha: oficina de lambe-lambe para mulheres (cis e trans)
Com: Ryane Leão e Lela Brandão
Arte no Urbano - Atividades em artes visuais e literatura que dialogam com a cultura urbana e suas diversas formas de expressão.

Encontros que têm o intuito da produção de lambes com o objetivo de amplificar a voz de mulheres nas ruas de São Paulo, por meio da colagem de lambes produzidos pelas mesmas.
Local: Oficina III.
Grátis. Não recomendado para menores de 16.
17 a 20/11. Terça, sábado e domingo, das 14h30 às 17h30

Curso: Criação de Narrativas Através de Imagens
Com Aline Shinzato da Silva

Curso que aborda o processo da criação com imagens, explorando, com exercícios de percepção visual e experiências de instigação poética, a natureza da imagem, formas de registro e recursos para a construção da narrativa visual. Aline Shinzato é artista visual formada pela UNESP (2016), designer e ilustradora. Pesquisa caminhada e deriva como método para a arte. Produz publicações independentes e mantém o projeto Cidade (in)visível, desde 2016, esboçando por onde caminha.
Local: Oficina III
Grátis. Não recomendado para menores de 14.
Até 7/11. Quartas, das 19h às 22h

Curso: Conservação Preventiva e Pequenos Reparos
Com Luiza Kumagai

O curso ensina pequenas ações que podem ser realizadas no dia a dia em acervos privados ou públicos. Em Conservação Preventiva serão apresentados os materiais necessários para a realização cotidiana de higienização de livros e documentos, incluindo também o ensino de técnicas de higienização e identificação de problemas que costumam aparecer em acervos bibliográficos (livros/documentos). Em Pequenos Reparos serão ensinadas técnicas para conter algumas problemáticas, a exemplo de rasgos e páginas soltas, utilização de materiais neutros e removíveis, que tragam estabilidade para o material até que seja possível a realização de intervenções especializadas no documento. Luiza Kumagai é formada em Conservação e Restauro de Bens Móveis pela PUC de São Paulo e é técnica em Museologia pela Escola Técnica Parque da Juventude.  Possui seis anos de atuação em ateliers de restauro, projetos de conservação e restauro em acervos públicos e privados e montagem de exposições.
Grátis. Local: Oficina III.
Não recomendado para menores de 14.
23/10 a 13/11. Terças, das 14h30 às 17h30

Oficina: Revelando a África - Oficina Fotográfica
Com Juvenal Pereira
Ações para a Cidadania.

Oficina que objetiva expandir o conhecimento sobre a África por meio da fotografia, contando com as obras de 18 fotógrafos africanos contemporâneos. A África é pouco estudada no Brasil, considerando que, aqui, a duração do período que manteve negros vindos da África, escravizados, foi de 1550 até 1888, oficialmente. “Outro dado relevante é que a invenção da fotografia coincidiu com as verdadeiras origens da presença europeia na África e, depois de novembro 1839, permitiu a documentação da incursão europeia cada vez mais decisiva na política de África, economia, religião e cultura. Também transmitida para o mundo exterior a sua primeira imagem do Continente Africano imenso e indecifrável.” (Nicolas Monti/ Africa Then – Thames and Hudson)Juvenal Pereira - Fotógrafo, especializado em fotojornalismo. A partir de 1970, atuou como reconhecido fotojornalista para vários jornais e revistas do Brasil como O Cruzeiro, Veja, Isto É, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. Foi um dos mentores da criação do Mês Internacional da Fotografia, apresentado no Sesc Pompéia em São Paulo; representou o Brasil no Mois de la Photographie, em Paris, em 1992. Com exposições em diversos museus, seus trabalhos fotográficos são parte de importantes coleções privadas e públicas como a do MAM de São Paulo ou a do MASP, entre outros. Em março de 2018, a Radio USP iniciou a transmissão do Programa Revelando a África com entrevistas feitas por Juvenal Pereira e Dilma M Silva. É a primeira vez na historia da Radio USP que transmite um programa totalmente dedicado à África.
Local: Oficina III
Grátis. Livre.
24 a 25/11. Sábado e domingo, das 14h30 às 17h30


Conta com a gente 


Contação de histórias: Conta com a Gente - Contos sobre luta e resistência
Com Giuliano Tierno, Mariana Per e Bruno Cordeiro
Conta com a Gente - Programação focada na oralidade.

Conta com a Gente é uma roda de histórias para adultos que acontece mensalmente na Biblioteca do Sesc Belenzinho, sempre com um tema diferente, na qual dois narradores e um músico apresentam contos e encantam aqueles que já saíram da infância. Em novembro, Ana Luísa Lacombe, Giuliano Tierno e Bruno Cordeiro trocam histórias com o público sobre luta e resistência. Os narradores e o músico convidam as pessoas presentes na biblioteca a ouvir as histórias. Durante a sessão, entre narrativas e músicas, os espectadores podem ser encorajados a também exporem as suas narrativas. Ana Luísa Lacombe é atriz desde 1981, e vem dedicando-se à arte de contar histórias nos últimos 15 anos.  Bruno Cordeiro é ator, diretor e professor teatral com Licenciatura em Artes-Teatro pela Unesp, além de violonista, cantor, compositor de trilha para teatro e diretor musical. E Giuliano Tierno é escritor, pesquisador e professor; doutorando e mestre em arte e educação pelo programa de pós-graduação do Instituto de Artes da UNESP.
Local: Biblioteca.
Grátis. Livre
27/11. Terça, das 20h às 21h30


Slam da Guilhermina 


Sarau: Slam da Guilhermina
SP: Invenções Literárias - Há uma história da literatura na cidade de São Paulo e há história de São Paulo na literatura.

O Slam da Guilhermina acontece mensalmente, desde fevereiro de 2012, na Zona Leste paulistana, em uma praça anexa a estação Guilhermina-Esperança do metrô. É o primeiro Slam de rua do Brasil. Reúnem-se aproximadamente em torno de 300 pessoas entre poetas, público, alunos de escolas do bairro e transeuntes que ao voltar do trabalho ou da faculdade param para ouvir poesia. Em Novembro, o Slam da Guilhermina realiza uma edição no projeto São Paulo: Invenções Literárias, do Sesc Belenzinho.
Local: Comedoria.
Grátis. Não recomendado para menores de 18.
28/11. Quarta, das 20h às 22h

Serviço

Sesc BelenzinhoEndereço: Rua Padre Adelino, 1000
Belenzinho – São Paulo (SP). Telefone: (11) 2076-9700
www.sescsp.org.br/belenzinho

Estacionamento: Para espetáculos com venda de ingressos após as 17h: R$ 15,00 (não matriculado); R$ 7,50 (credencial plena no SESC - trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo/ usuário).

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

ALUMIA, quarto CD de Zé Guilherme chega com sonoridade acústica e músicas autorais






Zé Guilherme, cantor e compositor cearense radicado em São Paulo, está de trabalho novo, comemorando seus 20 anos de carreira.  Após lançar, em 2015, um disco em homenagem ao “cantor das multidões”, o artista deixa de lado o viés confortável de ser apenas intérprete e lança o quarto disco, Alumia, com repertório de músicas autorais, em sua maioria.

“Nunca tive pretensão de ser um compositor, pois meu ofício maior é o de cantor. A poesia é um exercício que me acompanha desde a adolescência, mas só agora, depois de 20 anos de dedicação à música, eu me sinto mais à vontade para mostrar também o meu lado autoral”, comenta.

Zé Guilherme assina letra e melodia das composições “Alumia”, “Teus Passos” e “Canção de Você”. As letras são frutos de seus poemas. E “as melodias nasceram intuitivamente, pois não sou instrumentista”, afirma. Ele ainda divide a autoria de “Espelho” com Luis Felipe Gama, de “Ave Solitária” e “Teu Cheiro” com Cris Aflalo, de “Laço” com Marcelo Quintanilha e de “Oferendas” com Cezinha Oliveira, que é o produtor musical e arranjador do álbum. Completando o repertório, Luis Felipe, Quintanilha e Cezinha aparecem novamente como autores de “Franqueza”, “A Voz do Rio” e “Cesta Básica”, respectivamente, ao lado do baiano Péri, compositor de “Clarão” e “Paixão Elétrica”.

Alumia registra o momento de amadurecimento artístico de Zé Guilherme. Não só pelo fato de ele se mostrar também como compositor, mas pela própria trajetória musical. O primeiro CD, Recipiente (Lua Discos, 2000), com arranjos de Swami Jr., apresentava sua origem nordestina e sua música universal brasileira em um trabalho com a força da raiz e do pop brasileiro. Seis anos depois, o disco Tempo ao Tempo chega com uma linguagem pop mais contemporânea nos arranjos de Serginho R. O terceiro CD viaja no tempo e o artista faz um pouso na época mais romântica da música brasileira com Abre a Janela – Zé Guilherme Canta Orlando Silva, trabalho que também tem produção musical e arranjos de Cezinha Oliveira.


O novo CD faz um sobrevoo por todos esses caminhos para apresentar a MPB de Zé Guilherme, agora mais romântica, que envereda por uma sonoridade acústica mais jazzística. “Os arranjos trazem como unidade estética a sonoridade característica do piano, executado de forma primorosa por Jonas Dantas (também no acordeon), e do baixo acústico, tocado por Johnny Frateschi”, justifica o produtor musical. É possível perceber que todas as músicas se harmonizam como células sonoras dentro da estrutura musical do disco. Os demais instrumentos que aparecem são: bateria e percussão (por Adriano Busko), violão e guitarra (por Cezinha Oliveira) e sopros (por Walter Pinheiro). “Esse trabalho pode ser considerado uma declaração de amor, amor a outras pessoas e à minha própria vida”, confessa o intérprete.

As canções de Alumia

A faixa “Oferendas” (Cezinha Oliveira e Zé Guilherme) tem arranjo elaborado para essa letra que fala do encontro carnal, da viagem pelo corpo da pessoa amada. “Espelho” (Luis Felipe Gama e Zé Guilherme) é uma composição que se assemelha à “lide” alemã. Composta para voz e piano, o lirismo nasce da tensão entre a execução do instrumento e a voz do intérprete. Fala do encantamento sentido na manhã seguinte à noite de amor. “Ave Solitária” (Cris Aflalo e Zé Guilherme) tem o sotaque nordestino do baião. Essa canção brejeira canta a alma solitária que, como uma ave, busca um lugar para pousar. A romântica “Canção de Você” (Zé Guilherme) é um poema sobre a saudade e as ilusões do amor. “Teu Cheiro” (Cris Aflalo e Zé Guilherme) é também uma canção de amor, em ritmo de bossa nova, que fala sobre a espera pela pessoa amada.

A música “Alumia” (Zé Guilherme), que dá nome ao CD, remete à origem nordestina do autor. Concebida originalmente como coco com toques de carimbó, ela ganhou arranjo elaborado com destaque para o piano de Jonas Dantas. A faixa “Teus Passos” também fala de amor, de sedução, de conquista. O samba-choro “Franqueza” (Luis Felipe Gama e João P. de Souza) traz na letra um soneto escrito, em 1918, por João Pinto (avô das cantoras Ana Luiza e Juliana Amaral) e registrado em um livreto artesanal. “A Voz do Rio” (Marcelo Quintanilha) é uma homenagem a Oxum (orixá das águas doces, das cachoeiras; protetor da voz, do amor). “Escolhi esta música porque também sou filho de Oxum”, comenta Zé Guilherme.

Com uma pegada mais pop, vem “Laço” (Marcelo Quintanilha e Zé Guilherme), outra canção romântica, cuja letra discorre sobre as possibilidades e impossibilidades do amor. “Clarão”(Péri) é uma homenagem a Oxalufan pela suprema criação (no candomblé ele é Deus, um Oxalá velho e sábio). “Com esta música agradeço por estar vivo, pela proteção nos momentos difíceis e por estar completando 20 anos de carreira artística”, confessa o cantor. “Paixão Elétrica” (Péri), como o próprio nome sugere, canta a paixão e as armadilhas do amor. Estava na seleção de músicas do segundo CD de Zé Guilherme, mas só agora a ideia de gravá-la se concretizou. E “Cesta Básica” (Cezinha Oliveira) é a faixa mais pop de Alumia. A letra fala de sentimentos, sensações da vida, da busca pela felicidade. “Esta composição faz uma síntese do que repertório do disco aborta. Tinha que estar nesse roteiro, para amarrá-lo”, finaliza Zé Guilherme.

Lançamento/CD: Alumia
Artista: Zé Guilherme
Selo: Independente / Distribuição: Tratore
Preço sugerido: R$ 25,00


O Prof. Dr. Babalawô Ivanir dos Santos foi o cicerone para um grupo de intelectuais africanos no Rio.





Encontro entre os Saberes Afro-Brasileiros e Africanos. 

Na tarde do dia 25 de outubro o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio de Janeiro(IFCS/UFRJ) recebeu o evento Encontro entre os Saberes Afro-Brasileiros e Africanos. 

Organizado pelo Pan African Strategic And Polic Research Group (PANAFSTRAG), o Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), em parceria com a UFRJ, através do Programa de Pós-graduação em História Comparada (PPGHC), o Laboratório de Historia das Experiências Religiosas (LHER/UFRJ) e do Projeto em Africanidades na Dança Educação (PADE/UFRJ), o evento teve por objetivo promover a colaboração e integração intelectual, artística e cultural, contou com a participação de vários intelectuais africanos e afro-brasileiros. 

Entre eles, Profº.Dr. Afe Adogame (Princeton Theological Seminary), Profº.Dr. Raimundo Barreto (Princeton Theological Seminary), Profº. Dr Ishola Williams- Pan African Strategic and Policy Research Group (PANAFSTRAG- Nigéria), Profº.Dr. Ullrich R. Kleinhempel (Bavaria College, Schweinfurt, Germany), Profº.Dr. Jesudas Athyal (Fortress Press), Dra. Lily Rose Nomfundi Mlisa (África do Sul), Rev.Grace Sintin Adasi (Ghana), Dr. Ayodeji Ogunnaike  (Nigéria), Dra. Roemary Amenga-Etego (Gana), Dr. Paul Onovo  (Nigéria), Dra. Ngozi Emeka N de (Nigéria), Dra.  Lily Rose Nomfudo Mlisa (África do Sul) , Dr. Matthew Micheal (Nigéria), Dra. Hauw'au Evelyn Hauwa (Nigéria), Dra. Mathew Chioma (Nigéria), Dra. Ruth Vida Amwe (Nigéria) e Dr. Prof. Eric Williams.

"O Encontro entre os Saberes Afro-brasileiros e Africanos foi uma grande oportunidade para alinharmos ainda mais os nossos laços e fraternidade entre com os intelectuais africanos", atesta Ivanir dos Santos. 

No dia seguinte, dia 26, um grupo partiu rumo ao Ilê Axé Ogum Anaeji Iebele Ni Onan Axe Pantanal, para almoço, com direito à vantapá, carajé, caruru, entre outras guloseimas, no Bairro Pantanal. Recebidos pela Iyalorisà Maria de Xango, que vem há anos lutando pela perpetuação do Asè Oloroke Pantanal. Que desde 2016, é reconhecido como Patrimônio Histórico Material do Município de Duque de Caxias - através do tombamentoo Asè Oloroke Pantanal passou a fazer parte do Mapa da Cultura Afro do bairro, e o Museu Cristóvão Lopes dos Anjos tem visitas permanentes para adeptos e interessados na História da Nação Efon. 

Sem sobra de dúvida, foi memorável, um grande momento histórico para todos. Uma oportunidade para construção de uma pauta internacional comum de pesquisas ealiança AFRICANA em defesa das tradições religiosas e culturais. "Acho que o melhor proverbio africano que simboliza o nosso evento é: A união do rebanho obriga o leão a deitar-se com fome", completa Ivanir dos Santos