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sábado, 31 de agosto de 2019

Dança | O Lugar Mais Escuro é Embaixo da Luz | João Saldanha | Sesc Pinheiros

O Lugar Mais Escuro é Embaixo da Luz, do coreógrafo João Saldanha, estreia no Sesc Pinheiros


João Saldanha é um dos mais respeitados e premiados coreógrafos brasileiros. Criou dezenas de peças concebidas em conjunto com o Atelier de Coreografia, companhia que dirige desde 1986 no Rio de Janeiro


O LUGAR MAIS ESCURO É EMBAIXO DA LUZ © Renato Mangolin

Com o título que remete a um antigo provérbio chinês, “O Lugar Mais Escuro é Embaixo da Luz” estreia no Sesc Pinheiros no dia 3 de setembro de 2019, terça-feira, às 21h. A temporada, curtíssima, segue no Espaço Expositivo do 2º andar do Sesc Pinheiros até o dia 12 de setembro. A nova criação de João Saldanha conta com a participação de Laura Samy, Maria Alice Poppe e Elton Sacramento.

No espetáculo, o corpo é formado pelo todo (luz, corpo físico e extensores), e propõem-se receptores e emissores de posturas e detalhamentos, texturas e isolamentos. O trabalho, então, é feito por conexões e elementos mínimos encontrados no próprio curso da experiência.

Misturando um confronto sensorial com elementos que não estão necessariamente visíveis aos olhos, o espetáculo de dança propõe uma reflexão com vestígios de ações. Uma coreografia tecida por cadeias de movimentos compostos por um trio de bailarinos, num espaço cênico, com pouca luz - ora escuro, ora sombreado - e com quase nada que sugira imagens, apenas alguns objetos denominados extensores.

Os três artistas apresentam espectros de movimentos, impulsionados por uma composição espacial que deixa rastros no curso das ações, até se reduzirem e estreitarem na escuridão do fundo da cena. A partir daí iniciam uma série de despejos sobre a plateia, num confronto formado por silhuetas, contornos e vultos que se aproximam e se distanciam em alternâncias e comentários expressivos.




“No campo das observações sobre o olhar, consideramos que a consciência do mundo em que vivemos é parte fundamental para as possibilidades a serem apresentadas. Consciência do lugar físico, da geografia que percorremos para comunicarmos ansiedades, vontades, hábitos, saberes, ideias e tantas outras coisas que compõem a existência. Aqui, enxergar ou ver, são cargas de possibilidades concretas para expressarmos de maneira a acender o olhar para um humor trágico”, diz o diretor João Saldanha.

Esse humor é composto pela intensidade das zonas claras (de luz), das áreas sombreadas (onde as ações sugerem um pensamento menos esclarecido) e, na contraposição das regiões escuras (blackouts que nos fazem entrar para outras sensibilidades como a audição e o olfato) e trazer para as regiões de atenção em espera, atitudes que provoquem um estado de curiosidade na dança que será produzida.

Sinopse
“O lugar mais escuro é embaixo da luz”, conta com a participação criativa e dançante de Elton Sacramento, Laura Samy e Maria Alice Poppe. Esse trabalho percorre a cena pelas escolhas e pelo olhar sensível de cada dançarino, por suas proporções, distâncias e atenções tecidas no mover.  Uma via de acesso que permite perceber humor e inquietude numa comunicação cênica firmada por informações momentâneas do olhar. Enxergar é sempre uma ação agitada que nesse campo de atenções, torna-se parte de uma consciência física e instintiva, percorrida por anseios, ritmos e hábitos.
Um trio, um prisma, ações de despejo, ações de esgarçamento, danças pessoais, danças em esboços, danças ficcionais, extensores.



Ficha Técnica
Encenação e direção - João Saldanha
Criação - Elton Sacramento, João Saldanha, Laura Samy e Maria Alice Poppe
Dançam - Elton Sacramento, Laura Samy e Maria Alice Poppe
Trilha incidental - Sacha Amback                    
Operação de som - Thiago Tafuri
Costureira - Lucia Lima
Objeto Prisma - Custódio
Cocar - Marcela Saldanha
Produção - Corpo Rastreado

Serviço
O Lugar Mais Escuro é Embaixo da Luz (dança)
Temporada: de 3 a 12 de setembro de 2019, terça a quinta-feira, às 21h
Local: Espaço Expositivo (2º Andar)
Capacidade: 90 pessoas Duração: 75 minutos | Classificação: 14 anos
Ingresso: R$ 25 (inteira), R$ 12,50 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor de escola pública com comprovante) e R$ 7,50 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculados no Sesc e dependentes/Credencial Plena)

Sesc Pinheiros - Rua Paes Leme, 195
Bilheteria: Terça a sábado das 10h às 21h. Domingos e feriados das 10 às 18h
Tel.: 11 3095.9400
Estacionamento com manobrista: Terça a sexta, das 7h às 21h30; Sábado, das 10h às 21h30; domingo e feriado, das 10h às 18h30. Taxas / veículos e motos: para atividades no Teatro Paulo Autran, preço único: R$ 12 (credencial plena do Sesc) e R$ 18 (não credenciados). Transporte Público: Metrô Faria Lima – 500m / Estação Pinheiros – 800m

Sesc Pinheiros nas redes: Facebook, Twitter e Instagram: @sescspinheiros

Para credenciamento, encaminhe pedidos para imprensa@pinheiros.sescsp.org.br

Assessoria de Imprensa - Sesc Pinheiros
Fernanda Porta Nova | José Maurício Lima
Contatos: (11) 3095.9737 | 9425
imprensa@pinheiros.sescsp.org.br

MITbr – Plataforma Brasil 2020


MITsp - Mostra Internacional de Teatro de São Paulo tem data marcada no calendário para sua sétima edição: de 5 a 15 de março de 2020 em diversos teatros e espaços da capital. Um dos eixos da mostra, a MITbr – Plataforma Brasil - programa de internacionalização das artes cênicas brasileiras - recebeu 791 inscrições para a Convocatória #MITbr2020, encerrada na última quarta-feira, dia 27 de agosto de 2019.
Em 2018, 464 projetos se inscreveram na #MITbr e 10 trabalhos foram selecionados e apresentados em março de 2019 na capital paulista. O resultado com os grupos e artistas pré-selecionados para compor a programação da #MITbr2020 será divulgado no dia 14 de novembro no site mitsp.org.

MITbr e sua trajetória
Em 2020 será a terceira edição da MITbr – Plataforma Brasil. O programa de internacionalização das artes cênicas brasileiras da MITsp foi se aperfeiçoando ao longo dos anos. Lançada em 2018, recebeu em suas duas edições anteriores o total de 477 propostas, de 19 estados brasileiros (AL, AM, BA, CE, DF, ES, GO, MA, MG, MS, MT, PA, PB, PE, PR, RJ, RN, RS e SC). Desse montante de inscrições, 34 trabalhos foram selecionados e apresentados, mais 6 aberturas de processo compuseram a programação, para que 68 curadores internacionais e 17 nacionais pudessem fruir um recorte da produção nacional recente. O público também se beneficiou com o programa: mais de 5 mil pessoas assistiram às apresentações nos teatros e espaços da capital paulista.
A primeira e segunda edição teve a equipe curatorial composta por Christine Greiner (2018), Felipe de Assis, Sonia Sobral (2019) e Welington Andrade. Em 2020, os trabalhos selecionados serão escolhidos pelos artistas Alejandro Ahmed, Francis Wilker e Grace Passô.

MITbr 2020
O desejo para a edição da MITbr de 2020 “é poder lançar um olhar sensível para a multiplicidade de nossa produção cênica num momento tão complexo do Brasil, em que o mundo nos mira com olhos apreensivos. A MITbr é hoje um espaço ímpar para criar pontes entre a cena brasileira e outras geografias (…) Nosso papel é conseguir traçar uma paisagem contundente que seja capaz de potencializar as muitas vozes e corpos de nosso tempo espalhados de Norte a Sul do país nos teatros, nas ruas, nas cidades”, resume um dos curadores Francis Wilker.

Impressões dos curadores internacionais a respeito da última MITbr (2019):
“A MITbr ampliou meu conhecimento e curiosidade sobre o panorama das artes cênicas brasileiras”. Daniela Nicolò/ Santarcangelo Festival
“Muito útil conhecer artistas brasileiros e ter noção da amplitude da cena”. Mark Ball/ Manchester International Festval
“O programa do festival me permitiu mergulhar em uma grande variedade de propostas brasileiras, muito diferentes, mas a maioria deles política ou socialmente envolvidas, ressoando fortemente em questões reais e muitas vezes inscritas no contexto brasileiro, que foi muito interessante, isso tudo ampliou minha visão de quais são as lutas e dinâmicas no país”. Mélanie Dumont/ Ottawa National Arts Center
“A MITsp expandiu meu conhecimento sobre artistas contemporâneos do Brasil e me inspirou a gerar novos projetos que incluam esses artistas”. Cecilia Kuska/ Festival Proximamente em Bruxelas
“Todos os artistas que descobri durante a Plataforma expandiram meus conhecimentos sobre a cena contemporânea brasileira”. Arthur Nauzyciel/ TNB - Théâtre National de Bretagne
“Foi uma excelente oportunidade ver o trabalho dos artistas brasileiros, o que eles estão fazendo agora, quais perguntas estão se fazendo e eu entendo que essas questões respondem a um contexto sociopolítico, portanto é também abordar esse contexto, não através das notícias, mas através de leituras artísticas. (...) Eu pude ver a profundidade com que os artistas trabalham, a enorme proposta reflexiva, inteligente e sensível que eles sugerem”. Paula Giuria/ FIDCU - Festival Internacional de Danza Contemporánea de Uruguay

Minibios
Alejandro Ahmed
Coreógrafo, diretor artístico e bailarino do Grupo Cena 11 Cia. de Dança. As investigações atuais de Alejandro Ahmed estão situadas em novas definições do conceito de coreografia.  Termos como "situação coreográfica", "coreografia imaterial" e "dança generativa" indicam as áreas de interesse em que Alejandro Ahmed desenvolve seus procedimentos de trabalho com o Cena 11 e como artista solo.  Suas novas proposições teóricas e práticas estabelecem a tríade correlacional EMERGÊNCIA-COERÊNCIA-RITUAL como diretrizes de suas ações.
Francis Wilker
É artista da cena, pesquisador, curador e professor do curso de Teatro do Instituto de Cultura e Arte da Universidade Federal do Ceará. É um dos fundadores do grupo brasiliense Teatro do Concreto. Como curador, colaborou com o Festival Internacional de Teatro de Brasília – Cena Contemporânea; com a Mostra Baiana do Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia (FIAC-BA), com o Festival Nordestino de Tetro de Guaramiranga e com o Maloca Dragão (ambos do CE).  Mestre e doutorando em Artes Cênicas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). É autor do livro Encenação no espaço urbano (editora Horizonte, 2018) e têm artigos publicados em sites e revistas dedicados ao pensamento sobre o teatro brasileiro contemporâneo.
Grace Passô
Atriz, diretora e dramaturga brasileira, desenvolve seu trabalho em parceria com diversos artistas e companhias teatrais brasileiras. Dentre seus trabalhos, dirigiu "Contrações" (Grupo 3 de Teatro, SP), "Os Bem Intencionados" (LUME Teatro, SP); atua nas peças "Krum" (Companhia Brasileira de Teatro, PR) e em espetáculos do repertório do grupo Espanca!, grupo mineiro que fundou em 2004 e que permaneceu por dez anos, assinando a dramaturgia de espetáculos como "Marcha para Zenturo" (em parceria com o Grupo XIX de Teatro, SP), "Amores Surdos", "Congresso Internacional do Medo" e "Por Elise", sendo diretora destes dois últimos trabalhos. Em 2016, estreou o espetáculo solo "Vaga Carne", no qual atua e assina o texto. Dentre os prêmios e indicações recebidos, estão o Prêmio Shell, APCA - Grande Prêmio da Crítica, Prêmio Questão de Crítica, APTR, Cesgranrio, Prêmio Leda Maria Martins, Prêmio Bravo! Prime de Cultura, Festival do Rio, Festival de Brasília (Troféu Candango), Festival de Turim e Medalha da Inconfidência.

Hugo Coelho dirige Vereda da Salvação em
montagem com elenco da Escola Wolf Maya



Fonte : Eliane Verbena / Fotos : Rombolli Torres Photografia 


No dia 6 de setembro, sexta-feira, estreia o espetáculo Vereda da Salvação, no Teatro Nair Bello, às 21 horas. A montagem é um estudo sobre a obra de Jorge Andrade com direção de Hugo Coelho, tendo no elenco os alunos formandos da Turma M6B da Escola de Atores Wolf Maya. A temporada segue até o dia 15 de setembro, sempre às sextas-feiras e sábados, às 21 horas, e domingos, às 19 horas.

A peça Vereda da Salvação foi escrita por Jorge Andrade no começo dos anos de 1960, sendo baseada nos trágicos acontecimentos ocorridos em 1955, no povoado de Catulé, no nordeste de Minas Gerais. No enredo, uma comunidade troca de religião, abandona a igreja “dos padres” e abraça a Igreja do Advento da Promessa. Abatidos pela miséria, pelo trabalho extenuante de sol a sol, não recompensado, buscam na fé religiosa uma redenção, um conforto, uma promessa de dias melhores, mesmo que esses dias estejam para além da vida terrena.

Segundo o diretor Hugo Coelho, o texto de Jorge Andrade tem muito a dizer sobre os dias de hoje. “A nossa montagem não é uma crítica à religião, muito menos uma reprovação a esta ou àquela religião, mas uma crítica contundente ao fanatismo. O fanático não distingue o outro, não consegue ter empatia, só é capaz de reconhecer a si mesmo, além de legitimar o uso da força para impor suas crenças”, comenta.



Hugo explica que esta obra foi uma escolha da turma M6B, abraçada por ele com a paixão que o texto merece. Denso, poético, trágico e pleno de brasilidade, Vereda da Salvação é ainda, sob muitos aspectos, um retrato do Brasil. “Somos um povo que transita entre o sagrado e o profano com a mesma desenvoltura. As festas religiosas e o carnaval convivem ou deveriam conviver em harmonia assim como todas as profissões de fé, sejam elas católicas, evangélicas, muçulmanas, orientais ou de matriz africana”, reflete o diretor. “Mas alguma coisa está mudando no nosso Brasil, a intolerância ganha espaço, o preconceito verticaliza seu discurso, o ódio ocupa o lugar do debate e da troca de ideias. Esses radicalismos, ao longo da história, levam inevitavelmente a um confronto onde não há vencedores. Oxalá que tenhamos discernimento e possamos aprender com este belo texto”, finaliza Hugo Coelho.




Ficha técnica - Autor: Jorge Andrade. Direção: Hugo Coelho. Assistência de direção: Bell Rodrigues e Henrique Garcia. Preparação vocal: Edi Montecchi. Figurino: Elenco. Maquiagem: Elenco. Ambientação cênica: Hugo Coelho. Coreografia de ação: Bell Rodrigues. Direção musical e trilha sonora: Jonatan Harold. Criação de luz: Beto Martins ‘Salsicha’. Operação de som: Henrique Garcia. Produção executiva: Maristela Bueno. Produção: Rodrigo Trevisan e Renato Campagnoli. Design gráfico: Felipe Barros. Fotos: Dani Rombolli Photografia. Coordenação pedagógica: Josemir Kowalick. Coordenação geral: Hudson Glauber. Realização: Escola de Atores Wolf Maya Ltda.



Elenco: Ana Flávia Nery, Anna Bia Salgado, Amanda Martins, Audrey Akemi, Bell Rodrigues, Bruno Sette, Carina Coutinho, Clara Jardim, Gabriela Clímaco, Joice Falcato, Josué Cândido, Kaah Dianobraga, Mariana Barbosa, Michael Albuquerque,Milton Novas, Orlando Neto, Renata Brandão e Taís Dierings.

Serviço

Espetáculo: Vereda da Salvação
Estreia: 6 de setembro. Sexta, às 21h
Temporada: de 6 a 15 de setembro/2019
Horários: sextas e sábados (às 21h) e domingos (às 19h)
Ingressos: R$ 30,00 (valor único) - Vendas na bilheteria do teatro.
Duração: 90 min. Gênero: Drama. Não recomendado para menores de 12 anos.
Bilheteria: quarta a sábado (15h às 21h) e domingo (15h às 19h).

Teatro Nair Bello
Rua Frei Caneca, 569 - Shopping Frei Caneca, 3º Piso. Centro - SP/SP.
Tel: (11) 3472-2442. Capacidade: 201 lugares.
Ar condicionado. Acessibilidade.


Estreia A Cobradora | Sesc Vila Mariana | Zozima Trupe | 13/09

A Zózima Trupe põe histórias do ônibus no palco do Sesc Vila Mariana para estrear A Cobradora

As cobradoras de ônibus do Terminal Parque Dom Pedro foram a fonte de coleta das histórias, que no palco se somam à ideia da mulher cobradora, aquela insubmissa, a Lilith que abandonou o Éden, a que exige igualdade, respeito e dignidade. Uma cobradora dos seus direitos.

Uma imagem contendo patinação, chão, homem, edifício

Descrição gerada automaticamente
Foto de Christiane Forcinito – Cena de maria Alencar em A COBRADORA

“Quando você abre a porta do ônibus é igual uma porta de uma igreja, qualquer um entra: o preto, o branco, o pobre, o rico, o ladrão, o estuprador, ou seja, você vê de tudo um pouco.”  Maria das Dores, cobradora.

No dia 13 de setembro de 2019 estreia em São Paulo, no Auditório do Sesc Vila Mariana, o espetáculo A Cobradora. A peça traz no palco a atriz Maria Alencar, sob direção de Anderson Maurício, a partir da dramaturgia de Cláudia Barral. A Zózima Trupe é um coletivo teatral paulistano reconhecido desde 2007 pela pesquisa que faz sobre o ônibus urbano como espaço cênico, um lugar democrático e descentralizado do fazer teatral. Dessa percepção, somada às muitas histórias ouvidas das cobradoras do Terminal Parque Dom Pedro, nasceu o espetáculo.
Após 12 anos com o ônibus e a cidade como mote para suas investidas e pesquisas cênicas, o grupo paulistano traz as histórias coletadas e o mundo simbólico desse universo para o palco italiano.  No palco, em cena, a personagem Maria das Dores, que se renomeia Dolores por não gostar de seu nome. As mulheres podem tudo, inclusive se renomear. E ela segue sendo Dolores, um nome que traz em si a dor das mulheres que ela representa, encerra em si todas as Marias e outras mulheres que circulam por uma cidade árida, composta por empregos destinados a homens e outros a mulheres. Subverter é a ordem do dia.

Foto : Christiane Forcinito 

A dramaturgia de Claudia Barral traz para o palco todas essas “Marias” das histórias reais, trançadas umas às outras, permeadas pela violência, por mortes, pela sobrevivência diária em busca do sustento, da dignidade, vidas que se emaranham no amor, amizade, luta, tristeza, solidão, revolta, presentes em todas as mulheres. Cada narrativa tinha sua particularidade, mas em cada uma delas algo a ligava a outra mulher, com outra história, com semelhanças na dor, ou nos receios, ou nas expectativas. Únicas, mas ligadas por sentimentos comuns.
A pesquisa desenvolvida n´A Cobradora tem camadas que vão além da trabalhadora das catracas de ônibus. A palavra ‘cobradora’ também assume o significado da mulher que cobra seus direitos, a que percebe a injustiça e exige reparações e igualdade. Aparece a “Lilith” que habita muitas das mulheres ouvidas pelo grupo.
Segundo alguns evangelhos apócrifos retirados da Bíblia em 325 d.C no Concílio de Nicéia, Lilith foi a primeira mulher de Adão, antes de Eva. A história conta que Deus criou Adão e Lilith, ambos do pó. Entretanto, Lilith não aceitou a condição de ser submissa a Adão, afinal eram feitos da mesma matéria. E, insubmissa, não aceitou uma posição inferior em relação ao homem, exigiu os mesmos direitos, não aceitou uma posição submissa e assim abandonou o Éden e Adão.
“Por que devo deitar-me embaixo de ti? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Por que ser dominada por ti? Contudo, eu também fui feita de pó e por isso sou tua igual" disse Lilith ao Todo Poderoso, o qual retrucou que era assim que Ele havia feito, e assim continuaria. Lilith então se rebelou, e decidiu abandonar o Éden.
Para além de Lilith, o grupo também observou a “Eva” que as mulheres carregam consigo, a culpa de terem protagonizado a destruição do Paraíso. Entretanto, no mundo contemporâneo, é a violência do homem, apontada nas inúmeras estatísticas alarmantes e crescentes de feminicídio que destrói o paraíso - as casas, as famílias – com a morte de esposas, companheiras, namoradas e filhos. Se há paraíso, é o homem que o arrasa reiteradamente. 

Foto: Christiane Forcinito


Sinopse do Espetáculo
A Cobradora, por meio de Dolores, uma Maria que se recusou a se chamar Maria das Dores, põe no palco as histórias de muitas mulheres: contemporâneas, míticas e inimagináveis. Em cena, a mulher cobradora – a trabalhadora das catracas, mas também a insubmissa, que cobra seu direito pela dignidade, igualdade e justiça. Os relatos, de histórias orais, biografias colhidas nos ônibus da cidade, estão sempre permeados pela violência, amor, solidão e sonhos que lhe foram fecundados e roubados, evidenciando mulheres únicas e ao mesmo tempo universais.
                                                                                                                 
Zózima Trupe l sobre o coletivo
A Zózima Trupe é um grupo de teatro formado por atores profissionais que, desde 2007, pesquisa o ônibus urbano como espaço cênico, espaço de descentralização e democratização do acesso às artes. Desbravar o arcabouço do ônibus como espaço cênico e falar diretamente ao trabalhador, aquele que tem o próprio corpo abatido dia a dia pelas insuficiências do transporte coletivo, são os pontos fundantes dos movimentos de pesquisa teatral da Zózima Trupe desde a sua origem.
Durante os anos de pesquisa, a Trupe desenvolveu diversos projetos que culminaram na criação e realização dos espetáculos Cordel do amor sem fim (2007) – de Cláudia Barral, apresentado mais de 620 vezes em vários estados brasileiros e também encenado no continente europeu, Valsa nº 6 (2009) – de Nelson Rodrigues, O poeta e o cavaleiro (2010) – livre inspiração na obra literária de Pedro Bandeira e contemplado com o Prêmio Myriam Muniz da Fundação Nacional das Artes (FUNARTE), Dentro é lugar longe (2013) – de Rudinei Borges e Os minutos que se vão com o tempo (2016), com dramaturgia em processo compartilhado com Cláudia Barral e o primeiro espetáculo encenado em ônibus de linha; Iracema via Iracema em parceria com o Agrupamento Andar 7 (2017); e dos projetos 1º Mostra de Teatro no Ônibus (2009) e Plantar no ferro frio do ônibus o ninho – Residência artística por um teatro do encontro sem fronteiras (2012/2013) – contemplado pela 20ª edição do Programa de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo e Os minutos que se vão com o tempo: da imobilidade urbana ao direito à poesia, à cidade e à vida, contemplado pela 24º Edição da Lei de Fomento. A Trupe foi um dos grupos selecionados para representar o Brasil no I Mercado de Indústrias Culturais dos Países do Sul (Micsul) na ARGENTINA, em maio de 2014 e da 15ª Edição – PLATEA Santiago a Mil em 2015 no CHILE.


Foto: Leonardo Souzza


A Cobradora | Ficha técnica
Espetáculo teatral multimídia l Drama l 90 min l 16 anos
atriz criadora_ Maria Alencar
encenação_ Anderson Maurício
dramaturgia_ Cláudia Barral
vídeo mapping_ Leonardo Souzza e Otávio Rodrigues
preparação corporal e movimento_ Natalia Yukie
preparação vocal_ Marilene Grama
trilha sonora original_; Rodrigo Florentino
iluminação_ Tomate Saraiva e Otávio Rodrigues
operadora de luz_ Fernanda Cordeiro
operadora de som_ Wayra Arendartchuk Castro
cenografia_ Anderson Maurício e Nathalia Campos
adereços cenográficos_ Nathalia Campos
construtor cênico_ Alício Silva
figurino_ Tatiana Nunes
conteúdo de vídeo_ Leonardo Souzza
orientação de vídeo mapping_ Ana Beraldo e Ihon Yadoya
produção geral_ Tatiane Lustoza
assistente de produção_ Amanda Azevedo e Jonathan Araújo
fotografia_ Leonardo Souzza
assessoria de impressa_Canal Aberto

Serviço
A CobradoraQuando: 13 de setembro a 19 de outubro de 2019.
Horário: Sextas, às 20h; e sábados, às 18h.
Local: Sesc Vila Mariana | Auditório | Capacidade: 128 lugares
Rua Pelotas, 141, São Paulo – SP | Informações: 5080-3000
Ingressos: R$ 20,00 (inteira). R$ 10,00 (estudantes, +60 anos e aposentados, pessoas com deficiência e servidores da escola pública). R$ 6,00 (Credencial Plena válida: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciados no Sesc e dependentes).

BATE-PAPO
Conversação - Os deslocamentos políticos e poéticos da mulher de agora, em sua missão de cobrar
28 de setembro, após a apresentação
Os encontros-conversa são meios de diálogo que vislumbram refletir sobre o universo de pesquisa em torno das histórias orais de mulheres trabalhadoras do transporte público, manancial de construção cênica e dramatúrgica do espetáculo "A COBRADORA". O que neste tempo de agora é necessário cobrar? Existe algo que una todas as mulheres? O que pode em essência conectar Lilith, Eva e a mulher que cobra, a cobradora das catracas?
Com: Maria Alencar, Cláudia Barral, Natalia Yukie e Tatiane Lustoza


SESC VILA MARIANA
Bilheteria: Terça a sexta-feira, das 9h às 21h30; sábado, das 10h às 21h; domingo e feriado, das 10h às 18h30 (ingressos à venda em todas as unidades do Sesc).

Horário de funcionamento da Unidade: Terça a sexta, das 7h às 21h30; sábado, das 9h às 21h; e domingo e feriado, das 9h às 18h30.

Central de Atendimento (Piso Superior – Torre A): Terça a sexta-feira, das 9h às 20h30; sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h30.

Estacionamento: R$ 5,50 a primeira hora + R$ 2,00 a hora adicional (Credencial Plena: trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes).
R$ 12 a primeira hora + R$ 3,00 a hora adicional (outros). 111 vagas.
Assessoria de Imprensa | Sesc Vila Mariana
Estevão Denis Silveira
Joana Teixeira Mota (estagiária) | (11) 5080 3011 | 
imprensa@vilamariana.sescsp.org.br

Racismo na era digital é um dos temas da Conferência Ethos 360º




Racismo na era digital é um dos temas da Conferência Ethos 360º

            O que ou quem controlará os algoritmos: o racismo estrutural e institucional na era digital? Esse é um dos temas em debate na Conferência Ethos 360°, que acontecerá dias 3 e 4 de setembro, em S.Paulo.
            O objetivo do painel é  entender como os algoritmos, as plataformas digitais, mídias sociais, aplicativos e inteligência artificial reproduzem e intensificam o racismo e discriminações nas sociedades, à medida em que são usados por empresas privadas e instituições públicas para a tomada de decisões relevantes e podem propagar distorções em larga escala e em ritmo acelerado. Essa é uma das pautas de Direitos Humanos que a Conferência Ethos 360º vai discutir com especialistas, buscando detectar riscos reais e solucionar erros discriminatórios.
            O mundo é digital. Segundo o relatório We are social 2019, do Hootsuite, no Brasil há 140 milhões de usuários ativos sociais, 66% da população, de que forma podemos transformar em uma urgência a análise ética da automação e digitalização? Esse é o desafio.

Sobre a Conferência Ethos 360º em São Paulo - Realizada desde 1998, a Conferência Ethos mantém a dinâmica 360º: palestras simultâneas acontecem num mesmo espaço, sem divisórias ou isolamento acústico e fones de ouvido permitem que os participantes possam migrar de um painel para outro e alternar a audiência conforme o interesse e, assim, aproveitar melhor os diálogos. A Conferência Ethos privilegia um espaço integrado para o desenvolvimento de carreiras e negócios. Gestores, empreendedores e especialistas de diferentes setores estarão reunidos para debater alternativas em prol da agenda dos negócios e do desenvolvimento sustentável do país.

SERVIÇO
O quê: Conferência Ethos 360º São Paulo 2019
Quando: 03 e 04 de setembro de 2019
Onde: Piso Térreo + Mezanino do Pavilhão Ciccillo Matarazzo (Pavilhão da Bienal)
Endereço: Avenida Pedro Alvares Cabral, S/N – Parque Ibirapuera – Portão 03 - São Paulo (SP)
Mais informações: www.conferenciaethos.org/saopaulo
Mais informações à imprensa - Rejane Romano (assessora) | tel. (11) 3897-2416 | cel. 9-8969-4495 | rromano@ethos.org.br