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terça-feira, 16 de outubro de 2018

“NAVALHA NA CARNE NEGRA” reestreia no CCSP





Figura 1 Cena do espetáculo - Foto Isabel Praxedes



Após uma temporada curta e com casa cheia no TUSP,

espetáculo faz nova temporada no CCSP, na sala Jardel Filho


“Essa montagem pretende friccionar o texto Navalha na Carne contra a própria pele a partir da realidade, experiência e pesquisa de artistas, que, por meio de suas trajetórias, articulam a presença negra na cena e na sociedade contemporâneas”. Rodrigo dos Santos, ator

Reestreia dia 19 de outubro, às 21h, na Sala Jardel Filho no Centro Cultural São Paulo, o espetáculo NAVALHA NA CARNE NEGRA, com direção e dispositivo cênico de José Fernando Peixoto de Azevedo. No elenco os atores Lucelia Sergio, Raphael Garcia e Rodrigo dos Santos.
A peça de Plínio Marcos, que no ano passado completou 50 anos, é tida como um clássico do “teatro marginal”: aquela cena que fazia ver a “escória da sociedade”. No caso de Navalha na Carne, figuram três personagens, Neusa Sueli, Vado e Veludo, respectivamente, uma prostituta, um cafetão e um camareiro gay, que, nas palavras do crítico teatral Décio de Almeida Prado, fazem parte de um “subproletariado” – “uma escória que não alcançara sequer os degraus mais ínfimos da hierarquia capitalista”.

Foto : Isabel Praxedes 

Se muitos a consideram uma obra “datada” sob alguns aspectos, essa nova montagem pretende friccionar Navalha na carne contra a própria pele – a realidade, a experiência e a pesquisa de uma atriz, dois atores e um diretor negros, que vêm construindo suas trajetórias através de uma proposta estética que articule a presença preta na cena e na sociedade contemporâneas: José Fernando Peixoto de Azevedo, dramaturgo, diretor teatral e professor da Escola de Arte Dramática da USP, foi diretor e fundador do Teatro de Narradores (1997-2017) e colaborador do grupos Os Crespos, além de dramaturgo do espetáculo “Isto é um negro?”; Lucelia Sergio, da Cia Os Crespos (SP); Raphael Garcia, do Coletivo Negro (SP); e Rodrigo dos Santos, da Cia dos Comuns (RJ), grupos que tem extensa pesquisa teatral sobre o tema.



Foto : Fábio Burtin 

DO CORPO NEGRO, por José Fernando Peixoto de Azevedo
A problemática do corpo preto e seus históricos processos de marginalização social servem de mote central para nossa montagem, que pretende lançar luzes sobre algumas questões relativas à hierarquização social vigente nas sociedades contemporâneas. Essas questões atravessam o texto de Plínio Marcos e reverberam na própria produção teatral hegemônica em nosso país. Quem são esses “marginais” de Plínio Marcos hoje em dia? Onde se encontram? Como vivem? Como lidam com seus desejos e necessidades? Qual sua expectativa de vida? Será que se reconhecem como parte da “escória”? O que esperam da sociedade – se é que ainda esperam alguma coisa? 


Foto : Fábio Burtin 

Do corpo-mercadoria – essa redução perversa da imagem do corpo preto produzida pela história da escravidão – à mercadoria-corpo que é a prostituta Neusa Sueli estancando a fome com seu sanduíche de mortadela; da sexualidade excessiva da “bicha” Veludo à sexualização do corpo negro, esse corpo-objeto, ao qual não se concede o direito ao desejo; e, a partir daí, até a fantasmagoria viril chamada Vado, cuja expressão é a imitação de uma violência cuja gramática constitui uma gestualidade macaqueada da violência naturalizada na figura do macho nacional.
DO EXCESSO E DA EXCEÇÃO
São excessos de vida e de morte, de potência e impotência, de grandeza e insignificância, são vestígios de uma história marcada no corpo preto, feita de gritos e de silêncios. Imaginar um futuro implica, para nós, lançar o olhar às cicatrizes e permitir-nos a escuta de uma potência inaudita – provavelmente, a voz de um anseio oprimido que jamais desistiu da vida.


Foto : Isabel Praxedes 

Nessa NAVALHA NA CARNE NEGRA, as figuras em jogo não são apenas vítimas ou imagens de uma destituição absoluta. Elas são sobretudo figuras em luta: em cena como na vida, a luta pela vida revela o quão portadoras de vida ainda são. Na resiliência desses corpos adoecidos de sua negação, revela-se uma intuição silenciosa, de que os atravessamentos produzem diferença, permitem que saibam ainda o que são; como qualquer corpo doente, são corpos que imaginam cura.
DA CENA
A cena se constitui como um dispositivo-estúdio, em que as imagens são captadas e transmitidas ao vivo, elaborando uma espécie de adesão: o ponto de vista da câmera adere a Neusa Sueli. Presente o tempo todo em cena, a câmera, esse dispositivo de olhar, de enquadramento, força a construção. O espectador vê o jogo em cena e compara com o corte que assiste na tela. Os monitores revelam a dimensão do corte, emoldurando o jogo e sua teatralidade. É preciso atravessar essa saturação da imagem, do corte, do enquadramento, para conferir a suposta totalidade da cena, já saturada de presenças, transitando entre o jogo ficcional do texto e o jogo estrutural da captação de imagem. A luta entre as personagens é duplicada pela tensão gerada por esse trabalho de captura da imagem.
O olhar dessa puta – essa Neusa Sueli preta, mulher, corpo-mercadoria – contempla, porque precisa contemplar, a imagem de um futuro. Ela se mantém atenta, examinando a miséria, o desespero e a desesperança, em busca de uma pista – o mais sutil laivo de vida. Seu olhar há de nos indicar a direção do grande salto.

FICHA TÉCNICA
Direção Geral e Dispositivo Cênico
José Fernando Peixoto de Azevedo
Atores
Lucelia Sergio
Raphael Garcia
Rodrigo dos Santos
Vídeo
Isabel Praxedes
Flávio Moraes
Iluminação
Denilson Marques
Direção de Arte
Criação Coletiva
Assessoria para o Trabalho Corporal
Tarina Quelho
Programação Visual
Rodrigo Kenan
Produção
corpo rastreado

SERVIÇO

NAVALHA NA CARNE NEGRA
Local: CCSP – Sala Jardel Filho
De 19 de outubro a 11 de novembro de 2018
*Não haverá espetáculo nos dias 27 e 28/10, devido ao período eleitoral.
Temporada: sexta e sábado, 21h; domingos 20h
Endereço: Rua Vergueiro, 1000 | São Paulo | SP
Telefone: (11) 3397-4002
Ingressos: R$ 20,00 inteira e R$ 10,00 meia.
Horário de funcionamento da bilheteria: De terça a sábado, das 13h às 21h30. Domingos, das 13h às 20h30 ou no site da Ingresso Rápido https://www.ingressorapido.com.br/event/10150/d/44525/s/221236
Classificação 16 anos | Duração 60 minutos | Capacidade: 321 lugares



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