Carnaval 2026: Ivi Mesquita cruza Anhembi e Sapucaí em desfiles marcados por luta social, memória e ancestralidade
Carnaval 2026: Ivi Mesquita cruza Anhembi e Sapucaí em desfiles marcados por luta social, memória e ancestralidade
Fotos de Daniel Ridano
Veterana da folia e referência de entrega artística na avenida, Ivi Mesquita vive um Carnaval 2026 de intensidade máxima. Com quase 30 anos de história no samba, ela atravessou o Anhembi pela 27ª vez desfilando pelo Vai-Vai, reafirmando sua trajetória marcada por resistência, consciência social e força simbólica.
Neste ano, Ivi integrou o terceiro carro que abriu o quarto setor do desfile, vestindo a fantasia “Fagulhas da Liberdade”. A alegoria, intitulada “Nas telas, a missão de lutar junto ao povo por igualdade e justiça social”, abordou as greves lideradas pelos metalúrgicos e a luta histórica da classe trabalhadora. O carro reproduziu a imagem da massa operária em ato grevista, simbolizando o enfrentamento à exploração, à falsa liberdade e às desigualdades estruturais. A fantasia de Ivi representava justamente a fagulha que inicia o movimento coletivo: a chama da liberdade, da resistência e da transformação social.
E o Carnaval de Ivi Mesquita em 2026 está longe de se resumir a uma única escola. Após uma participação surpresa na Unidos da Tijuca, que emocionou o público com um dos momentos mais impactantes da temporada, a artista retorna hoje, dia 17, à Sapucaí como Colombina, destaque do quarto carro da Vila Isabel, a segunda escola a desfilar na noite.
Na Vila Isabel, Ivi integra o enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África”, um tributo poético e visual a Heitor dos Prazeres. O desfile celebra o legado do artista como sambista, pintor e cronista sensível da cultura popular negra, conectando África, ancestralidade, samba e identidade brasileira. Como Colombina, Ivi surge como figura simbólica que atravessa esse imaginário, unindo lirismo, teatralidade e ancestralidade em cena.
Na Unidos da Tijuca, Ivi foi destaque central do principal carro da escola, o impactante “Quarto dos Desejos”, apresentado logo após a bateria. O desfile homenageou a vida e a obra de Carolina Maria de Jesus, afirmando-a como escritora central da literatura brasileira e ampliando sua narrativa para além da pobreza, enfrentando o apagamento histórico e restituindo-lhe o direito a uma memória plena. Conhecida por retratar a vida nas favelas e a desigualdade social em diários, poemas e obras de ficção, com destaque para o livro Quarto de Despejo, Carolina teve sua autoria, protagonismo e legado reafirmados já no título do enredo, que adota seu nome completo.
Com cerca de 100 componentes, o carro reuniu múltiplas “Marias Carolinas”, enquanto Ivi personificou Maria do Canindé, figura que costura e atravessa toda a narrativa do desfile. Usando uma fantasia inédita em sua trajetória , um vestido longo, ela evidenciou seu samba no pé, sua presença cênica e sua veia performática, atributos que a consolidam como uma das figuras mais icônicas e respeitadas do Carnaval brasileiro.
Entre São Paulo e Rio de Janeiro, Ivi Mesquita transforma cada aparição em manifesto, fazendo da avenida um espaço de memória, arte e afirmação cultural.

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