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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

“Já nascemos mortos”, espetáculo do Coletivo Sankofa, discute crimes contra homossexuais


Peça reestreou no Chile e volta a São Paulo em nova temporada

Fonte : Lau Francisco / Fotos : Divulgação 
Homossexuais já nascem com sua sentença de morte anunciada, simplesmente por serem quem são. Com base neste conceito, o Coletivo Cultural Sankofa criou o espetáculo “Já nascemos mortos”, que faz temporada em São Paulo até dia 9 de março de 2019 em diversos espaços culturais da cidade, como Centro Cultural da Penha, Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes, Centro Cultural Santo Amaro, Centro Cultural Olido, Centro Cultural da Juventude e Casa de Cultura Vila Guilherme. Todas as apresentações são gratuitas.
O Coletivo Cultural Sankofa representou o Brasil no Entepach 24 vérsion, um encontro de teatro. Segundo Ellen de Paula, atriz do espetáculo, “é de extrema urgência denunciar a violência contra os corpos LGBTQI+ no Brasil e para fora do território nacional. A importância de participar desse encontro internacional é de dialogar com outras vozes, sobretudo da América Latina, como possibilidade de articulação política por meio da arte”. O espetáculo que estreou em 2016 traz para a cena a urgência de discutir a violência contra a população LGBTQI+ no Brasil. O Coletivo reestreia o espetáculo no Chile e retorna a Brasil com temporada e circulação gratuita na cidade de São Paulo, com apoio da Secretaria de Cultura, por meio do prêmio da 15ª edição do edital do Programa VAI. 
Relatório mostra aumento da violência contra LGBTQI+
Relatório divulgado em 2018 pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) registrou 445 homicídios contra homossexuais no ano de 2017. O número aumentou 30% em relação ao ano anterior, que teve 343 casos. Segundo o levantamento, 2017 foi o ano com o maior número de assassinatos desde quando a pesquisa passou a ser realizada.  Com direção e concepção de Anderson Maciel, “Já nascemos mortos” apresenta coreografias e textos com a intenção de apresentar corpos sentenciados e conduzem o público à comoção e cumplicidade com essas mortes.

Nesta perspectiva, a institucionalização da homofobia é legitimada diariamente pela família, escola e Estado. “Quando nos calamos para o apedrejamento, para o gatilho puxado, para a paulada, escolhemos um lado mesmo que não seja feito pelas nossas mãos”, dispara Anderson Maciel, que, para chegar ao resultado deste espetáculo baseou-se em notícias de crimes homofóbicos e 20 depoimentos que deram voz a familiares de vítimas que puderam contar suas histórias de perda. Para estas entrevistas o Coletivo Sankofa ganhou o apoio do grupo “Mães pela Igualdade”, que reúne mães de várias partes do Brasil que lutam contra a discriminação, violência e homofobia.


Coreografias desfilam situações de personagens reais
As coreografias e os textos têm a intenção de apresentar corpos sentenciados. Neste caso, tanto o texto como a dança propriamente dita, conduzem o público à comoção e cumplicidade com essas mortes. O grupo trabalhou dentro da estética da dramaturgia do movimento – a potência do corpo em cena – de uma forma que os textos não tenham peso explicativo. As entrevistas realizadas pelo coletivo transformaram-se em uma dramaturgia confessional, como a história de uma criança que teve o pescoço apertado pelo próprio pai que não o aceitava diante de uma frase-sentença: “Você vai aprende a ser homem! ”. “Já nascemos mortos” conta alguns destes casos que vão aos poucos misturando-se ou seguindo isoladas no percurso do espetáculo.
A cenografia foi pensada para que o público fique bem próximo dos atores-criadores: cadeiras serão distribuídas no palco para que as pessoas sejam parte integrante do espetáculo. No centro da cena, um caixão de criança, simbolizando a crueldade justificada, um símbolo do corpo julgado antes de suas escolhas. No ambiente cenográfico, um cheiro de dama da noite traz a experiência sensorial ao público.

O espetáculo é uma possibilidade de se pensar sobre quem morre e quem mata, de que há uma grande violência se fortalecendo quando não impedimos uma piada homofóbica, quando não permitimos que o outro possa se expressar da sua forma.  A peça também pode provocar uma pergunta: o que nos temos com isso?”, explica Anderson Maciel. O espetáculo nasceu a partir do projeto “Quem vai chorar por eles?”, que  busca promover canais de abertura para se discutir a homofobia. Todas as ações propostas pelo projeto foram de certa forma para alimentar o processo de pesquisa e criação do espetáculo, como  oficinas de teatro do oprimido e teatro documentário; uma série de roda de conversa com convidados sobre criminalização da homofobia, homossexualidade e família, afrohomossexualidade e exibições de filmes seguidos de bate papo.


Ficha Técnica
Concepção e Direção: Anderson Maciel Intérpretes Criadores: Augusto de Sousa, Ellen de Paula, Jonas Bueno, Rodrigo Mar e Tata Ribeiro Textos: O Coletivo Figurinos e Cenografia: Marcia Novais e Sissa de Oliveira Trilha Sonora: Uelinton Seixas Desenho de Luz: Betto Severo
Duração: 60 minutos Classificação Indicativa: 16 anos


TEMPORADA 2019

Centro Cultural da Penha  - Largo do Rosário, 20
Dias 14 (quinta), 15 (sexta), 16 (sábado) e 21 (quinta) de fevereiro, às 20h
Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes - R. Inácio Monteiro, 6900 - Conj. Hab. Sitio Conceicao
Dia 24 fevereiro, domingo, às 18h.
Centro Cultural Santo Amaro - Praça Dr. Francisco Ferreira Lopes, 434 - Santo Amaro
Dia 28 de fevereiro, quinta-feira, às 20h
Centro Cultural Olido - Av. São João - Centro, São Paulo
Dia 07 de março, quinta-feira, às 20h
CCJ - Centro Cultural da Juventude - Av. Dep. Emílio Carlos, 3641 - Vila dos Andradas
Dia 08 de março, sexta-feira, às 20h
Casa de Cultura Vila Guilherme , Casarão - Praça Oscár da Silva, 110 - Vila Guilherme
Dia 09 de março, sábado, às 20h

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