Mocidade celebra 15 anos de Mestre Dudu e leva tecnologia para os ensaios da bateria
À frente da “Não Existe Mais Quente” desde 2012, mestre aposta em tecnologia para acompanhar o andamento dos ritmistas
A Mocidade Independente de Padre Miguel completa, em 2027, uma marca especial em sua história recente: 15 anos de Mestre Dudu à frente da bateria “Não Existe Mais Quente”. Cria da escola e filho do também mestre de bateria Coé, Carlos Eduardo Arcanjo de Oliveira construiu sua trajetória dentro da Verde e Branco e assumiu o comando da bateria em 2012, inicialmente ao lado de outros mestres, até passar a liderá-la sozinho em 2016.
“Completar 15 anos à frente da bateria da Mocidade é uma responsabilidade e uma emoção que é difícil colocar em palavras. Eu cresci dentro dessa escola, aprendi com meu pai, com os grandes mestres que vieram antes de mim e, principalmente, com o legado do Mestre André. Quando olho para essa trajetória, vejo que não estou apenas comandando uma bateria, mas ajudando a preservar uma história que pertence a muitas gerações. E o meu compromisso é fazer com que essa história continue viva e evoluindo”, afirma Dudu.
Para celebrar a marca e, ao mesmo tempo, reforçar o processo de profissionalização que a escola vem implementando em seus segmentos, a Mocidade apresenta mais uma novidade nos ensaios da bateria: uma televisão instalada no espaço de ensaio para marcar e acompanhar, em tempo real, os BPMs — batidas por minuto — executados pelos ritmistas.
A ferramenta permite que mestre, diretores e ritmistas tenham uma referência visual do andamento da bateria durante a preparação, transformando em informação objetiva um dos elementos fundamentais da identidade da “Não Existe Mais Quente”. O controle do andamento é especialmente significativo para Dudu, que defende uma bateria de cadência própria e trabalha há anos para preservar características herdadas dos grandes mestres da Mocidade.
“Há cerca de três anos venho trabalhando muito em cima do andamento da bateria. Antes, eu acompanhava o metrônomo pelo meu celular e, depois, cada ritmista passou a ter essa referência no próprio aparelho. A ideia de colocar o metrônomo na televisão surgiu justamente para que todos pudessem acompanhar o mesmo andamento, ao mesmo tempo. É uma forma de usar a tecnologia a nosso favor sem perder a essência da nossa bateria. O Carnaval está se modernizando cada vez mais, e a Mocidade precisa estar seguir nesse movimento”, explica o mestre.
A iniciativa integra uma série de investimentos da escola em tecnologia, organização e profissionalização. A Mocidade já havia apostado em recursos tecnológicos em momentos importantes de sua temporada — como a utilização de teleprompter na disputa de samba-enredo — e agora leva esse conceito para dentro da preparação musical da bateria.
A tecnologia, no entanto, não substitui a tradição. Pelo contrário: a proposta é utilizar novas ferramentas para medir, aperfeiçoar e preservar aquilo que faz a bateria da Mocidade ser reconhecida por sua identidade própria. Em 2026, a “Não Existe Mais Quente” tinha 270 ritmistas sob o comando de Dudu.
“Tecnologia nenhuma substitui o ouvido, a experiência e a identidade de uma bateria. A ferramenta serve para nos ajudar a aperfeiçoar aquilo que já faz parte da nossa essência. A Mocidade tem uma forma muito particular de tocar, uma cadência que vem de uma história enorme, e o nosso papel é usar tudo o que estiver ao nosso alcance para preservar essa identidade e, ao mesmo tempo, buscar evolução”, ressalta Dudu.
Ao longo de sua trajetória, Dudu assumiu a missão de manter vivo o legado de nomes históricos da bateria da escola, como Mestre André e seu próprio pai, Mestre Coé. O resultado desse trabalho também aparece na trajetória recente do segmento. Sob o comando de Dudu, a bateria conquistou o Estandarte de Ouro em 2018 e, em 2023, recebeu quatro notas 10 no julgamento oficial do Carnaval.
Agora, às vésperas de completar 15 anos à frente da “Não Existe Mais Quente”, Dudu prepara mais um capítulo dessa história: uma bateria que preserva sua memória, mas utiliza novas ferramentas para aperfeiçoar o futuro.
“Eu acho que o próximo passo é continuar profissionalizando cada vez mais a preparação da bateria. Ainda temos muito o que estudar, testar e aprimorar. A tecnologia pode nos ajudar a entender melhor o nosso desempenho, mas sempre com o objetivo de fazer a bateria tocar cada vez mais como Mocidade. Quero chegar aos próximos anos sabendo que conseguimos evoluir sem abrir mão da nossa identidade”, conclui.
*Crédito das fotos: Mike Bleak



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