Dia Mundial da Música (1): nova geração da black music ganha espaço e revela nomes como a baiana Cinara
Dia Mundial da Música (1): nova geração da black music ganha espaço e revela nomes como a baiana Cinara
Com sete anos de carreira e mais de 100 composições autorais, a cantora baiana leva referências do R&B, afrobeats e da música preta para novos públicos.
Celebrado em 1º de outubro, o Dia Mundial da Música marca uma oportunidade de reconhecer a diversidade de gêneros, artistas e manifestações que ajudam a construir a identidade sonora de diferentes gerações. No Brasil, país marcado pela mistura de ritmos e pela influência de diferentes matrizes culturais, novos artistas têm encontrado caminhos para aproximar referências internacionais de experiências locais, criando sonoridades que transitam entre o tradicional e o contemporâneo.
Entre essas novas vozes está a cantora e compositora baiana Cinara, que vem construindo sua trajetória a partir da black music, do R&B e do afrobeats. Aos 23 anos, a artista nascida e criada no bairro de Castelo Branco, em Salvador, chega a um novo momento da carreira depois de sete anos dedicados à música. Com mais de 100 composições autorais, Cinara desenvolveu um trabalho marcado pela valorização da música preta e por referências que atravessam gerações, como Etta James, Beyoncé, Tems, Bob Marley e IZA.
A cantora também já dividiu o palco com nomes como Hiran, Lazzo Matumbi e ÀTTØØXXÁ, além de ter participado de uma apresentação na casa de Caetano Veloso, ao lado de Seu Jorge, Sophie Charlotte e Hiran. Para Cinara, a música é também uma ferramenta de representação e de aproximação entre diferentes histórias.
“Eu venho de um lugar onde a música sempre esteve muito presente, então cantar R&B, black music e afrobeats também é uma forma de mostrar de onde eu vim. Quero que outras meninas, principalmente as meninas pretas, possam olhar para a minha trajetória e entender que elas também podem ocupar esses espaços, subir em um palco e transformar aquilo que sentem em música”, afirma a cantora.
A relação com a música começou ainda na infância, quando o padrasto apresentou à artista referências que ajudaram a formar seu repertório. Entre elas estava Bob Marley, cuja obra ampliou o contato de Cinara com diferentes manifestações da música negra. Ao longo dos anos, essas influências se somaram a nomes contemporâneos do R&B e do afrobeats, criando uma identidade que também dialoga com a produção musical baiana. O resultado aparece tanto nas composições quanto na interpretação da cantora, que busca unir potência vocal, identidade e experiências pessoais.
A escolha pela black music não se limita ao repertório de referências. Para Cinara, o gênero representa uma possibilidade de contar histórias e estabelecer uma comunicação direta com o público. “A música preta me ensinou que a gente pode falar de amor, de dor, de sonhos, de luta e de tudo que atravessa a nossa vida sem precisar esconder a nossa identidade. É isso que eu tento colocar nas minhas músicas. Quero que quem escute consiga se reconhecer, mas também conhecer um pouco da minha história e da história de onde eu vim”, destaca.
Uma das composições que fazem parte desse percurso é “Quanto Tempo Temos”, que já ultrapassa 3 mil visualizações no YouTube. A produção autoral integra uma trajetória construída de forma gradual desde 2019, quando Cinara iniciou profissionalmente sua carreira. Desde então, a cantora passou por diferentes palcos, experiências e encontros que contribuíram para ampliar sua presença na cena musical.
A projeção nacional ganhou um novo capítulo neste ano, quando foi anunciada como participante do reality show Estrelas da Casa, apresentado por Ana Clara, com participação de Anitta como conselheira e Junior como mentor. A presença no programa levou a artista, que construiu boa parte da trajetória na cena alternativa de Salvador, para uma audiência mais ampla e colocou sua voz, suas composições e suas referências diante de novos públicos.
“Estar no Estrelas da Casa foi uma oportunidade de mostrar uma Cinara que talvez muita gente ainda não conhecesse. Eu entrei levando comigo a minha família, meu bairro, meus amigos, minhas referências e tudo o que construí nesses anos. Mais do que estar em um programa nacional, eu queria que as pessoas conhecessem a minha música e entendessem que existe muita potência sendo criada nas periferias”, relata.
A trajetória de Cinara se conecta a um movimento mais amplo da música brasileira, no qual artistas de diferentes regiões têm utilizado gêneros como R&B, afrobeats, soul, hip-hop e pop para construir novas possibilidades de expressão. Na Bahia, essa mistura encontra ainda a influência de ritmos afro-brasileiros e da tradição musical de Salvador, criando um ambiente no qual referências internacionais podem ganhar novas interpretações a partir das experiências locais.
“Eu olho para tudo que aconteceu até aqui e vejo que cada etapa teve um significado muito importante para a minha história. Chegar a um palco nacional e poder mostrar a minha arte para pessoas que talvez nunca tivessem ouvido falar de mim é algo que eu vou levar para sempre. Espero que a minha trajetória mostre que não importa de onde você vem: quando existe talento, dedicação e vontade de fazer acontecer, a gente pode transformar um sonho em caminho. Quero continuar levando comigo a minha identidade, a minha música e as minhas raízes, abrindo espaço para que outras pessoas também acreditem que podem chegar lá”, conclui.

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