O palco que formou Lázaro Ramos, Edvana Carvalho e Cássia Valle: Bando de Teatro Olodum completa 36 anos e é homenageado pelo Cine SESI

 O palco que formou Lázaro Ramos, Edvana Carvalho e Cássia Valle: Bando de Teatro Olodum completa 36 anos e é homenageado pelo Cine SESI

Homenageado do Cine SESI 2026, grupo criado em Salvador formou artistas que construíram trajetórias no cinema, na televisão e em diferentes áreas da produção audiovisual.


No dia 17 de outubro, o Bando de Teatro Olodum completa 36 anos de trajetória marcada pela formação de artistas negros, pela valorização de narrativas afro-brasileiras e pela criação de espetáculos que se tornaram referência no teatro brasileiro. Criado em Salvador, em 1990, o grupo também se tornou um importante espaço de formação para artistas que, ao longo das décadas, levaram essa experiência para o cinema, a televisão e outras linguagens do audiovisual.

Esse percurso é um dos pontos centrais da homenagem ao Bando na terceira edição do Cine SESI, que acontece de 8 a 16 de setembro, em Salvador e Cachoeira. Com curadoria de Dayse Porto, Rubian Melo e Heraldo de Deus, o festival tem como tema “Cinema, Memória e Legado” e propõe, nesta edição, olhar para a contribuição do grupo não apenas por suas montagens teatrais ao longo das décadas, mas também pelas trajetórias construídas por seus integrantes e ex-integrantes no audiovisual. A programação ainda amplia o acesso ao festival por meio do Cine SESI Online, com filmes selecionados disponibilizados no canal do projeto no YouTube.

Entre os artistas que ajudam a dimensionar esse alcance está Lázaro Ramos, que integrou o Bando antes de construir uma trajetória nacional como ator, diretor e roteirista. Sua passagem pela companhia também se conecta diretamente ao cinema por meio de “Ó Paí, Ó”, adaptação da peça do Bando para as telas, e posteriormente com a direção de “Medida Provisória”. O mesmo caminho de expansão para outras linguagens pode ser observado em Érico Brás, que também integrou o elenco de “Ó Paí, Ó” e consolidou carreira na televisão e no cinema.

Essa circulação entre o palco e outras telas, no entanto, não se limita aos artistas que ganharam projeção nacional a partir das primeiras décadas da companhia: ela atravessa diferentes gerações do Bando. Edvana Carvalho, uma das fundadoras do grupo, construiu uma trajetória que também passa pelo audiovisual, enquanto Cássia Valle, integrante da companhia e ligada à formação de novos artistas, representa a continuidade de uma experiência que ultrapassa os espetáculos. Na mesma trajetória de permanência e desdobramento, estão nomes como Valdinéia Soriano e Sulivã Bispo, que levaram a experiência construída no Bando para diferentes trabalhos e linguagens.

A presença de artistas formados pelo Bando em grandes produções também atravessa as novas gerações. É o caso de Lucas Leto, que passou pela companhia e posteriormente ampliou sua atuação para o audiovisual, chegando a produções de alcance nacional, como o remake de “Renascer” e a nova versão de “Vale Tudo”. A trajetória do ator ajuda a evidenciar que o legado do Bando não está restrito aos artistas que construíram suas carreiras a partir das primeiras décadas da companhia, mas continua se renovando.

Essa relação entre formação, memória e audiovisual também aparece diretamente na produção de obras sobre o próprio grupo. “Bando, um Filme”, dirigido por Lázaro Ramos e Thiago Gomes, revisita a trajetória da companhia a partir de imagens de arquivo e depoimentos de integrantes, colaboradores e outros artistas. A produção registra uma história iniciada nos palcos e que, ao longo dos anos, passou a se relacionar com diferentes campos da produção cultural baiana e brasileira.

Segundo Cássia Valle, membro gestor do colegiado, atriz e fundadora do Bando de Teatro Olodum, a trajetória da companhia também pode ser compreendida a partir dos caminhos percorridos pelos artistas que passaram pelo grupo.“É uma alegria muito grande ver o Bando de Teatro Olodum sendo homenageado pelo Cine SESI. Recebo essa homenagem como um abraço à nossa história, construída por muitas mãos, muitos corpos, muitas vozes e muita resistência. São mais de três décadas fazendo do teatro um lugar de memória, identidade, beleza e transformação. E ver o cinema também celebrar essa trajetória nos emociona profundamente. Que essa homenagem alcance todos e todas que fizeram e fazem parte dessa caminhada. O Bando é memória viva, é presença e é futuro. Muito obrigada por esse reconhecimento e por celebrar conosco essa história".

No Cine SESI, essa história será apresentada em diferentes momentos da programação. Entre os destaques estão a exibição de “Ó Paí, Ó”, no dia 9 de setembro, e de “Bando, um Filme”, no dia 10, além de um painel dedicado à trajetória e ao legado da companhia. A programação também prevê a oficina “Atuação para Cinema” com Merry Batista, aproximando a experiência de formação do Bando das ferramentas utilizadas pelos profissionais do audiovisual.

A homenagem também se conecta ao propósito do Cine SESI de discutir o cinema como espaço de preservação e construção de memórias. Ao revisitar a trajetória do Bando e os caminhos percorridos por seus integrantes, a programação evidencia como uma experiência criada no teatro pode gerar desdobramentos em diferentes áreas e contribuir para a construção de novas narrativas sobre a população negra, a Bahia e sua produção cultural.

Aos 36 anos de história, o Bando de Teatro Olodum chega ao aniversário de 17 de outubro como uma companhia cuja influência pode ser percebida para além dos palcos. Da formação de novos artistas à presença em filmes e produções audiovisuais, a trajetória do grupo ajuda a contar também parte da história do cinema baiano e da ampliação da representação negra nas telas.

O Cine SESI integra as ações da plataforma de difusão cultural Cine Moda Lab, com produção da Movida Produtora de Conteúdo e realização do SESI Cultura.


PROGRAMAÇÃO OFICIAL — CINE SESI 2026 — ANO 03


Programação sujeita a alterações.

Através do site do Cine SESI: https://linktr.ee/cine.sesi.


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