Espetáculo “Alinha Céu, Fiás da Terra” circula gratuitamente pelo DF, em setembro.
Com direção artística de Roberta Martins e atuação do Duo Lianas, a montagem une circo, teatro, dança, Arte Corpo e Bambu e saberes ancestrais de mulheres do Cerrado em apresentações gratuitas na FLONA, no Mercado Sul de Taguatinga e na Estrutural.
O encontro entre a potência das artes circenses, a fluidez da dança e a poética do ecofeminismo ocupa espaços públicos do Distrito Federal durante o mês de setembro. Integrando a programação do projeto Cerrado em Movimento, o espetáculo “Alinha Céu, Fiás da Terra” inicia sua circulação gratuita com apresentações na Floresta Nacional de Brasília (FLONA), no dia 16, na Eco Feira do Mercado Sul (Taguatinga), no dia 19, e na Estrutural, em 26 de setembro.
Criado pelo Duo Lianas — formado pelas artistas Ana Nakamura e Ludmila Condé — e pela diretora Roberta Martins, o espetáculo coloca a mulher e a natureza no centro da cena. A partir da investigação poética sobre o trabalho manual das fiandeiras, artesãs, agricultoras e geraizeiras dos biomas brasileiros, a obra transforma gestos da lida rural em linguagem cênica viva. A narrativa aprofunda o significado da força laboral feminina como metáfora de resistência, adaptação e invenção de mundos.
Arte Corpo Bambu
A pesquisa cênica une modalidade de cordas e aéreos à Arte Corpo Bambu, expressão artística pioneira, nascida em Brasília, que vem ganhando a atenção do mundo nas fronteiras do circo contemporâneo. O espetáculo do Duo Liana é dirigido por Roberta Martins, artista com mais de 28 anos de trajetória que sistematizou e criou o conceito dessa arte e é referência fundamental na história do desenvolvimento do Sistema Integral Bambu no DF, sendo a primeira professora e liderança feminina ao lado do seu criador Marcelo Rio Branco.
A cenografia não é mero suporte, mas uma escultura viva. Os aparelhos acrobáticos artesanais de bambu foram tratados e construídos pelas próprias artistas a partir da colheita feita em uma floresta com 50 anos de história. Investindo maior audácia, em cena, elas trançam cordas em imensa tecelagem de macramê que assegura o voo da dança aérea. O ambiente é ainda adornado e amplificado pela delicadeza das cabaças selecionadas junto à comunidade de Sagarana do sertão de Minas Gerais e tratadas manualmente no Distrito Federal. A composição final do cenário é construída e revelada sob o olhar do público. Testemunha e propaga em si muitas histórias femininas — não só das próprias artistas, mas de toda a teia de mulheres que de alguma forma trabalharam e inspiraram a obra.
A dimensão poética e humana dessa trama é destacada pelas criadoras do espetáculo:
"O imaginário desse trabalho nasce da força, delicadeza e resistência das mulheres do Cerrado. Homenageamos mulheres como Dona Iana, geraizeira, extrativista de baru e liderança cultural da vila de Sagarana, amplamente conhecida por sua sabedoria popular", destaca a artista, Ana Nakamura.
"Parte das cabaças utilizadas em cena foi plantada, colhida e seca pelas nossas próprias mãos; a outra metade veio diretamente de Sagarana, cultivada por mulheres agricultoras da comunidade. Já o tratamento e o acabamento artesanal de cada peça foram realizados em Brasília pelas mãos da artesã Alessandra de Kasia", completa a acrobata Ludmila Condé.
Ao final de cada sessão, o espaço cênico se ressignifica: o palco se abre e transforma-se em uma instalação artística e sensorial interativa, convidando o público a vivenciar de perto as matérias-primas e a refletir sobre a conexão entre corpo, território e preservação ambiental.
Acessibilidade e democratização da cultura
Reafirmando o compromisso com a democratização do acesso à arte, todas as apresentações contam com entrada gratuita e recursos de acessibilidade. As sessões terão interpretação em Libras e a apresentação no Mercado Sul contará também com o serviço de Audiodescrição.
O projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF) e conta com o suporte e acolhimento dos espaços de criação Galpoa, Galpão Bambu, Espaço Integrado e ASIBAMA-DF.
Confira a programação completa:
16 de Setembro (Quarta-feira) | às 15h30
Local: FLONA — Floresta Nacional de Brasília (Taguatinga)
Recurso de acessibilidade: Interpretação em Libras19 de Setembro (Sábado) | às 18h00
Local: Eco Feira — Ocupação Cultural Mercado Sul (Taguatinga)
Recursos de acessibilidade: Interpretação em Libras e Audiodescrição26 de Setembro (Sábado) | às 10h30
Local: Quadra Coberta (ao lado do Centro de Múltiplas Funções) — Estrutural
Recurso de acessibilidade: Interpretação em Libras
Serviço - Alinha Céu, Fiás da Terra
Projeto: Cerrado em Movimento
Classificação Indicativa: Livre | Entrada: Gratuita
Mais informações: @duo_lianas
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