Aula Vaga - Teoremas do Impossível, do Grupo Pandora de Teatro, transforma relatos reais de docentes em espetáculo sobre a situação da educação
Aula Vaga - Teoremas do Impossível, do Grupo Pandora de Teatro, transforma relatos reais de docentes em espetáculo sobre a situação da educação
Novo trabalho do Grupo Pandora estreia em setembro no Teatro João Caetano e nasce de uma pesquisa documental construída em escolas públicas, oficinas com educadores e relatos coletados ao longo de meses de investigação
Aula Vaga - Teoremas do Impossível - Foto: Meire Ramos
Segundo dados do CPP, entre janeiro e setembro de 2025, professores da rede estadual paulista tiveram 25.699 licenças por transtornos mentais e comportamentais, que somaram 911.634 dias de afastamento
Aula Vaga - Teoremas do Impossível, novo espetáculo do Grupo Pandora de Teatro, nasce de uma pesquisa realizada com professoras e professores da rede pública de ensino e transforma experiências reais em matéria para a cena. A obra combina teatro documental, audiovisual e poesia para lançar luz sobre a crise na educação nacional e o adoecimento frequentemente invisibilizado dos docentes. Construída a partir de entrevistas, oficinas e encontros realizados com profissionais da educação, a montagem estreia a temporada no dia 24 de setembro, no Teatro João Caetano, em São Paulo, e depois segue em cartaz no Teatro Paulo Eiró, além de realizar apresentações na sede do grupo (veja a programação completa abaixo).
Em cena, a peça ficcionaliza três profissionais da educação, duas professoras e um professor, cujas trajetórias se cruzam em um mosaico de memórias, exaustões e resistências. Entre realidade e ficção, o espetáculo propõe uma travessia que desloca elementos cotidianos da sala de aula para um universo marcado pelo realismo fantástico. "Partimos de um estudo com profissionais da educação para criar uma narrativa fragmentada, uma travessia do documental ao onírico conduzida pela encenação", define o diretor Lucas Vitorino.
Contemplada pela 45ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo, a primeira etapa do processo aconteceu no Espaço Cultural Canhoba, referência no bairro de Perus, onde o grupo atua e a pesquisa foi desenvolvida em diálogo com escolas e profissionais da educação.
A criação incluiu workshops teatrais realizados em unidades escolares durante formações de educadores, uma oficina de criação de três meses voltada a professores e outros profissionais da educação na sede do grupo, além da gravação de dezenas de relatos sobre os desafios da profissão e momentos de mobilização da categoria, incluindo uma manifestação de professores da rede estadual por melhores condições de trabalho.
Esses materiais, vozes gravadas, vídeos e imagens documentais, permeiam a encenação. “Os relatos alimentaram as cenas. Mesmo quando não aparecem literalmente, estão presentes na construção dramatúrgica”, revela Vitorino.
O tema dialoga com dados que revelam a dimensão do assunto abordado pelo espetáculo. Segundo levantamento do Centro do Professorado Paulista (CPP), com base em dados da Diretoria de Perícias Médicas do Estado (DPME), entre janeiro e setembro de 2025 foram registradas 25.699 licenças médicas de professores da rede estadual paulista por transtornos mentais e comportamentais, uma média de 95 afastamentos por dia. No período, os afastamentos somaram 911.634 dias longe das salas de aula, com duração média de 35 dias por licença.
A montagem aposta numa linguagem híbrida em que teatro e cinema convivem em tempo real: câmeras captam ações ao vivo, projeções dialogam com os atores em cena e imagens gravadas ampliam a presença das pessoas entrevistadas.
O cenário recria uma sala de aula deslocada de seu lugar habitual. Lousa, carteira e outros elementos reconhecíveis aparecem reorganizados, como se a própria escola estivesse ligeiramente fora do eixo. No chão, um piso verde remete às antigas lousas escolares; sobre ele, palavras são escritas e gradualmente apagadas ao longo da apresentação. A trilha sonora incorpora referências do trap e da música eletrônica para aproximar o universo sonoro dos estudantes e marcar o encontro entre gerações dentro da escola.
Neste trabalho, o Grupo Pandora opta por abordar o tema pela dimensão humana da experiência docente. “A nossa vontade é falar com os professores que existe um grupo de teatro olhando para essa dor, para essa ferida, para essa luta. É uma peça política, mas profundamente poética”, finaliza o diretor.
SINOPSE: O espetáculo investiga o adoecimento docente na escola pública, traduzindo as cicatrizes e as vozes de professoras e professores em uma narrativa visual e poética. A realidade e o delírio transformam o vazio burocrático e a exaustão em matéria cênica, revelando a sala de aula como um espaço onde colapso e resistência habitam o mesmo chão. A peça expõe a crise da educação como projeto político. Uma denúncia em forma de poesia cênica sobre aqueles que, mesmo diante do impossível, insistem em inventar o amanhã.
Ficha técnica:
Criação: Grupo Pandora de Teatro
Texto e direção: Lucas Vitorino
Elenco: Rodolfo Vetore, Thais Kaori e Thalita Duarte
Vídeo e edição: Filipe Dias
Cenografia: Thalita Duarte
Figurino: Claudia Schapira
Adereços: Thais Kaori
Desenho de luz: Elves Ferreira e Kauã Vitorino
Preparação corporal: Rodolfo Vetore
Workshops: Marcelo Soler, Tânia Faria e Heloísa de Lima.
Cenotecnia: Duarte Serralheria
Máscaras de papel machê: Daniel Normal
Costureira: Cleuza Amaro da Silva Barbosa
Operação de vídeo: Lucas Vitorino
Operação de som: Mateus Ramon
Técnica e operação de luz: Kauã Vitorino
Assistência de produção: Camila Oliveira
Foto e design gráfico: Pedro Daniel
Produção Administrativa: Junior Cecon
Produção: Thalita Duarte
Serviço:
TEATRO JOÃO CAETANO
Rua Borges Lagoa, 650 - Vila Clementino
Datas: 24, 25, 26, 27, 30 de setembro e 01, 02 e 03 de outubro de 2026
Horários: Quinta a sábado, às 20h | domingo, às 19h
Sessão Extra: Quarta, 30/09, às 20h
Ingressos: Gratuitos (reservas pelo Sympla: https://www.sympla.com.br/
TEATRO PAULO EIRÓ
Av. Adolfo Pinheiro, 765 - Santo Amaro
Datas: 08 a 11 de outubro de 2026
Horários: Quinta a Sábado, às 20h | Domingo, às 19h
Ingressos: Gratuitos (reservas pelo Sympla: https://www.sympla.com.br/
Duração: 70 minutos
Classificação Indicativa: 10 anos
Aviso: Este espetáculo utiliza efeitos de luzes estroboscópicas e flashes luminosos.
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