Peça inédita de Plínio Marcos sobre Rolando Boldrin ganha leitura dramatizada no CCSP de 27 a 30/8

 Texto inédito de Plínio Marcos sobre Rolando Boldrin,

Longe de Casa – A História de Rolando Boldrin, ganha leitura dramatizada.

De 27 a 30 de agosto, no Centro Cultural SP

 

Escrito à mão pelo dramaturgo para o amigo, o material inédito chega ao Centro Cultural São Paulo entre 27 e 30 de agosto. Espetáculo completo estreia em 22 de outubro, data em que Boldrin completaria 90 anos. De graça.

 


Existe um texto que ninguém nunca ouviu em voz alta em um palco. Plínio Marcos escreveu-o à mão, na década de 1980, para o amigo Rolando Boldrin contar a própria vida em cena — e Boldrin, por razões que a família só hoje começa a reconstituir, nunca chegou a montá-lo.

 

Entre os dias 27 e 30 de agosto, o público de São Paulo terá a primeira chance de escutar essas páginas na Sala Ademar Guerra do Centro Cultural São Paulo, em quatro sessões gratuitas de leitura dramatizada. É o esquenta de Longe de Casa – A História de Rolando Boldrin, monólogo musical com estreia prevista para 22 de outubro, dia em que Boldrin completaria 90 anos.

 

O texto chegou às mãos da produção pela viúva de Boldrin, Patricia Maia Boldrin, que guardava havia décadas as páginas escritas por Plínio especialmente para o amigo. Rodrigo Mangal assumiu a tarefa de atualizar o texto para os dias de hoje, preservando ao máximo a escrita original de Plínio. Quando a nova versão foi apresentada a Patricia e aos sobrinhos do artista, a reação foi de comoção — e a permissão para seguir em frente veio como uma bênção: o projeto podia caminhar.
 

Amizade de décadas

 

A amizade entre os dois começou nos corredores da TV Tupi, onde ambos trabalhavam como figurantes no início de carreira, e atravessou décadas de parceria e boemia. Foi Plínio quem convenceu Boldrin a abandonar o repertório de canção francesa e assumir o papel de contador de causos que o consagraria como o Senhor Brasil.

 

A cena está registrada em uma entrevista que o próprio Boldrin deu ao Projeto Memória Globo, em 2008, ao relembrar de uma marcante provocação do amigo: enquanto Plínio Marcos disparava "Boldrin, você é um idiota. Fica aí querendo cantar canção francesa e o teu ouro está nessa boca de caipira! Você tem que parar o show e contar isso pro povo!", o apresentador ponderava e reconhecia o empurrão decisivo: "Eu dizia que aquilo era bobagem de bastidor, mas o Plínio me empurrou pro palco na marra."

 

É esse empurrão que Longe de Casa leva ao palco: a história de um homem que só se tornou o que ficou conhecido por insistência de um amigo dramaturgo — e o texto que nasceu dessa amizade permanece inédito até hoje.

 

Do Interior para o Senhor Brasil

 

O texto se divide em dois atos. O primeiro se passa inteiramente em São Joaquim da Barra, cidade do interior paulista onde Boldrin nasceu: a infância, a formação e o momento em que ele percebe que precisa deixar a terra natal para tentar a vida de artista na capital. O segundo acompanha a chegada a São Paulo — os primeiros trabalhos como figurante na TV Tupi, as dificuldades de se firmar numa cidade de milhões de desconhecidos — até a consagração como o Senhor Brasil, o contador de causos e defensor da cultura caipira que o país conheceria décadas depois. Nos dois atos, a narrativa é intercalada por música ao vivo, tocada por Fred Fonseca e Roger Resende.

 

“Eu morei vinte anos em São Paulo, fui ator, fui do grupo dos Parlapatões, também passei muito perrengue. Adaptar-se em São Paulo não é fácil, o primeiro ano é difícil. Quando você chega a um lugar mais favorável, a solidão que existe é você estar num lugar que tem vinte milhões de pessoas.”É essa travessia pessoal que Mangal mistura à biografia de Boldrin em cena — não como narrador de uma história alheia, mas como alguém que reconhece nela a própria.

 

Evocação, não imitação

 

Em cena, Rodrigo Mangal não tenta reproduzir Boldrin traço a traço. A proposta, segundo o ator, é outra. “A gente é contra imitação. Então eu não pretendo nesse espetáculo fazer o Boldrin, sabe? A cara do Boldrin, o rosto do Boldrin parecer o Boldrin encarnado, não tem essa pretensão. O que eu procuro é você sentir o caboclo, é sentir aquele tom de voz, aquela energia do homem do interior.”

 

A escolha tem raiz na própria biografia de Mangal, que também deixou o interior para tentar a vida como ator em São Paulo e reconhece na trajetória de Boldrin a sua. “É a história, como é a coisa do Plínio, é história de, no final das contas, de todo migrante brasileiro. É uma história que tem muita identificação com todas aquelas pessoas que têm que sair, como diz o Plínio, de suas aldeias em busca de um lugar com mais dignidade.”

 

E resume o que a montagem representa para ele:“É um projeto da vida inteira. Para mim, tem um valor pessoal imenso: venho de família rural de Minas Gerais, e essa formação moldou quem sou. Estar com esse texto na mão é uma verdadeira surpresa do destino que jamais poderia imaginar, ainda mais contando com a confiança da Patrícia”.

 

Sobre a leitura

 

Quem assina a direção é Tairone Vale, convidado por Mangal depois de assistirDoce Árido— espetáculo dirigido por Vale que estreou em Juiz de Fora e cumpriu temporada no Rio de Janeiro. Vale reconhece no material um peso simbólico raro:“Saber que trabalharemos com um texto inédito, escrito à mão pelo Plínio Marcos, unindo dois grandes artistas que tinham uma amizade profunda, é uma oportunidade que qualquer artista de teatro abraçaria. Ter um texto inédito do Plínio nas mãos foi o que me fez mergulhar de cabeça.”

 

Para quem for ao Centro Cultural São Paulo em agosto, a leitura funciona como um aperitivo saboroso do que vem em outubro. O próprio diretor traça a diferença. Eu diria que é a diferença da água para o vinho. Na leitura, já será possível perceber o trabalho sensorial, a construção do texto, as intenções, os subtextos e o ritmo da troca entre o texto e a música. Os músicos estarão sentados com seus instrumentos. Já o espetáculo final em outubro contará com muita movimentação cênica e um cenário dinâmico que interage diretamente com a encenação.”

 

Nas quatro sessões de agosto, o texto divide o palco com Fred Fonseca e Roger Resende, que revezam violão, viola, cavaquinho, banjo, acordeom e percussão em arranjos tocados inteiramente ao vivo — sem faixa gravada, sem base de apoio. Entre as canções que atravessam a narrativa estão Luar do Sertão, Chão de Estrelas, Cabocla Tereza e as composições do próprio Boldrin, como Eu, a Viola e Deus e Vide Vida Marvada, música que fecha o espetáculo no momento em que o interiorano de São Joaquim da Barra se torna, em cena, o Senhor Brasil.

 

90 anos de Rolando Boldrin

 

A data de estreia não foi escolhida por acaso. Em 22 de outubro, quinta-feira, Boldrin completaria 90 anos — e é nesse dia que a produção pretende levar Longe de Casa ao palco por inteiro, em temporada ainda a ser confirmada em São Paulo. Para Tairone Vale, o marco pesa sobre toda a equipe. “Parece apenas uma data no calendário, mas saber desse marco carrega um peso enorme e muito especial para a família, para os fãs e para toda a equipe. Isso transforma a estreia em uma grande celebração do legado do Boldrin e do Plínio, e serve como a pedra fundamental para a longa jornada que este espetáculo terá.”

 

Antes disso, porém, é a leitura de agosto que abre a porta: quatro noites para ouvir, pela primeira vez em público, o texto que Plínio Marcos escreveu para o amigo — e que o amigo levou a vida inteira para deixar alguém contar.

 

Ficha técnica

Texto: Plínio Marcos. Adaptação e atuação: Rodrigo Mangal. Direção: Tairone Vale. Direção musical e músico (violão, viola, acordeom, banjo e percussão): Fred Fonseca. Músico (violão, cavaquinho e percussão): Roger Resende. Cenografia: Cris Bourgeaiseau, com colaboração de Patricia Maia Boldrin. Produção: Rodrigo Mangal e Gisele Tressi. Assessoria de Imprensa: Arteplural – M. Fernanda Teixeira e Mauricio Barreira.

 

Serviço

Longe de Casa – A História de Rolando Boldrin (leitura dramatizada).

Datas: de 27 a 30 de agosto.

Sessões: quinta, sexta e sábado, às 19h30 | domingo, às 18h.

Local: Centro Cultural São Paulo — Sala Ademar Guerra (Rua Vergueiro, 100, São Paulo)

Capacidade: 100 lugares

Entrada gratuita

 

Atendimento à Imprensa

ARTEPLURAL Comunicação

M. Fernanda Teixeira 11 9.9948-5355

Maurício Barreira 11. 99121-0519

artepluralweb

 






PLÍNIO MARCOS - Texto

Plínio Marcos (1935–1999) foi um dos mais importantes dramaturgos, cineastas e atores do Brasil, consagrado por retratar a realidade marginalizada com crueza e lirismo. Ao longo de sua carreira, construiu uma profunda amizade com Rolando Boldrin, sendo o principal incentivador e impulsionador do amigo no início de sua trajetória artística em São Paulo. Famoso por clássicos como Dois Perdidos numa Noite Suja e Navalha na Carne, Plínio escreveu este texto biográfico inédito especialmente para Boldrin, um testemunho histórico que sela a cumplicidade e a genialidade compartilhada entre os dois artistas.

 

RODRIGO MANGAL - Atuação e Adaptação

Rodrigo Mangal é ator, diretor e produtor com 35 anos de carreira, sendo 20 anos em São Paulo, onde atuou em dezenas de espetáculos teatrais. Foi integrante do grupo Parlapatões e atuou em importantes projetos do grupo como Parlapatões Revistam Angeli e os espetáculos do Circo Roda: DNA – Somos Todos Iguais e Oceano. Atualmente produz e dirige projetos no audiovisual com sua produtora R3 Filmes, com curtas premiados em festivais.

 

TAIRONE VALE - Direção

Tairone Vale é ator, roteirista, diretor e produtor cultural, fundador da ATC Produções Artísticas. Com sólida trajetória no teatro independente e autoral, assina a dramaturgia e direção de espetáculos aclamados como o drama de confinamento familiar Doce Árido, o infantil Como Cozinhar uma Criança e o solo Versão Demo. No audiovisual, é roteirista do curta Aqueles Cinco Segundos, vencedor de dois Kikitos. À frente de Longe de Casa,Tairone une sua pesquisa sobre a organicidade do ator à proposta de Arqueologia Sonora, conduzindo a montagem inédita de Plínio Marcos para além da biografia tradicional.

 

FRED FONSECA -Direção Musical

Fred Fonseca é o nome artístico de Alfredo Braga da Cunha Junior, músico, multi-instrumentista, cantor, compositor e produtor cultural com mais de 20 anos de atuação. Atualmente cursa Bacharelado em Composição Musical na UFJF e desenvolve trabalhos que integram música, teatro, circo, audiovisual e patrimônio cultural.

 

ROGER RESENDE - Instrumentista
Roger Resende é cantor, compositor, instrumentista, diretor musical e produtor cultural. Com mais de 40 anos de carreira e seis álbuns gravados, além de singles e eps, sua obra transita entre os gêneros da música brasileira como: o samba, frevo, baião, choro, bossa e afins. Em Longe de Casa, divide a cena musical com Fred Fonseca, assumindo cavaquinho, banjo, acordeon e outros instrumentos.

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