MV Bill leva debate sobre cultura e periferia ao Festival Afrocria, em Salvador
O rapper e ativista MV Bill será uma das principais atrações do Festival Afrocria, no dia 29 de agosto, em Salvador. Com programação gratuita, das 10h às 22h, o evento promove um encontro entre cultura, empreendedorismo, formação e valorização da identidade negra, reunindo iniciativas e trajetórias de diferentes territórios. A participação de MV Bill ganha destaque por sua atuação histórica na cultura hip-hop e por sua produção voltada às realidades sociais das periferias brasileiras.
As atividades de formação serão realizadas no Colégio Estadual Ruth Pacheco, em Nova Sussuarana, das 18h às 19h30, e terão MV Bill ao lado de Preta Drika, Onã Rudá e Laís Santana Pinho. O encontro pretende estimular o debate sobre identidade, juventude, equidade racial, participação social, oportunidades e trabalho, aproximando experiências distintas de atuação cultural e transformação social. A proposta é criar um espaço de troca com o público a partir das vivências dos convidados e de suas trajetórias de enfrentamento às desigualdades. Em 2011, MV Bill participou da inauguração do curso pré-vestibular Pré-Cufa, em Sussuarana, e agora retorna à comunidade.
Com uma carreira marcada pela produção artística, pela atuação e pelo ativismo social, MV Bill construiu parte significativa de sua trajetória a partir da reflexão sobre as condições de vida nas periferias. É autor de obras como Cabeça de Porco, Falcão – Meninos do Tráfico e Falcão – Mulheres e o Tráfico, além de codirigir o documentário Falcão – Meninos do Tráfico, exibido pelo Fantástico. Fundador da Central Única das Favelas (CUFA), ao lado de Celso Athayde, o artista também lançou, em 2022, seu primeiro livro solo, A Vida Me Ensinou a Caminhar, e, em 2024, apresentou o álbum Na Visão do Morador. Atualmente, leva aos palcos um show comemorativo dos 50 anos do hip-hop.
A programação formativa também reúne nomes ligados à defesa dos direitos humanos e à mobilização social. Preta Drika, presidente da CUFA Sorocaba e diretora institucional do Mulheres da CUFA Brasil, atua com foco no empoderamento de mulheres das favelas, especialmente mulheres negras. Onã Rudá, fundador do Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+ e da Torcida LGBTricolor, é autor das leis Teu Nascimento e Millena Passos, voltadas ao combate à LGBTfobia em Salvador e na Bahia, e integra o Grupo de Trabalho da CBF sobre racismo e violência no futebol. Já Laís Santana Pinho, assistente social, fundadora e coordenadora do Coletivo Resistência Preta e ativista dos movimentos negro e de juventudes, atua na formulação de políticas públicas para as juventudes, com ênfase em participação social, equidade racial e direitos humanos.
O Festival Afrocria contará também com atividades de formação, feira de empreendedorismo e atrações culturais ao longo do dia. O evento busca conectar cultura, geração de oportunidades e valorização da população negra, tendo Sussuarana como território de encontro e produção de conhecimento. Ao colocar em diálogo artistas, ativistas, empreendedores e representantes de diferentes áreas, o festival pretende ampliar o espaço para que experiências das periferias sejam também apresentadas como referências de criação, mobilização e transformação social.
Promovido pelo projeto EGbÉ - Arte, Tecnologia e Trabalho Decente, o Festival Afrocria é realizado pelo CEDHU (Centro de Direitos Humanos Franco Pellegrini), com financiamento do FUNTRAD (Fundo de Promoção do Trabalho Decente), por meio da Setre (Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia).
Serviço
Festival Afrocria
Data: 29 de agosto de 2026 (sábado)
Horário: Das 10h às 22h
Local: Colégio Estadual Ruth Pacheco – Nova Sussuarana
Entrada gratuita
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