Murilo Gun lança big band filosófica-cômica de músicas autorais com show em SP
Em “Gunzito”, artista transforma quase 30 anos de ideias, humor e reflexões em canções que passaram por um laboratório musical com 120 mil plays antes de chegarem ao palco
Agosto de 2026 - “E se eu transformasse minhas palestras, filosofias e ideias em músicas, com um toque de humor?”. Foi dessa provocação que nasceu “Gunzito”, projeto musical autoral de Murilo Gun, definido por ele como uma “big band filosófica-cômica”, que terá show de lançamento no dia 30 de agosto, na Casa Rockambole, em São Paulo. Conhecido por uma trajetória que atravessa tecnologia, humor, empreendedorismo e criatividade, Murilo encontrou na música uma nova linguagem para um repertório de ideias acumulado ao longo de quase três décadas como comunicador. No início, Murilo contou com amigos músicos para desenvolver as primeiras guias das canções. Com o aumento na quantidade de composições, passou a usar a inteligência artificial como “ferramenta de prototipagem”, para dar forma sonora às ideias. “A IA entrou porque eu precisava prototipar. Eu tinha as ideias, escrevia as letras e sabia o que queria dizer, mas precisava conseguir ouvir aquilo e mostrar para outras pessoas”, explica Murilo. Um laboratório musical antes do palco A experiência ganhou uma nova dimensão com a criação do gunzito.com, plataforma que Murilo define como uma “garagem” ou “laboratório musical”. Ali, uma mesma letra pode ser ouvida em diferentes gêneros musicais, recurso que ele não encontrava nas plataformas tradicionais de streaming. O público passou também a participar desse processo, ouvindo, curtindo, adicionando músicas a playlists e indicando suas preferidas para um Top 10. Até agora, as faixas somam mais de 120 mil plays, o que ajudou Murilo a entender quais composições despertavam mais interesse e poderiam seguir para uma nova etapa. “Um protótipo existe para você mostrar uma ideia ainda experimental, receber feedback e descobrir que caminho seguir. Foi exatamente isso que fiz. Coloquei as músicas no laboratório, acompanhei a resposta das pessoas e comecei a entender quais delas tinham força para avançar”, conta. Da inteligência artificial para uma banda de nove músicos Esses sinais da audiência ajudaram Murilo a decidir quais músicas deveriam seguir para uma nova etapa. E o caminho escolhido produziu uma inversão interessante em meio ao debate sobre inteligência artificial e trabalho humano: depois de usar a tecnologia para prototipar e testar as composições, ele montou uma banda com nove integrantes para desenvolvê-las artisticamente e levá-las ao palco. “A tecnologia não substituiu os músicos. Ela me permitiu chegar até eles com uma ideia que já podia ser ouvida, discutida e transformada. De certa maneira, nesse caso, a IA acabou ajudando a criar trabalho para humanos”, diz. Com os músicos, as composições ganharam novos arranjos e interpretações. Entre as referências do projeto, Murilo destaca Raul Seixas e Paulo Coelho, Mamonas Assassinas e Blitz. “Raul e Paulo Coelho são uma referência muito forte pela capacidade de transformar filosofia, espiritualidade e questionamentos sobre a vida em música popular. O Gunzito nasce muito desse desejo. Ao mesmo tempo, tem o humor dos Mamonas e uma dimensão cênica e teatral que me lembra a Blitz”, explica. No palco, essa mistura aparece também na própria formação. Murilo brinca que Gunzito é “a única banda em que o frontman é backing vocal”. Criador, líder e mestre de cerimônias do projeto, ele não ocupa o posto de vocalista principal. Hugo Rafael e Amanda Serena assumem as vozes centrais, enquanto Murilo apresenta as histórias por trás das letras, participa das músicas e conduz a narrativa do espetáculo. Do mundo ao outro, do outro ao eu O repertório também ajuda a revelar a arquitetura de Gunzito. O espetáculo reúne 16 números organizados em três blocos, “O Mundo”, “O Outro” e “Eu”, como se as canções percorressem um caminho que parte da observação do que está fora, atravessa as relações e chega às questões mais íntimas. Ao longo desse percurso, o show transita por reggae, pop, axé, rap, maracatu, sertanejo, brega, rock e forró. Entre as faixas estão “Quem Só Acredita Vendo”, “Tudo Passa”, “Se Não É Benção, É Lição”, “Quanto Mais é Melhor?”, “Que Verdades Vão Morrer?”, “O Outro”, “Leve Não É Fraco”, “Áudio Nunca Enviado”, “Cadê a Vida Inteligente?”, “Guarda Compartilhada”, “Primeiro Eu”, “Eu Não Tenho Que Nada”, “Desaproveitar Oportunidades”, “Entusiasmo”, “Justifica no Agora” e “Unidade”. Mais do que uma sucessão de estilos, a diversidade sonora acompanha o movimento das próprias letras. Há músicas sobre o mundo invisível, excessos, consumismo, relações, escolhas, cobranças e a maneira como cada pessoa tenta encontrar algum sentido em meio ao ruído do cotidiano. Canções que continuam fora do palco Em “Quanto Mais é Melhor?”, por exemplo, Murilo questiona a associação automática entre ter mais e viver melhor. A reflexão já ultrapassou o universo do projeto: a música foi trabalhada com estudantes do 6º ano da Escola Castanheiras, em Alphaville, em uma discussão sobre consumismo e excessos, posteriormente apresentada pelos alunos às suas famílias. Já “Desaproveitar Oportunidades” parte da provocação de que nem toda oportunidade precisa ser agarrada e de que abrir mão também pode ser uma forma de escolha. Depois de anos inserido no universo do empreendedorismo, Murilo transforma em canção uma pergunta sobre limites e a necessidade de abrir espaço para aquilo que realmente se deseja viver. As primeiras ouvintes foram suas filhas, hoje com 7 e 11 anos. Ainda no ano passado, os protótipos passaram a abrir conversas no carro, a caminho da escola, sobre as letras e os temas das canções, mostrando a Murilo como elas poderiam reverberar para além da música. No show da Casa Rockambole, Murilo divide o palco com Hugo Rafael, Amanda Serena, Hamilton de Oliveira, Rony Almeida, Daniel Weksler, Júlio Nogueira, Guiê Augusto e Gabriel Moreira, em uma apresentação que combina canções autorais, narrativa, humor e interação com o público. Natural do Recife, Murilo começou a criar projetos digitais ainda adolescente e tornou-se um dos pioneiros da internet brasileira. Depois, esteve entre os precursores do stand-up comedy no país e construiu uma trajetória como empreendedor, palestrante e pesquisador da criatividade. Em 2014, foi selecionado para o Graduate Studies Program da Singularity University, realizado no NASA Research Park, no Vale do Silício, onde estudou futurismo, tecnologias exponenciais e inovação. Mais recentemente, criou “Fé no Flow”, palestra-espetáculo que mistura stand-up comedy, música ao vivo e reflexões sobre autoconhecimento, com apresentações no Teatro B32, em São Paulo. “Gunzito reúne todas as minhas versões. É o lugar onde tudo o que vivi até aqui se encontra: o empreendedor, o humorista, o pesquisador da criatividade e, agora, o compositor. A inteligência artificial participou de uma etapa do processo, mas o ponto de partida são as ideias. E o destino está nas pessoas: músicos tocando juntos e público vivendo essa experiência”, resume Murilo Gun.
Murilo Gun apresenta: Gunzito Formação: Murilo Gun, Hugo Rafael, Amanda Serena, Hamilton de Oliveira, Rony Almeida, Daniel Weksler, Júlio Nogueira, Guiê Augusto e Gabriel Moreira. Data: 30 de agosto de 2026 (domingo) Abertura da casa: 16h Horário: 18h30 Classificação etária: 8 anos. Menores de 18 anos devem estar acompanhados pelos pais ou responsável legal. Local: Rockambole - R. Belmiro Braga, 119 - Pinheiros, São Paulo - SP, 05432-020 Ingressos: Inteira: R$ 220 + taxa | Meia-entrada: R$ 110 + taxa. | |
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