3ª Parada Negra LGBT+ reúne mais de mil pessoas em celebração à ancestralidade, resistência e democracia em BH

3ª Parada Negra LGBT+ reúne mais de mil pessoas em celebração à ancestralidade, resistência e democracia em BH 

Evento reuniu artistas, coletivos e público negro LGBTQIAPN+ no Viaduto Santa Tereza e encerrou mobilização que alcançou mais de 20 cidades de Minas Gerais

Em uma tarde de altas temperaturas, mais de mil pessoas ocuparam o Viaduto Santa Tereza, em Belo Horizonte, no último domingo (9), para celebrar a ancestralidade, a diversidade e o protagonismo da população negra LGBTQIAPN+ durante a 3ª Parada Negra LGBT+ de BH. Com o tema “Memória e Futuro: A Democracia Tecida por Muitas Vozes”, o evento reuniu música, cultura, religiosidade, arte e mobilização.

A abertura conduzida pelo Ilê de Nanã Ajadeossi reforçou a presença da ancestralidade e das tradições de matriz africana como elementos fundamentais da construção da Parada, acompanhada de uma intervenção artística ao vivo do artista Wanata. Ao longo da tarde, o público acompanhou apresentações da Mestra Lu Babá, BAHIA, DJ Felipe Fernandes, Amerikana, Samba da Black e outras atrações, em uma programação que valorizou diferentes expressões da cultura negra e LGBTQIAPN+. O encerramento ficou por conta do cortejo do bloco Negrxs da Parada, que levou a celebração para as ruas do entorno do Viaduto Santa Tereza.

Mobilização
Mais do que uma programação cultural, a terceira edição foi resultado de um processo de mobilização que começou antes da chegada ao centro de Belo Horizonte. Ao longo de 2026, a organização promoveu diálogos em mais de 20 cidades do interior de Minas Gerais, aproximando a Parada de diferentes territórios e realidades. Em agosto, a mobilização chegou também a três territórios de Belo Horizonte, Taquaril, PPL (Pedreira Prado Lopes) e Serra, com atividades culturais de hip hop, funk, vogue, ballroom,  passinho e samba.

Para Eliane Dias, presidenta da Rede Afro LGBT+ Nacional, levar a mobilização para diferentes territórios foi um dos principais diferenciais desta edição. “Foi bastante inovador fazer esse processo de diálogo com os territórios, bastante rico, bastante fortalecedor, porque nos mostrou que o caminho é esse: continuar saindo dos grandes centros e indo buscar as pessoas para dialogar com novas realidades”, afirma.
Segundo Eliane, o processo também fortaleceu a dimensão coletiva da Parada. “Finalizar essa terceira edição trouxe esse processo de aquilombamento, de a gente buscar na raiz, beber na raiz de princípios e de coisas que são importantes para a gente. Foi muito fortalecedor, muito positivo e motivador”, completa.

A dimensão da mobilização também se refletiu na estrutura do evento. De acordo com Evandro Nunes, membro da coordenação da Rede Afro LGBT, mais de 60 profissionais foram contratados para atuar nas áreas de produção, técnica, comunicação e mobilização. A programação contou ainda com 115 artistas e profissionais envolvidos nas atividades e alcançou mais de 1 milhão de pessoas nas redes sociais. “A Parada está sendo sucesso, meu amor”, celebra.

História da Parada
Antes de se tornar a Parada Negra LGBT+ de BH, essa construção foi resultado de anos de organização e mobilização política. Em 2014, a Rede Afro LGBT de Minas Gerais criou o bloco “Tem Negra e Negro na Parada” e passou a ocupar a linha de frente da Parada LGBT+ de Belo Horizonte, com faixas, megafones e tambores, afirmando a presença e a resistência da população negra LGBT+ mineira. A mobilização buscava dar visibilidade a uma população que, embora presente, ainda tinha seus corpos e pautas invisibilizados. A iniciativa se fortaleceu ao longo dos anos com outras edições do bloco e, em 2019, deu origem à “I Marcha Negras e Negros LGBTs+ pelo bem viver”. Após a pandemia, o movimento foi retomado as atividades presenciais e, em 2024, culminou na realização da I Parada Negra LGBT+, teve como tema “Do êrê ao ancestral: Pela vida das juventudes negras”. Em 2025, a II edição deu continuidade a essa trajetória, com o tema: “Okê Arô: Na A luta por ela justiça racial e climática”  e, agora, a terceira edição escreve mais um capítulo dessa história.

A Rede Afro LGBT Minas e o Teatro Negro & Atitude realizam 3ª Parada Negra LGBT+ de BH por meio do Termo de Fomento nº 978242/2025, decorrente da Emenda Parlamentar nº 43660020, por intermédio da Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania.

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