Últimas apresentações de Divórcio, espetáculo sobre violência de gênero que marca os 20 anos da Lei Maria da Penha
Montagem reúne documentos reais, relatos de mulheres e homens e pesquisa de campo para refletir sobre os impactos da violência de gênero nas relações afetivas.
Divórcio - foto de Andy Santana
Depois de uma temporada de estreia marcada pelo diálogo com o público sobre violência de gênero, patriarcado e relações afetivas, Divórcio entra em sua última semana em cartaz no Complexo Cultural Funarte SP. As apresentações acontecem até 26 de julho, com sessões sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 18h.
Criado a partir da parceria entre Raissa Gregori e Alexandre Dal Farra, o espetáculo reúne documentos reais, pesquisa documental, entrevistas e testemunhos para construir uma dramaturgia que atravessa diferentes épocas, classes sociais e perspectivas sobre a violência contra as mulheres.
Em cena, Raissa Gregori e Dina Alves interpretam personagens inspiradas em histórias reais. A narrativa parte das cartas de uma mulher da elite paulistana em processo de separação na década de 1980 e se expande para outras trajetórias femininas marcadas por diferentes formas de violência. Paralelamente, dois homens refletem sobre seus próprios comportamentos e sobre o lugar que ocupam em uma sociedade estruturada pelo machismo.
A montagem estreou em um ano simbólico: 2026 marca os 20 anos da Lei Maria da Penha, considerada um dos principais instrumentos de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil. Em vez de oferecer respostas simplificadas, o espetáculo propõe um espaço de escuta e reflexão sobre as permanências do patriarcado e a necessidade de responsabilização coletiva no enfrentamento da violência de gênero.
O processo de criação envolveu mais de dois anos de pesquisa com advogados, psicanalistas, mulheres acolhidas em centros de referência e homens participantes de grupos reflexivos previstos pela Lei Maria da Penha. A dramaturgia também dialoga com documentos históricos e relatos publicados em obras como Histórias de Marias, da União de Mulheres, e Melhor não contar, de Tatiana Salem Levy.
Segundo a diretora e dramaturga Raissa Gregori, a intenção sempre foi ampliar a conversa: "Queríamos retratar a violência de gênero em diferentes épocas e condições sociais, mas também encontrar uma forma de dialogar com os homens e convidá-los a se implicarem nessa discussão."
Contemplado pelo PROAC – Lei Estadual de Incentivo à Cultura de São Paulo, Divórcio encerra sua primeira temporada convidando o público para as últimas sessões.
Instagram: @divorcioapeca

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