NOVAS APRESENTAÇÕES | 'Reset América Latina' faz curta temporada no teatro Flávio Império | de 16 a 19/07
ESTOPÔ BALAIO APRESENTA “RESET AMÉRICA LATINA” NO TEATRO FLÁVIO IMPÉRIO
Espetáculo transforma um cruzeiro de luxo em alegoria da formação latino-americana
Reset América Latina - Foto Cassandra Mello
Montagem investiga colonialidade, identidade e pertencimento a partir da metáfora de uma travessia marítima
Depois de estrear e fazer temporada no Sesc Belenzinho, o Coletivo Estopô Balaio volta a fazer, em julho, novas sessões do espetáculo Reset América Latina, de 16 a 19, no Teatro Flávio Império. A peça é o terceiro e último trabalho da Trilogia da Amnésia, iniciada com Reset Nordeste (2020) e seguida por Reset Brasil (2023).
Premiado com o Shell de Inovação por A Cidade dos Rios Invisíveis em 2020 e reconhecido por suas criações realizadas em ruas, praças e trens da CPTM, o grupo sediado no Jardim Romano, na zona leste de São Paulo, aprofunda, nesta montagem, sua investigação sobre memória, identidade e pertencimento.
Dirigido por Eliana Monteiro, Reset América Latina propõe uma reflexão sobre as origens das identidades latino-americanas e os apagamentos históricos produzidos pelos processos coloniais. A narrativa se desenvolve a partir da metáfora de um cruzeiro de luxo chamado Sangue Latino, onde passageiros embarcam em uma viagem que promete celebrar a cultura do continente, mas que aos poucos revela as contradições e violências que sustentam esse imaginário.
O primeiro ato assume a forma de um musical, revisitando simbolicamente as grandes navegações e os projetos de colonização. Aos poucos, surgem conflitos de classe, raça e pertencimento que atravessam os diferentes personagens. No segundo momento, o foco se desloca para os bastidores da embarcação, revelando as relações de trabalho e exploração que mantêm a estrutura funcionando. Já o terceiro ato rompe com a narrativa realista para mergulhar em uma dimensão imagética e ritualística, guiada pela figura simbólica da cobra, associada à transformação e à renovação.
A montagem encerra a Trilogia da Amnésia, projeto que questiona os processos de construção das identidades regionais e nacionais. Se conceitos como Nordeste, Brasil e América Latina são construções históricas relativamente recentes, que memórias e histórias foram apagadas para que essas categorias se consolidassem? A partir dessa provocação, o coletivo desenvolve o conceito de “ancestralidade crítica”, propondo um olhar sobre o passado que reconhece tanto os legados a serem preservados quanto aqueles que precisam ser confrontados.
Pela primeira vez, o processo reúne em cena todo o elenco fixo do Estopô Balaio — Ana Carolina Marinho, Juão Nyn, Dandara Azevedo, Keli Andrade e Dunstin Farias — ao lado dos intérpretes convidados Adyel Kariú Kariri, Hayla Cavalcanti, Potira Marinho e Wescritor.
A dramaturgia é assinada por Lara Duarte, com colaboração do coletivo. A direção de movimentos, preparação vocal e arranjos vocais são de Dudu Galvão, e a direção musical de Dani Nega. O espetáculo conta ainda com cenografia de concepção coletiva, videografia de Bianca Turner e identidade visual que incorpora desenhos produzidos por crianças do Jardim Romano, território que acompanha a trajetória do grupo.
Teatro Flávio Império - R. Prof. Alves Pedroso, 600 - Cangaíba, São Paulo - SP
Quando: 16, 17 e 18 de julho (quinta a sábado), às 20h; 19 de julho (domingo), às 19h.

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