ESTREIA | BIGORNA - um thriller autoficcional | de 04 a 22/08, no Sesc Vila Mariana

 

Bigorna estreia no Sesc Vila Mariana e transforma uma história familiar em reflexão sobre pertencimento

Solo escrito, dirigido e interpretado por Walmick de Holanda mistura autobiografia, terror, humor e cultura pop para investigar como pessoas consideradas diferentes são empurradas para as margens.

Cena de Bigorna - Foto Julio Arakack 

Tomando como ponto de partida a história real de um tio mantido por cerca de três décadas em um quarto gradeado, o solo mistura autobiografia, terror e cultura pop para investigar diferenças, pertencimento e os corpos considerados “desviantes”.  

Bigorna - um thriller autoficcional, solo escrito, dirigido e interpretado por Walmick de Holanda, estreia e faz temporada no Sesc Vila Mariana (Rua Pelotas, 141 – Vila Mariana, São Paulo) de 4 a 22 de agosto de 2026, com sessões às terças, quartas e quintas, às 20h, e aos sábados, às 18h. Desenvolvido ao longo de anos de investigação artística e criação autobiográfica, o espetáculo transforma experiências pessoais em uma reflexão sobre exclusão, identidade e pertencimento. Ao reunir teatro documental, autoficção, humor, terror e referências da cultura pop, a montagem investiga como corpos considerados fora da norma são enquadrados, corrigidos ou afastados da convivência social.

Em cena, Walmick revisita e reelabora diferentes momentos da própria vida, entrelaçando lembranças da infância, adolescência e vida adulta com histórias de outros homens gays encontradas ao longo de sua pesquisa. A dramaturgia embaralha memória e invenção para construir uma narrativa em que o vivido ganha contornos ficcionais e a ficção revela verdades pessoais.


A peça nasce de uma pergunta íntima: o que faz alguém ser visto como um corpo "desviante"? A investigação é atravessada pela própria trajetória do artista — uma criança afeminada, um adolescente que sofreu bullying por ser gay e gordo e um adulto que encontrou pertencimento na comunidade dos Ursos —, estabelecendo conexões entre diferentes formas de exclusão e de resistência.


Uma história vivida por sua família funciona como disparador dessa reflexão. Durante aproximadamente três décadas, um tio permaneceu confinado em um quarto gradeado por apresentar uma condição nunca diagnosticada, sendo tratado como alguém incapaz de conviver socialmente. Ao aproximar essa experiência da própria trajetória, o espetáculo investiga como famílias e sociedades tentam controlar, normatizar ou corrigir aqueles que escapam dos padrões considerados aceitáveis.

Na infância, sem compreender o que acontecia, Walmick criou explicações fantásticas para aquele isolamento. Essas imagens, inspiradas pelo imaginário dos filmes de terror, tornaram-se uma das principais chaves dramatúrgicas do espetáculo e ajudam a discutir como pessoas consideradas "diferentes" muitas vezes são tratadas como figuras monstruosas ou ameaçadoras.

Humor, suspense e referências à cultura pop atravessam toda a narrativa. Xuxa, Power Rangers, Michael Jackson, Divas pop - (referência dos anos 80 e 90, filmes, animações e músicas), e o cinema de horror aparecem como parte do universo afetivo de uma criança que buscava compreender o mundo por meio da fantasia. Nesse contexto, o Terror além de um gênero cinematográfico, opera na linguagem do espetáculo a fim de discutir medo, vergonha, desejo de pertencimento e violência simbólica.

Além das memórias pessoais, a dramaturgia incorpora objetos, roupas e outras materialidades da infância que funcionam como documentos afetivos, ampliando a experiência autobiográfica para dialogar com histórias de outras pessoas LGBTQIA+ e de todos aqueles que, em algum momento da vida, sentiram que não cabiam nos lugares que lhes foram destinados.

O título também sintetiza esse percurso. A bigorna — ferramenta sobre a qual o metal é golpeado para ganhar forma — torna-se metáfora da violência sofrida, mas também da possibilidade de transformar impactos em criação.

"Percebi que o medo que eu tinha de me transformar no meu tio era, na verdade, o medo de me tornar o diferente da família, alguém destinado a viver à margem", afirma Walmick.

Desenvolvido desde 2022, Bigorna nasceu da pesquisa de mestrado de Walmick de Holanda em Artes na Universidade Federal do Ceará (UFC), dedicada aos processos de composição dramatúrgica autoficcional. O autor também participou do Núcleo de Direção da Escola Livre de Teatro de Santo André, com supervisão do Luiz Fernando Marques Lubi, no processo de criação da peça. O espetáculo marca sua estreia profissional como dramaturgo e diretor e reúne teatro, performance, memória e imaginação em uma investigação sobre identidade, diferença e pertencimento.

Sinopse:

A autoficção de um gay gordo, nascido em uma sexta-feira 13 de lua cheia, tecida por lembranças da infância e adolescência que ganham tons de filme de terror. Mesclando elementos de horror, humor, cultura pop e memória, BIGORNA é um thriller poético sobre a estranha desconexão que pode existir entre ser, estar e pertencer.

 

Ficha Técnica:

Atuação, Direção e Dramaturgia: Walmick de Holanda

Supervisão Artística: Luiz Fernando Marques Lubi

Orientação Teórica e Provocação Artística: Francis Wilker

Desenho de Luz e operação: Felipe Tchaça

Assistente de Direção: Danilo Martim

Preparador Corporal: Hélio Toste

Figurino: Larissa Torres

Cenário: Walmick de Holanda

Técnico e Operador de som e vídeo: Danilo Martim

Equipe de Libras: Coragem Criativa - Camiss Delfino, André Bruno e Caê Coragem

Audiodescritor: Dylan Garbini

Apoio da audiodescrição: Paula Felix

Cenotécnico: Renato Simões

Costureira: Celma Mota e Silvana de Carvalho

Projeto Gráfico: Walmick de Holanda

Fotos de divulgação (para projeto gráfico): Julio Arakack

Registros fotográficos e em vídeo do espetáculo: Cacá Bernardes - Bruta Flor

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto Comunicação

Produção: Corpo Rastreado – Gabs Ambròzia

Agradecimentos: Ailton Guedes, Alessandro Marba, Alex Calmon, Ana Célia Torres, Ana Nehan, Andrei Bessa, Binho Cidral, Bruno Frika, Camila Cohen, CAPES, Carine Cedraschi, Casa Farofa, Cia do Pássaro, Corpo Rastreado, Cristiane Paoli-Quito, Daniel Martins, Dawton Abranches, Duda Machado, Eduardo Bruno, Eduardo Fraga, Elisa Porto, Evandro Cavalcante, Fabricio Licursi, Farofa, Felipe Haiut, Felipe Sales, Festival MixBrasil, Flávia Xaxá Melman, Gabi Gonçalves, Henrique Fontes, Ícaro Machado, Jacqueline Peixoto, Jo-A-Mi, Jorge Ferreira, Julia Corrêa, Khazar Masoumi, Larissa Carneiro, Leo Bahia, Letícia Rodrigues, Lilian Regina, Lucas Amoedo, Lucas Sancho, Luiz Felipe Bianchini, Luiza Romão, Marisa Bezerra, Michele Maia, Mitchel Diniz, Núcleo de Direção da Escola Livre de Teatro de Santo André, Pedro Guimarães, PPGArtes ICA/UFC, Rafael Fialho, Raquel Parras, Raissa Starepravo, Roma Oliveira, Raoni Reis, Renato Turnes, Ricardo Tabosa, Sesc Vila Mariana, Simone Évanz, Tico Dias, Vicente Concilio, Vinicius Flauaus, Waldírio Castro, Walmick Campos, Zé Luiz. Dedicado à memória de Tio Bosco.

 

Serviço:

Bigorna - um thriller autoficcional

Temporada: 04 a 22 de agosto de 2026. 

Dias e horários: Às terças, quartas e quintas, às 20h. Aos sábados, às 18h.

Atenção: Sessões extras nas sextas-feiras, dias 14/08, às 22h; e 21/08, às 15h. 

Sessões com recursos de acessibilidade: dias 08 e 15 de agosto. 

 

Local: Sesc Vila Mariana  

Rua Pelotas, 141, Vila Mariana  -  Metrô Ana Rosa 

Estacionamento: 125 vagas - R$ 8,00 a primeira hora + R$ 3,00 a hora adicional (Credencial Plena: trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes). R$ 17 a primeira hora + R$ 4,00 a hora adicional (outros).  

Paraciclo: 16 vagas - gratuito (obs.: é necessário a utilização de travas de seguranças).  

Informações: (11) 5080-3000 

 

Ingressos: R$50 (inteira) / R$25 (meia) / R$15 (credencial plena).

Venda: Online no site do Sesc SP ou no aplicativo Credencial Sesc SP, e nas bilheterias das unidades a partir de 4/8.

Classificação indicativa: 14 anos.

Duração: 70 min.


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