Clube de Leitura - Sesc Belenzinho | Edição 2026

 Clube de Leitura - Sesc Belenzinho | Edição 2026

 

Essa edição propõe a leitura de autoras latino-americanas que combina realidade social complexa e elementos fantásticos, característica associada ao Realismo Mágico, além de irradiar forte carga política, resistência cultural e identidade própria.

 

Entre julho e novembro, o Clube de Leitura promove cinco encontros presenciais, sempre no último sábado do mês, das 15h às 17h, com mediação de Zil Pimentel. A literatura latino-americana retrata a dor, a magia e a paixão do continente com excelência narrativa, por meio de romances, contos e poesias que convidam à leitura e ampliam o olhar sobre a vida.

 

O percurso privilegia autoras, muitas delas ainda pouco difundidas no Brasil. Ao transformar essa literatura em ponto de encontro e conversa no Sesc Belenzinho, o clube propõe uma experiência de leitura marcada pela descoberta, pela troca e pelo encantamento.

 

O ciclo começa no Brasil, com “Os Imortais”, de Paulliny Tort, uma das vozes contemporâneas mais instigantes da literatura brasileira. No segundo encontro, a leitura segue pelo continente com “Exploração”, de Gabriela Wiener, que apresenta um mergulho no universo da cultura peruana. Em setembro, o terceiro encontro é dedicado a “Kramp”, da chilena María José Ferrada. Na sequência, o quarto encontro leva os participantes ao Equador, com “Xamãs Elétricos na Festa do Sol”, de Mónica Ojeda. Encerrando o ciclo, no penúltimo mês do ano, o clube chega ao México com “Temporada de Furacões”, de Fernanda Melchor, obra que promete impactar leitores pela força de sua narrativa.

 

Por que ler autores latino-americanos?

 

Ler autoras latino-americanas nos permite compreender a identidade, a história e a riqueza cultural do nosso continente, reconhecido mundialmente pela sua originalidade. O caldo literário da América Latina reflete paixões e desafios comuns, além de oferecer narrativas singulares que transcendem fronteiras.

 

Temas presentes nas leituras

 

Identidade e história: as obras abordam a formação cultural da América Latina, as marcas deixadas por ditaduras e conflitos e as diferentes maneiras de compreender a identidade do continente.

 

Realismo mágico: um dos traços mais marcantes da literatura latino-americana, o realismo mágico aproxima o cotidiano do fantástico, criando narrativas em que imaginação e realidade convivem de forma singular.

 

Vozes contemporâneas: além de autores consagrados, o percurso reúne escritoras que ampliam o panorama da produção literária latino-americana atual, abordando questões contemporâneas sob diferentes perspectivas.

 

Diálogo entre países vizinhos: a leitura de autores latino-americanos aproxima culturas que compartilham histórias, desafios e referências, ampliando o contato com produções que muitas vezes circulam menos do que as de língua inglesa.

 

Um imaginário comum: ao colocar em circulação histórias de diferentes países do continente, as leituras evidenciam aproximações culturais e fortalecem o diálogo entre experiências latino-americanas.

 

Cronograma de Leitura

 

Encontro 1 – 25/7 “Os Imortais”, Paulliny Tort, Ed. Fósforo - BRASIL

Encontro 2 – 29/8 “Exploração”, Gabriela Wiener, Ed. Todavia - PERU

Encontro 3 – 26/09 “Kramp”, María José Ferrada, Ed. Moinhos - CHILE

Encontro 4 – 31/“Xamãs Elétricos na Festa do Sol”, Mónica Ojeda, Ed. Autêntica Contemporânea - EQUADOR

Encontro 5 – 28/11 “Temporada de Furacões”, Fernanda Melchor, Ed. Mundaréu – MÉXICO

 

Encontro 1 – “Os Imortais”, Paulliny Tort, Editora Fósforo – BRASIL

 

Em “Os imortais”, Paulliny Tort, vencedora do prêmio APCA e finalista do Jabuti com  Erva brava , surpreende o leitor com uma obra ambientada na pré-história e realiza um feito literário singular: reconstruir um mundo anterior à linguagem tal como a conhecemos, mas pleno de complexidade, pensamento e imaginação. 
 

Neste romance tão próximo de uma epopeia, Tort narra a trajetória de um clã de neandertais em um cenário hostil, marcado pela fome e pelas intempéries. Guiado por figuras conhecidas como Homem, Mulher e Velha, o grupo atravessa vastos territórios em busca de sobrevivência. Após um conflito com outro agrupamento, uma criança sapiens é incorporada ao clã. Afastando-se de visões estereotipadas sobre os primeiros hominídeos, Tort cria uma narrativa de aventura que também se configura como uma fábula sobre a origem da humanidade, e propõe um retrato especulativo do convívio entre duas espécies. 
 

Ousado e original, “Os imortais” celebra o poder inaugural da mente ao mesmo tempo que investiga as relações humanas elementares e o espanto diante do inexplicável, como o fogo, a morte e a doença. Com um estilo cristalino e envolvente, mas ainda assim poético, Paulliny Tort nos lembra que nosso elo com o passado é inquebrantável, enquanto o futuro da chamada civilização talvez seja mais frágil do que costumamos supor.
 

Sobre a autora

Paulliny Tort nasceu em Brasília (DF). É jornalista e mestre em comunicação e sociedade pela UnB. Erva brava (Fósforo), seu primeiro livro de contos, foi vencedor do prêmio APCA e finalista do Jabuti 2022. Estreou na literatura em 2016, com o romance Allegro ma non troppo (Oito e Meio, 2016), semifinalista do prêmio Oceanos de Literatura.

 

Encontro 2 – “Exploração”, Gabriela Wiener, Editora Todavia - PERU
 

O corpo que protagoniza este livro é conflagrado por disputas que remontam à história e se desdobram nos incertos movimentos do desejo e do afeto. A morte do pai e os fantasmas do passado marcam esta exploração memorável sobre o amor, o desejo e o racismo na América Latina. Da obscura biografia do tataravô austríaco, arqueólogo malogrado, às redes fluidas do poliamor, Wiener define o ensaio pessoal, gênero que honra na altura de uma Vivian Gornick, como “o sofrido artesanato do eu”. Não se poderia encontrar definição melhor do exercício que resulta nestas páginas espantosas.

 

Sobre a autora

Gabriela Wiener nasceu em 1975, em Lima, no Peru. É escritora, poeta, jornalista e ensaísta, sendo considerada um dos grandes nomes da atual produção latino--americana. Escreveu diversos livros, dentre eles SEXOGRAFIAS, NUEVE LUNAS e LLAMADA PERDIDA. Vive na Espanha.

 

Encontro 3 – “Kramp”, María José Ferrada, Editora Moinhos - CHILE

 

Unidos por um catálogo de produtos de serralheria da marca Kramp e viagens num Renault velho por estradas, povoados e cidades, uma filha cresce ao lado de seu pai, caixeiro-viajante, a aprender ensinamentos sobre o mundo e vida. Da infância à adolescência, M narra seus aprendizados e o correr dos anos, até o evento que marca uma ruptura na família, acionando o dispositivo dos sintomas parentais e outras rupturas e mais questionamentos sobre o universo e as peças que não se encaixam, as dores desparafusadas que se acumulam, e o revelar das engrenagens discretas do afeto rangendo no crescer da sua maturidade. Nas viagens com o pai, D, e o consequente reacender da vida da mãe em casa, após um assombrar violento do passado, M percebe, ainda adolescente, que os mecanismos das Coisas no Mundo avançam com giros imprecisos, impossíveis para cálculos e categorias, e começa assim a aceitar perguntas inclassificáveis no maquinário das perdas e do tempo, em revelações de que infortúnios tidos improváveis podem transformar construções familiares sólidas em “um monte de palitos”. Ao voltar do livro, um dos caminhos mais difíceis e também confortáveis da viagem, vivenciamos com M o despertar para as precariedades de uma família a sofrer o desvanecimento de suas relações, e entendemos um dos mecanismos da existência (“um único parafuso pode precipitar o fim do mundo”) e que muito do que resta nesse sistema de sobrevivência até o futuro é estranho, mas também revelador. Raimundo Nonato, escritor e psicólogo

 

Sobre a autora

María José Ferrada, nascida em 1977 no Chile, é jornalista e escritora. Seus livros infantis já foram publicados em diversos países. Kramp, seu primeiro romance, foi o primeiro trabalho a receber os três prestigiados prêmios literários chilenos: o Prêmio de Melhor Romance do Círculo de Críticos de Arte, o Prêmio de Melhores Obras do Ministério da Cultura (categoria romance) e o Prêmio Municipal de Literatura em Santiago.

 

Encontro 4 – “Xamãs Elétricos na Festa do Sol”, Mónica Ojeda, Editora Autêntica Contemporânea - EQUADOR

 

Ano 5540 do calendário andino. Noa decide fugir de Guayaquil, onde nasceu, com sua melhor amiga Nicole, para participar do Ruído Solar, um festival que, todos os anos, reúne, durante oito dias e sete noites, milhares de jovens ― entre músicos, dançarinos, poetas e xamãs ― aos pés de um dos muitos vulcões dos Andes. 

 

Ficam para trás as famílias, a violência das cidades, e se descortina uma paisagem alucinada que treme ao ritmo da música e das erupções vulcânicas sob um céu riscado por meteoritos. Para Noa, essa será a primeira parada antes de reencontrar o pai que a abandonou quando criança e que, há anos, vive nas florestas altas ― um território onde também se escondem os desaparecidos, aqueles que um dia subiram ao Ruído e nunca mais voltaram para casa.

 

Sustentado por uma lírica extraordinária, uma estética deslumbrante e muito senso de ritmo, “Xamãs elétricos na festa do sol” é uma viagem mística ao coração primitivo da música e da dança; uma jornada lisérgica e emocional que é, ao mesmo tempo, a busca por um pai e por um sentido de pertencimento em um mundo que só conhece a perda e o desamparo.

 

Sobre a autora

MÓNICA OJEDA nasceu em Guayaquil, no Equador, em 1988. Em 2017, esteve na lista Bogotá39, do Hay Festival, de melhores escritores de ficção latino-americanos com menos de 40 anos. Em 2019, recebeu o prêmio Prince Claus Next Generation, na Holanda. Em 2021, a revista Granta a indicou como uma das melhores autoras hispânicas com menos de 35 anos. Publicou livros de contos, poemas e três romances: La desfiguración Silva (Prêmio ALBA Narrativa, 2014), Nefando (Candaya, 2016) e Mandíbula (Autêntica Contemporânea, 2022).
 

Encontro 5 – “Temporada de Furacões”, Fernanda Melchor, Editora Mundaréu - MÉXICO 

 

Garotos brincam às margens de um canal e descobrem um cadáver putrefato. É a Bruxa, ou Bruxa Menina, figura icônica e temida em La Matosa, que parece lhes sorrir. A partir daí, em uma torrente narrativa intensa, Fernanda Melchor recompõem os fatos que levaram ao crime a partir dos relatos de alguns dos envolvidos, criando um retrato visceral de uma cidadezinha perdida no México e seus terrores, um lugar dominado por pobreza, superstição, misoginia, preconceito, violência institucional e nas relações íntimas. O lirismo brutal de Melchor faz desta história policial uma análise social e um tour de force literário. Prêmio PEN México de Excelência Jornalística e Literária 2018, Anna Seghers 2019, Haus der Kulturen der Welt 2019; Finalista do International Booker Prize 2020.

 

Sobre a autora

Fernanda Melchor (Boca del Río,Veracruz, México, 1982) é escritora, tradutora e jornalista, com mestrado em estética e arte pela Benemérita Universidad Autónoma de Puebla (México). Em 2013, publicou as crônicas de Aquí no es Miami e também seu primeiro romance, Falsa liebre, e, em 2017, Temporada de furacões. Em 2018, recebeu o Prêmio PEN México de Excelência Jornalística e Literária por Aquí no es Miami, e venceu o prêmio alemão Anna Seghers em 2019.

 

Serviço

 

Clube de Leitura do Sesc Belenzinho – 2ª Edição 2026

Mediação: Zil Pimentel

25/7, 29/8, 26/9, 31/10 e 28/11 Sábados, às 15h

Gratuito. Classificação: 18 anos.

Local: Biblioteca (Térreo).

 

SESC BELENZINHO  

Endereço: Rua Padre Adelino, 1000.  

Belenzinho – São Paulo (SP)  

Telefone: (11) 2076-9700  

sescsp.org.br/Belenzinho  
  

Transporte público   

Metrô Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m) 

Estacionamento  

De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h.    

Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 10,00 a primeira hora e R$ 4,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 20,00 a primeira hora e R$ 5,00 por hora adicional.   

  

Comentários