Abbas Kiarostami em retrospectiva no Cinema do IMS Paulista

 Cinema do IMS Paulista apresenta

retrospectiva do cineasta iraniano Abbas Kiarostami,

com exibições até dezembro de 2026

Em cartaz a partir de 17 de julho, a programação reúne cerca de 28 filmes, muitos estreando em novas restaurações, que oferecem um panorama abrangente da obra de Kiarostami

Cena do filme Shirin (2008)

A partir de 17 de julho, o Cinema do IMS Paulista apresenta a mostra Abbas Kiarostami em retrospectiva. A programação reúne cerca de 28 filmes, em novas cópias restauradas, e oferece um amplo panorama da obra de Kiarostami (1940-2016), um dos mais importantes cineastas iranianos. A retrospectiva segue até o fim do ano, com a exibição de 13 títulos nos três primeiros meses e novos programas apresentados mensalmente até dezembro.

Na primeira sessão, marcada para o dia 17 de julho, às 19h30, no Cinema do IMS Paulista, a exibição será dos filmes As cores (1976) e A experiência (1973), obra que marca uma das primeiras colaborações entre Kiarostami e o cineasta iraniano Amir Naderi.
 

Reunindo filmes realizados entre 1970 e 2017, a mostra percorre diferentes momentos da trajetória do cineasta. A seleção inclui obras fundamentais como Onde fica a casa do meu amigo? (1987), Gosto de cereja (1997), vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, O vento nos levará (1999), premiado com o Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza, E a vida continua... (1992), Através das oliveiras (1994), Shirin (2008), último longa-metragem realizado pelo diretor em território iraniano, e 24 Frames (2017), sua obra póstuma.
 

A programação contempla ainda uma série de curtas-metragens realizados no início de sua carreira, entre eles O pão e o beco (1970), sua estreia na direção, O recreio (1972), Duas soluções para um problema (1975), As cores (1976), Como aproveitar o tempo livre: pintando (1977), Tributo aos professores (1977), Solução (1978), Com ou sem ordem (1981) e O coro (1982).
 

Em julho, a programação contará com sessões duplas dedicadas aos primeiros trabalhos de Abbas Kiarostami. Os filmes exibidos serão: Como aproveitar o tempo livre: pintando (1977) + O viajante (1974); As cores (1976) + A experiência (1973) e O pão e o beco (1970) + Lição de casa (1989).
 

Em agosto, é a vez de O coro (1982), O vento nos levará (1998), Tributo aos professores (1977) e Os alunos do primeiro ano (1985). Já em setembro a programação ficará por conta da trilogia de Koker, com Onde fica a casa do meu amigo (1986), E a vida continua… (1991) e Através das oliveiras (1994).

A programação, com as datas e horários, pode ser conferida no site.


Porque revisitar a obra de Abbas Kiarostami


 

Imagem de divulgação: Abbas Kiarostami

Poucos cineastas transformaram o cotidiano em cinema com tanta maestria e profundidade quanto Kiarostami. Em seus filmes, uma criança procura a casa de um amigo, um homem atravessa uma paisagem em busca de companhia, passageiros conversam dentro de um carro. A partir de situações aparentemente banais, o diretor iraniano constrói reflexões sobre a vida, a morte, a memória, a ética e o próprio ato de olhar.
 

Nascido em Teerã, capital do Irã, em 1940, Abbas Kiarostami estudou artes plásticas antes de iniciar a carreira como designer gráfico e só ingressou no cinema aos 30 anos, quando passou a trabalhar no Kanoon, o Instituto para o Desenvolvimento Intelectual de Crianças e Adolescentes, onde dirigiu o departamento de cinema.
 

Presente no país durante a Revolução Islâmica de 1979, que instaurou um regime religioso no Irã, Kiarostami optou por permanecer em seu país, ao contrário de muitos colegas que deixaram o território iraniano após a mudança política.

Considerado um dos fundadores do Novo Cinema Iraniano, movimento que revitalizou o setor cinematográfico do país e projetou internacionalmente grandes nomes do cinema local, Kiarostami contribuiu para a renovação da linguagem cinematográfica. Após a Revolução Islâmica, ele e outros cineastas encontraram maneiras de contornar a censura e a repressão estatal por meio de uma estética marcada pelo neorrealismo, pela poesia e pela fusão entre documentário e ficção.
 

Seus filmes começaram a circular no Ocidente no final dos anos 1980, com Onde fica a casa do meu amigo? (1987), revelando à crítica internacional um cineasta que viria a ser reconhecido entre os mais importantes de seu tempo. De difícil classificação, sua obra distingue-se pela fusão entre documentário e ficção e pela exploração constante das fronteiras entre realidade e representação. Para a crítica, sua filmografia concilia realismo e abstração, tradição e vanguarda, Oriente e Ocidente.
 

No Brasil, sua obra foi celebrada na mostra Abbas Kiarostami: um filme, cem histórias, realizada pelo CCBB em 2016 e organizada por Maria Chiaretti, que assina um texto sobre o cineasta na revista do Cinema do IMS de julho. Agora, o Cinema do IMS Paulista aprofunda esse percurso com uma retrospectiva de cerca de 28 filmes, a grande maioria em cópias restauradas que permitem revisitar — ou descobrir pela primeira vez — uma das obras mais influentes do cinema moderno.
 

Em um momento em que o Irã volta ao centro do debate internacional em razão dos conflitos que atravessam a região, a mostra também oferece um olhar mais profundo sobre o país para além das manchetes. Como observa o curador de Cinema do IMS Kleber Mendonça Filho: “Esta mostra é uma oportunidade de revisitar e descobrir a extraordinária herança deixada por Kiarostami. São cópias restauradas, projetadas no Cinema do IMS, que poderão apresentar a toda uma nova geração a visão poética, crítica e singular de um país cuja imagem geopolítica é diariamente apresentada na grande mídia pelos Estados Unidos e por Israel como a de um inimigo a ser vencido com violência, a de uma nação terrorista. Para conhecer melhor um país, veja o cinema feito lá.”

 

Confira a listas de filmes que serão exibidos

 

Julho

17/07, sexta-feira às 19h30

As cores | 1976 | 16' + A experiência | 1973 | 56'

21/07, terça-feira, às 19h30

Como aproveitar o tempo livre: pintando | 1977 | 18' + O viajante | 1974 | 74'

25/07, sábado, às 18h

As cores | 1976 | 16' + A experiência | 1973 | 56'

26/07, domingo, às 18h

O pão e o beco | 1970 | 12' + Lição de casa | 1989 | 78'

30/07, quinta-feira, às 19h30

O pão e o beco | 1970 | 12' + Lição de casa | 1989 | 78'

01/08, sábado, 18h

Como aproveitar o tempo livre: pintando | 1977 | 18'

O viajante | 1974 | 74'

 

Agosto (datas e horários serão divulgadas posteriormente)

Como aproveitar o tempo livre: pintando | 1977 | 18'

O viajante | 1974 | 74'

O coro | 1982 | 18'

O vento nos levará | 1998 | 118'

Tributo aos professores | 1977| 17'

Os alunos do primeiro ano | 1985 | 83'

 

Setembro (datas e horários serão divulgadas posteriormente)

Onde fica a casa do meu amigo? | 1986 | 84'

E a vida continua… | 1991 | 96'

Através das oliveiras | 1994 | 103'

 

Meses seguintes (datas e horários serão divulgadas posteriormente)

O recreio | 1972 | 15'

Duas soluções para um problema | 1975 | 5'

Eu também posso fazer | 1975 | 5'

Traje de casamento | 1976 | 60'

Solução | 1978 | 11'

Caso um, caso dois | 1979 | 48'

Dor de dente | 1980 | 27'

Com ou sem ordem? | 1981 | 17'

O concidadão | 1983 | 51'

Gosto de cereja | 1997 | 98'

ABC Africa | 2001 | 84'

Cinco – Cinco longos planos dedicados a Yasujiro Ozu | 2003 | 74'

Shirin | 2008 | 92'

Cópia fiel | 2009 | 106'

Um alguém apaixonado | 2011 | 109'

Close-up | 1990 | 98'

24 Frames | 2017 | 114'

 

Veja os dias e horários de cada sessão da mostra no site.

 

Ingressos das sessões: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)

Os ingressos podem ser adquiridos no site Ingresso.com ou na bilheteria do IMS, para sessões do mesmo dia

 

Serviço

Mostra: Abbas Kiarostami em retrospectiva

Inauguração: 17 de julho

A mostra segue em cartaz até dezembro, com programações mensais

 

Cinema do IMS Paulista - Av. Paulista, 2424, 3º andar

Bela Vista, São Paulo/SP - 01310-300 
 

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