Inspirado na linguagem do boxe e na figura do icônico Muhammad Ali, Nocaute estreia no Sesc Pinheiros dia 11 de junho
Com texto de Ronaldo Fernandes e direção de Helena Cardoso, o espetáculo aborda os afetos interditos de uma masculinidade negra em ruínas
Créditos: Noelia Nájera
Referência por expressar a complexidade da identidade negra, a figura do lendário pugilista estadunidense Muhammad Ali (1942-2016) inspira a criação da peça Nocaute, idealizada e estrelada por Felippe Salve e Ronaldo Fernandes. O espetáculo da Cia. Trilha de Teatro, dirigido por Helena Cardoso, tem sua temporada de estreia no Sesc Pinheiros, de 11 de junho a 11 de julho de 2026.
Inspirado nas linguagens do boxe e do teatro contemporâneo, Nocaute é um duelo à espera de um jantar, entre o que se sente e o que se cala. Trata-se de um espetáculo que aborda masculinidades em colapso, sentimentos reprimidos e a coragem de permanecer em pé mesmo depois do último soco.
O projeto nasce do desejo de Felippe Salve e Ronaldo Fernandes de investigar a poética do 'quase' — esse território de incompletudes onde desejos, afetos e decisões permanecem em suspenso.
“Nossa vontade era compreender o que nos impede de avançar. O trabalho surge desse olhar para as nossas próprias fragilidades que se depararam, inevitavelmente, com a masculinidade de dois homens pretos, e para o vazio que, muitas vezes, atravessa as nossas vivências”, afirma Ronaldo Fernandes.
Nesse percurso, a trajetória de Muhammad Ali surge como referência de força e deslocamento. “Ali nos ensinou que o afeto é um gesto político. Para nós, esta peça é sobre ter a coragem de ser vulnerável e reivindicar o amor que, historicamente, nos foi negado por um mundo que sempre tentou nos endurecer”, completa Felippe.
Caio e Miguel, dois homens negros, encontram nessa figura masculina e na trajetória histórica do boxeador uma possibilidade de se reconhecerem plenamente — em seus desejos, em suas sexualidades e na forma como vivenciam a homoafetividade.
Muhammad Ali foi mais do que um boxeador lendário; seu impacto na comunidade preta, especialmente em relação à masculinidade, é profundo e significativo.
“A referência a essa figura inspira a criação não apenas de uma história de luta e superação, mas também de uma ode à resiliência e a busca pela identidade. É também uma forma de explorar a complexidade da identidade negra e da auto aceitação desses personagens” cita Ronaldo Fernandes, autor do texto.
Sobre o olhar da direção
Uma das fundadoras do coletivo teatral A Digna, Helena Cardoso estreia na direção com Nocaute. “Discutimos muito como, em nossa sociedade, às pessoas criadas como homens não é oferecido um espaço de comunicação e conexão com os próprios sentimentos”, relata a diretora. Reunindo referências estéticas e um olhar sobre o corpo do ator, marcas presentes em sua trajetória artística, Helena continua: “Logo na primeira cena, eles apresentam máscaras que vão se desmontando, deixando a fragilidade interna vir à tona. Esses trabalhos têm como elemento central o corpo dos atores e um elemento de cenografia que os ativa”, afirma.
O processo corporal, conduzido por Helena em parceria com a diretora de movimento Ana Vitória Bella, foi intenso para a construção narrativa: “Foi um trabalho para que os atores pudessem contar a história através de seus corpos”.
Esse eixo se articula a outros elementos fundamentais da cena. “A presença do músico Gustavo Bento é outro ponto importante, com composições criadas a partir dos ritmos que desenvolvemos”, destaca Helena. E continua: “Os figurinos de Rogério Romualdo dialogam com referências de Muhammad Ali nos anos 1970, enquanto o cenário de Caio Marinho e a luz de Letícia Nanni foram pensados de uma maneira conjunta, nos ajudando a mostrar os contornos sociais que esses corpos foram tomando, não só pelas questões da masculinidade, mas também da pretitude.”
Sobre a Cia. Trilha de Teatro
A Cia. Trilha de Teatro é um coletivo com mais de 23 anos de trajetória. Atualmente segue em cartaz com “O Plano” – Espetáculo que mostra que a abolição da escravatura foi uma conquista, um plano e “Benjamim: O Filho da Felicidade”, espetáculo que conta um recorte da trajetória do Benjamin de Oliveira, primeiro palhaço negro do Brasil. O espetáculo estreou em 2018 dentro do projeto “Manufatura de Monólogos” produzido pelo SESC Santos e com participação no 5º Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas.
Entre as produções do coletivo estão “Amâncio”, espetáculo criado durante a pandemia com quatro temporadas transmitidas via plataforma zoom e selecionado para o FESTKAOS, FESCETE, Festival Cena Barbara, Cia Cênica-Mostra Resistência, “[A]Gente”, espetáculo protagonizado pela atriz Fábia Mirassos, “Meu Deus...” e “Nó Na Garganta” produzido em parceria com o Grupo de Teatro Tescom, “Algumas histórias” com a Cia da Solitude, vencedor do Prêmio PROAC, “Fragmentos”, “Femininas – Um Espetáculo Musical” também vencedor do Prêmio PROAC e O Pássaro do Poente, de Carlos Alberto Soffredini.
Ficha Técnica
Idealização: Felippe Salve e Ronaldo Fernandes
Dramaturgia: Ronaldo Fernandes
Direção: Helena Cardoso
Elenco: Felippe Salve e Ronaldo Fernandes
Musico e Produtor Musical: Gustavo Souza
Direção de Movimento: Ana Vitória Bella
Cenografia: Caio Marinho
Figurino: Rogério Romualdo
Desenho de Luz: Letícia Nanni
Assistente técnica de Luz: Isabel Violante
Produção: Cia Trilha de Teatro
Coordenação de Produção: Felippe Salve e Ronaldo Fernandes
Produção Executiva: Thais Cabral
Tecnico de som: Fabiano Kari
Cenotécnico: Gustavo Lara
Fotos: Noelia Nájera
Redes Sociais: Celso Bandarra
Designer Gráfica: Keila Gondim
Filmagem: Rodrigo Portela
Sinopse
Dois homens se encaram como reflexos distorcidos um do outro. Entre eles, um ringue invisível e uma mesa posta — à espera de um jantar que nunca se completa. Nesse encontro, desejo, medo e afeto se enfrentam em rounds silenciosos, onde o corpo vira campo de batalha e o silêncio, golpe. Entre provocações, memórias e desvios, os dois tentam entender se o que os separa é o medo da derrota ou o medo da vitória.
Serviço
Nocaute, com Cia Trilha de Teatro
Temporada: 11 de junho a 11 de julho de 2026
Quintas a sábados às 20h30, e feriados às 18h. Exceto 19/06.
Dias 26/06, 03/07 e 10/07, sessões às 16h e às 20h30.
Sessões com LIBRAS dias 26 e 27 de junho
Local: Sesc Pinheiros – Auditório
Ingressos: R$50 (inteira), R$25 (meia-entrada) e R$15 (credencial plena) Vendas online a partir do dia 2/6 em sescsp.org.br ou presencialmente na bilheteria de qualquer unidade do Sesc São Paulo
Capacidade: 100 lugares
Duração: 70 minutos
Classificação: 14 anos
Sesc Pinheiros
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros - São Paulo (SP)
Horário de funcionamento: Terça a sexta: 10h às 22h. Sábados: 10h às 21h. Domingos e feriados: 10h às 18h30
Estacionamento com manobrista
Como Chegar de Transporte Público: 350m a pé da Estação Faria Lima (metrô | linha amarela), 350m a pé da Estação Pinheiros (CPTM | Linha Esmeralda) e do Terminal Municipal Pinheiros (ônibus).
Acessibilidade: A unidade possui rampas de acesso e elevadores, além de banheiros e vestiários acessíveis para pessoas com mobilidade reduzida. Também conta com espaços reservados para cadeirantes.
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