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 Ancestralidade e saudade inspiram espetáculo gratuito de dança em cartaz em Campinas (SP)

Sussurros da Terra, do Coletivo Efêmeras, será encenado domingo (28/6), às 17h e às 19h, no Centro Cultural Casarão. A entrada é franca.

 


Você sente saudades? Para responder a essa pergunta-reflexão, cada espectador necessita acessar o seu íntimo. Quando faz essa viagem para o interior, percebe-se que tal sentimento tem a ver com tempo, ancestralidade, memória e pertencimento. Por onde começar? O Coletivo Efêmeras (Unicamp/Campinas) dá pistas ao longo do espetáculo Sussurros da Terra, em cartaz domingo (28/6), às 17h e às 19h, no Centro Cultural Casarão, em Campinas (SP). A entrada é franca.

 

Sob a concepção, dramaturgia e direção de Heloísa Duria Cavalheiro, que também protagoniza o espetáculo, a cena conta com a participação dos músicos Guilherme Corrêa Viégas (violoncelo) e Maiara Fernandes (violão e percussão). Vale destacar que a montagem foi contemplada pelo Plano Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura, do Governo Federal, com apoio da Secretaria de Cultura e Turismo de Campinas.

De acordo com Heloísa Cavalheiro, a essência do espetáculo se apresenta no movimentar da terra que perpassa a história de cada ser e na escuta do próprio corpo para também reconhecer o quão plural pode ser a ancestralidade. Além de ser sentido por meio da angústia, do carinho, da saudade e da aflição que atravessam a experiência humana, a terra pisada no presente é, simultaneamente, marcada pelas memórias do passado e pelas possibilidades do futuro.

 

“A narrativa do espetáculo se constrói muito a partir da saudade. Como a saudade é um sentimento que nutrimos por experiências boas, a história da minha família se revelou muito presente durante o processo criativo: pessoas que cresceram e viveram grande parte da vida no ambiente da roça, estabelecendo uma relação íntima com a terra. O fato de essa relação se mostrar tão presente nos meus sentidos, nas imagens, nas emoções e na minha dança constitui uma das grandes espiralidades que estou vivenciando”, destaca a intérprete.

 

E como essa memória tão afetiva se desenha na cena? Heloísa pontua: por meio da dança contemporânea, com influência de danças brasileiras e a dos orixás. “Evidencio o orixá Obaluayê por representar as forças da terra, do silêncio, da vida e da morte. Sua energia carrega ensinamentos ancestrais profundos, que nos convidam a uma jornada contínua de aprendizado e aprofundamento. É por meio dessa caminhada que podemos compreender a beleza presente nos ciclos de fim e recomeço, acolhendo nossas saudades, dores e voos como partes da experiência de viver.”

 

Outro grande destaque da montagem é a dupla de músicos em cena. Além de servir como embasamento artístico para a criação e a inspiração da própria performance dançada, a música ao vivo se torna essencial para a construção da atmosfera, consolidando-se como um convite para o público mergulhar ainda mais no espetáculo. Afinal, nos movimentos expressivos da dança, a trilha sonora entra para realçá-los com acentos e também nos silêncios.

 

“Os músicos em cena podem ajustar o tempo, a dinâmica (intensidade), o ritmo ou até improvisar para responder às nuances da dança, criando um diálogo vivo, algo bem diferente do que o som mecânico pode fornecer. A melodia é a ‘voz’ principal da música e, neste espetáculo, ela soa nos instrumentos de corda. As melodias e letras das músicas escolhidas são potentes e carregam parte da narrativa. Por serem amplamente conhecidas pelo público, criam-se laços de sensibilidade entre artistas e plateia”, avalia a violonista e percussionista Maiara Fernandes.

 

Ao se expor em cena, qual mensagem a protagonista gostaria de deixar para o íntimo do público? “A de questionarmos a vida e a existência em toda a sua complexa simplicidade. Eu escolhi direcionar minha dança para pesquisar sobre como mover a terra e, no fim, perceber que ela também nos movimenta. Que as relações ancestrais e as do momento presente também podem ser atravessadas pela influência da terra. Estar em comunhão uns com os outros é uma das mais belas raízes que temos”, finaliza Heloísa.

A sinopse

 

Sussurros da Terra, a dança investiga a ancestralidade como presença viva no corpo, no tempo e na memória. Entre afetos, partilhas e heranças, a obra percorre as histórias guardadas pelo solo e inscritas na pele. Sem tratar de retorno ao passado, o espetáculo propõe um diálogo entre o hoje, as danças que vieram antes e as que ainda estão por vir. Em cena, corpo e terra se encontram em uma experiência de comunhão, força vital e pertencimento. O solo é protagonizado por Heloísa Duria Cavalheiro, que também assina a concepção, a direção e a dramaturgia.

 

A Ficha Técnica

 

Concepção, Direção e Dramaturgia: Heloísa Duria Cavalheiro

Assistente de Direção: Guilherme Corrêa Viégas

Interpretação Coreográfica: Heloísa Duria Cavalheiro

Arranjo, Composição e Interpretação Musical: Guilherme Corrêa Viégas (Violoncelo) e Maiara Fernandes (Violão e Percussão)

Design e Operação de Luz: Matheus Janeiro

Concepção e Confecção de figurino: Lairce Duria Corassa e Rita de Cassia Viégas

Cenografia: Letícia Silva Okuyama

Técnico de Som: Guilherme Corrêa Viégas

Fotografia: Paula Arielly

Artes de Divulgação: Amira Rald

Assessoria de Imprensa: Tiago Gonçalves

Produção e Realização: Projeto Sussurros da Terra e Entrelinhas Produções Culturais

 

Programação

 

ü  Domingo (28/6), às 17h e às 19h, no Centro Cultural Casarão (Rua Maria Ribeiro Sampaio Reginato, s/n, Residencial Terras do Barão | Barão Geraldo, em Campinas).

 

Quanto: Entrada franca
Classificação indicativa: Livre
Importante: As apresentações contam com acessibilidade em Audiodescrição
Informações: @coletivo_efemeras

 

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