Cultura! Circuito da Praça Afro-Candanga ocupa a Praça dos Orixás com programação cultural gratuita entre junho e dezembro
Circuito da Praça Afro-Candanga ocupa a Praça dos Orixás com programação cultural gratuita entre junho e dezembro
Projeto realizado pelo Instituto Rosa dos Ventos promove oficinas, rodas de conversa, apresentações culturais e encontros ligados às tradições afro-brasileiras; primeiro encontro será em 7 de junho
A Praça dos Orixás, em Brasília, será palco, entre os meses de junho e dezembro, do Circuito da Praça Afro-Candanga, projeto realizado pelo Instituto Rosa dos Ventos em parceria com a Fundação Banco do Brasil (FBB). A iniciativa promoverá, sempre no primeiro domingo de cada mês, uma programação gratuita voltada à valorização das culturas afro-brasileiras, dos saberes tradicionais e das manifestações populares do Distrito Federal.
Reconhecida como território sagrado para as culturas de terreiro e importante espaço de memória, ancestralidade e resistência cultural afro-brasileira, a Praça dos Orixás receberá atividades como oficinas, rodas de conversa, apresentações musicais, encontros comunitários e vivências ligadas às tradições de matriz africana.
A proposta do circuito é transformar o espaço em um ponto contínuo de encontro, formação, celebração e circulação das culturas populares e afro-diaspóricas, fortalecendo redes culturais e comunitárias do DF.
Abertura
A abertura do projeto acontece no dia 7 de junho, primeiro domingo do mês, com uma programação dedicada ao maracatu e às tradições percussivas afro-brasileiras. As atividades começam às 10h, com a oficina de Agbê, conduzida pelo grupo Zenga Baque Angola. Após a oficina, ao meio-dia, o grupo faz uma apresentação aberta na Praça dos Orixás.
“O Zenga possui uma conexão com o ancestral e o sagrado e tocar na praça dos Orixás, um local que tem resistência, espiritualidade e memória, é de extrema importância, porque comunga com os princípios do nosso Maracatu. É muito mais do que uma apresentação cultural, é uma celebração do sagrado e da ancestralidade, fortalecendo a luta pela revitalização de um local que resiste e perpetua a história de muitos que vieram antes de nós”, assinala a produtora do Zenga, Makota Kambakassulê.
Às 14h, acontece a roda de conversa “Maracatu, Terreiro e Resistência Negra”, com participação da Mestra Joana d’Arc, de Pernambuco. Encerrando a programação do dia, às 15h30, o público acompanha a apresentação nacional do Maracatu Baque Mulher, comandado pela Mestra, primeira mulher a liderar uma Nação de Maracatu de Baque Virado, a Nação Encanto do Pina (PE), e idealizadora do movimento Baque Mulher.
A apresentação é também encerramento do 9º Encontro Nacional do Movimento de Empoderamento Feminino Baque Mulher, realizado aqui em Brasília, reunindo mulheres de mais de 39 filiais do Movimento Baque Mulher no Brasil e na Europa.
A presença da Mestra na abertura do Circuito da Praça Afro-Candanga é carregada de significado. Primeira mulher a liderar uma Nação de Maracatu de Baque Virado, Joana foi agraciada pela Câmara dos Deputados, em 2028, com a Medalha Mietta Santiago, por sua luta contra o machismo, racismo e em defesa dos direitos das mulheres e minorias, por meio do maracatu feminista Baque Mulher. Em 2025 foi reconhecida como Patrimônio Vivo de Pernambuco.
Para a Mestra, as manifestações culturais populares também são ferramentas de transformação social e fortalecimento das mulheres, capazes de promover diálogo, conscientização e mobilização dentro e fora dos territórios culturais.
“A arte e a cultura têm o poder de sensibilizar, educar e transformar. Elas alcançam lugares onde muitas vezes os discursos formais não conseguem chegar. Através da música, da dança, dos tambores e das manifestações culturais, conseguimos dialogar com a sociedade, provocar reflexões e dar visibilidade às vivências das mulheres. No Baque Mulher, utilizamos a cultura popular como instrumento de conscientização, resistência e mobilização, mostrando que a arte também é uma poderosa ferramenta de enfrentamento à violência e de defesa da vida das mulheres”, comenta.
“O Circuito da Praça Afro Candanga nasce com o propósito de fortalecer esse espaço como ponto permanente de encontro das culturas afro-brasileiras, promovendo formação, celebração e valorização dos saberes ancestrais que seguem vivos nas comunidades de terreiro e nas manifestações populares. Além disso, abrir o circuito com a Mestra Joana reafirma a nossa missão com o protagonismo feminino na cultura popular”, resume a presidente do Instituto Rosa dos Ventos, Stéffanie Oliveira.
O Circuito da Praça Afro-Candanga é uma realização do Instituto Rosa dos Ventos, em parceria com a Fundação Banco do Brasil (FBB).
Programação de abertura – 7 de junho
10h – Oficina de Agbê com o grupo Zenga Baque Angola
12h - Apresentação do grupo Zenga Baque Angola (DF)
14h – Roda de conversa: Maracatu, Terreiro e Resistência Negra, com Mestra Joana (PE)
Serviço - Circuito da Praça Afro Candanga — abertura do projeto
Data: 7 de junho (domingo)
Local: Praça dos Orixás — Setor de Clubes Esportivos Sul, Trecho 2
Entrada gratuita
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