Caravana Nossa Gente inicia percurso por Campos dos Goytacazes com encontros marcados por ancestralidade, diálogo e resistência

 Caravana Nossa Gente inicia percurso por Campos dos Goytacazes 

com encontros marcados por ancestralidade, diálogo e resistência  

Campos dos Goytacazes foi a primeira cidade a receber a Caravana Nossa Gente, iniciativa dedicada à promoção da igualdade racial, da liberdade religiosa e à valorização da cultura afro-brasileira. Durante os dias 16 e 17 de junho, o professor, babalawô e ativista dos direitos humanos Ivanir dos Santos participou de uma série de atividades que fortaleceram o diálogo com lideranças religiosas, educadores, agentes culturais e comunidades tradicionais do município.

A programação teve início com visitas a importantes referências locais. Entre os encontros, Ivanir esteve com o artista João Oyá e conheceu o trabalho desenvolvido pela ONG NBR, liderada por Lebron, que atua na transformação social de crianças e jovens da região. A agenda também incluiu uma visita ao Babalorixá Iranir, dirigente de uma casa regida por Logunedé, cuja trajetória de superação e atuação comunitária foi destacada como exemplo de como a fé pode caminhar ao lado do acolhimento, da solidariedade e da geração de oportunidades.

Um dos momentos centrais da passagem pela cidade aconteceu no Museu Histórico de Campos, onde Ivanir ministrou uma aula pública sobre o tema “A Intolerância Religiosa no Brasil”. A atividade integrou mais uma edição do Curso de Letramento Racial, promovido pela Subsecretaria Municipal de Igualdade Racial e Direitos Humanos. O encontro reuniu representantes de religiões de matriz africana, estudantes, lideranças comunitárias e integrantes da sociedade civil em uma reflexão sobre os desafios enfrentados pelas comunidades tradicionais e a importância da defesa da liberdade de crença como valor democrático. Na ocasião, o professor também apresentou e autografou exemplares do livro “Marchar Não é Caminhar”, obra que reúne reflexões sobre cidadania, resistência, memória e justiça social.

O segundo dia da caravana foi dedicado à escuta e ao fortalecimento dos vínculos com as comunidades tradicionais de Campos. Ivanir visitou diferentes casas de axé, onde ouviu relatos sobre fé, resistência e o trabalho social desenvolvido pelos terreiros junto às comunidades. Os encontros passaram por casas dedicadas a diferentes orixás, revelando a diversidade, a riqueza cultural e o compromisso dessas lideranças com a preservação dos saberes ancestrais.

Encerrando sua passagem por Campos dos Goytacazes, Ivanir participou da I Mostra de Cantigas de Capoeira: Vozes da Planície Goytacá, realizada no Teatro de Bolso. Recebido por Totinho Capoeira, uma das referências da capoeira no município, Ivanir acompanhou uma noite marcada pela celebração da ancestralidade, da musicalidade e da resistência cultural afro-brasileira. O evento reuniu mestres, praticantes e admiradores da capoeira, com a participação de 12 associações do município, que apresentaram cantigas responsáveis por preservar histórias, ensinamentos e tradições transmitidas de geração em geração.

Um dos momentos mais representativos da noite foi a homenagem ao Mestre Tinga, importante referência da capoeira na região. Em reconhecimento à sua trajetória e à contribuição para a preservação dessa manifestação cultural afro-brasileira, Ivanir dos Santos entregou ao mestre um certificado de reconhecimento, celebrando sua dedicação à formação de novos capoeiristas e à valorização da cultura popular. A homenagem reforçou a importância dos mestres como guardiões dos saberes ancestrais e da memória do povo negro, em sintonia com a proposta da Caravana Nossa Gente de valorizar lideranças e histórias que fortalecem a identidade cultural brasileira.

Ao final da visita, a Caravana Nossa Gente deixou em Campos dos Goytacazes uma mensagem de valorização da diversidade, respeito às diferenças e fortalecimento das identidades culturais. Mais do que uma agenda de atividades, a passagem pelo município foi marcada por encontros que reafirmaram a importância da memória, da ancestralidade e da construção coletiva de uma sociedade mais justa e plural.

Fotos de João Victor Vasconcelos 



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