Últimas apresentações de “Entre a Cruz e os Canibais” no Teatro Ruth Escobar
Em cartaz até 17 de maio, a comédia farsesca escrita e dirigida por Marcos Damigo revisita, com humor ácido, as origens de São Paulo e tensiona o mito bandeirante.
Cena de Entre a Cruz e os Canibais - Foto: Heloisa Bortz
Após duas temporadas de sucesso, o espetáculo Entre a Cruz e os Canibais entra em suas últimas apresentações no Teatro Ruth Escobar, em São Paulo. A montagem segue até o dia 17 de maio, no sábado, às 20h, e no domingo, às 19h.
Em tom de comédia farsesca, a peça revela, com humor e crítica mordaz, aspectos pouco conhecidos dos primeiros europeus que habitaram o território paulista no final do século XVI. Ambientada em 1599, a trama acompanha quatro figuras de poder — o Juiz, o Governador-geral, o Vereador e o Procurador — em meio a uma crise política provocada pelo sequestro ilegal de indígenas aliados, colocando em risco a estabilidade da pequena vila isolada do restante do mundo europeu.
A iminente chegada do governador-geral Dom Francisco de Souza intensifica os conflitos e escancara interesses econômicos, disputas de poder e as contradições da colonização. Com linguagem popular e forte influência da tradição farsesca brasileira, o espetáculo questiona a narrativa histórica romantizada sobre a formação de São Paulo.
“Criamos uma comédia de escárnio, que revela o grotesco por trás de uma narrativa histórica muitas vezes naturalizada. O humor foi a maneira encontrada para provocar reflexão crítica sobre esse passado”, afirma Marcos Damigo.
A encenação aposta em elementos visuais e sonoros que aproximam passado e presente. O figurino dialoga com referências do modernismo e da tropicália, enquanto o cenário artesanal, composto por lonas pintadas à mão, reforça o caráter crítico da montagem.
No elenco, estão José Rubens Chachá, Fábio Espósito, Daniel Costa e Thiago Claro França, que também assina a música ao vivo ao lado de Adriano Salhab, responsável pela direção musical e trilha original.
O espetáculo integra a pesquisa continuada de Marcos Damigo sobre a história do Brasil e conta com consultoria dramatúrgica de Luís Alberto de Abreu, além do apoio de historiadores como Paulo Rezzutti e Rodrigo Bonciani.

Comentários
Postar um comentário