Nadine, novo trabalho de Luiza Romão, une spoken word e história policial para discutir violência de gênero
Com texto, encenação e performance de Luiza Romão, espetáculo passa pelo Sesc Belenzinho e o Sesc Avenida Paulista entre maio e junho
vCrédito: Tamara dos Santos
Inspirada em reflexão da filósofa canadense Cressida J. Heyes sobre violência sexual contra vítimas adormecidas, a adaptação teatral de Nadine, de Luiza Romão, investiga o trauma, a memória e a subjetividade a partir de uma narrativa feminista em chave noir.
Definido como uma história de detetive contada em versos, o livro Nadine (2022), de Luiza Romão, ganha uma adaptação para o teatro. A peça estreia no Sesc Belenzinho entre os dias 9 e 17 de maio, aos sábados, às 19h, e, aos domingos, às 16h. Depois, faz mais duas apresentações no Sesc Avenida Paulista, nos dias 26 e 27 de junho, sexta e sábado, às 20h.
Na trama, uma jovem decide investigar o próprio crime, depois de ser assassinada em um prédio de três andares. A obra é uma narrativa femininsta que flerta com o romance noir e com filmes de Quentin Tarantino e de Martin Scorsese. Em cena está a própria Luiza Romão.
“Nadine é uma jovem terrível: faz barulhos de madrugada, incomoda as pessoas, rouba correspondências dos vizinhos. Certa noite, na saída do bar, ela é dopada com flunitrazepam e assassinada. Por considerá-la uma ‘vítima não-ideal’, a polícia rapidamente descarta o caso e a personagem passa a investigá-lo no pós-vida com a ajuda dos vizinhos”, conta Luiza.
A peça flerta com a linguagem da radionovela, trazendo participações especiais em várias línguas por meio de áudios, com as vozes de Beto Bellinati, Dandá Costa, Daniel Sharp, Eugenio Lima, Ícaro Rodrigues, Maria Costa, Lilith Cristina, Michael Nazarkovsky, Roberta Estrela D'Alva, Rodolfo Dias Paes, Tai Veroto, Verónica Colasanto e Yaissa Jimenez.
“Dialogo principalmente com um texto da filósofa canadense Cressida J. Heyes sobre casos de violência sexual em que as vítimas estão inconscientes (dormindo ou sob efeito de substâncias químicas). Em seu livro Anaesthetics of Existence, Heyes investiga este tipo de trauma e os desdobramentos que isso provoca na subjetividade”, afirma a performer.
O compositor, poeta e escritor José Paes Lira, Lirinha, que assina a direção musical do espetáculo, desenvolveu a trilha sonora original levando em conta o percurso artístico de Luiza. “Ela vem de uma forte experiência com a poesia falada. Uma escola artística onde o corpo da voz constrói sentimentos e lugares imaginários. O meu trabalho nesse projeto de sonoplastia foi entender essa vivência de Luiza e estender esse conhecimento por toda a narrativa, através do som das coisas”, revela.
Assim a paisagem sonora é construída com interferências acústicas e participações gravadas. Através das falas e ambiências construídas, o som se torna uma presença quase-corpórea, levando o espectador para rodoviárias pequenas, galerias de arte e apartamentos alheios. Além disto, a trilha também possui canções originais feitas a partir dos poemas do livro e inspiradas em Serge Gainsbourg e Tom Waits. “A trilha original do espetáculo NADINE é composta por vozes de quase duas dezenas de atrizes e atores convidados e paisagens sonoras que dialogam intensamente com a personagem em cena. São gravações investigativas, diários sonoros dos personagens que moram no mesmo prédio da protagonista, registros de áudios de lugares públicos, depoimentos radiogravados e música construída com ruídos desse cotidiano ficcional”, afirma Lirinha.
Em meio a tantas referências e áudios, cabe aos espectadores imaginar todas aquelas memórias. “Ao ouvir um som e não enxergar a fonte emissora dele, cria-se uma sensação de fantasmagoria, algo onírico que atravessa a história de Nadine, essa detetive-defunta”, acrescenta Luiza.
A luz e o cenário de Marisa Bentivegna remetem a dois ambientes: o doméstico, onde comumente acontece a maioria dos casos de violência de gênero; e o do Museu do Prado, onde Nadine e sua aliada, Lana Juarez, fazem um estudo de campo. Neste segundo ato, o público escuta uma espécie de áudio-guia apresentando quadros de Velázquez, Goya, Tintoretto, entre outros, nos quais as mulheres estão em posições de vulnerabilidade, sono ou sofrimento.
“Estamos vivendo um momento em que a misoginia está escancarada e os casos de feminicídio estão aumentando muito. Nesse cenário, é fundamental ampliarmos os espaços de debate sobre violência de gênero”, defende Luiza.
Endereço: R. Padre Adelino, 1000 - Belenzinho, São Paulo - SP
Ingresso: Dias 9 e 10 de maio https://www.sescsp.org.br/
Dias 16 e 17 de maio gratuito pela Semana S, retirada de ingressos disponíveis no portal sescsp.org.br a partir de 15/5 às 14h online, limitado a 4 ingressos por CPF
SESC BELENZINHO
Estacionamento
De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h.
Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 8,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 17,00 a primeira hora e R$ 4,00 por hora adicional.
Transporte Público
Metro Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)
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