Sinopse do enredo da Dragões da Real : "Sob as bênçãos de Xangô: a coroação do príncipe Reinaldo "

 Sob as bênçãos de Xangô: a coroação do príncipe Reinaldo 

Carnavalesco: Jorge Freitas 

Enredista: Rafael Villares 

Introdução 

Sob as bênçãos de Xangô a justiça e verdade são consagradas. Hoje no templo do samba, a ancestralidade do quilombo que resiste mantendo viva as tradições, vêm coroar o príncipe transformando-o em verdadeiro Rei da passarela. Numa grande Kizomba que mistura fé, história e musicalidade, a Dragões da Real presta uma homenagem póstuma, mas reafirma a imortalidade de Reinaldo como um pilar fundamental para a cultura popular brasileira e para a história do samba

Sinopse 

Descalço e sem camisa ia eu por aí; no tempo de moleque eu só andava assim. Na realidade, eu tive que aprender a trilhar alguns caminhos diferentes… foi aí que o samba me salvou! Eu saí do morro, mas nunca abandonei o que aprendi com o povo: lutar pelos meus ideais e amar o próximo como a mim mesmo. E o que eu mais desejo é viver a paz! Em Cavalcanti, terra onde a ousadia imperial concretizou o desejo de expansão da monarquia, o samba nasceu em cima da hora. Marcado pela própria natureza, foi nesse terreiro de bamba que aprendi, com a sorte do mundo em que vivia, as tradições e tudo o que o samba me oferecia. 

No chacoalho sincopado do trem, a vida me conduz a uma viagem ao encontro do meu futuro. É nesse caminho que entendo que a locomotiva é origem, caminho e destino que já estavam escritos: o samba é o meu lugar. Eu vou ficar no meio da roda de samba, do lado dessa gente bamba. Não tem vela, não tem vento que leve meu barco desse mar, onde vou afogar as minhas mágoas e expressar todo o meu sentimento: o amor mais profundo. Para a dona do mar fiz oferendas, entreguei flores para exalar perfume no ar e lindas prendas. Ao ouvir o seu divino canto, percebi do que ela falava: que o Espírito Santo me deu todos os encantos e me ensinou que amor com amor se paga.  

Chegando nas encruzilhadas da terra da garoa com o povo da rua me deparei, vestido de verde e branco, me achei. No samba nosso de cada dia me esbaldei, cresci, vivi, acertei e errei. Muitas pessoas conheci… com a Rainha do Samba, nossa joia rara, me encantei e  aprendi. Fonte de inspiração, no reflexo do espelho, aprendi o que é identidade com João. Não demorou e logo já estava nas paradas de sucesso. Com retrato cantado de um amor, conversei com o meu coração e me senti como um pecador aos pés da cruz, ao expor ao mundo minha voz e meus sentimentos nessa canção. A luta foi difícil, mas não desisti. Lembro, sim, maus momentos passei; mesmo assim, superei e aprendi que é só ter fé em Deus. Minhas crenças, minha fé e meu axé me acompanharam. Todas as vezes que anoiteceu, Santa Luzia a luz do dia clareou e, com seu imenso amor, me remediou. Depois da tempestade, Ewá apresentou o firmamento no horizonte e me fez enxergar a vida com muito mais cor. Percebi que, depois da tempestade, as cores voltam a surgir. 

O samba começou a ser chamado de pagode, e eu não fiquei de fora! Com brilho no olhar, não deixei o tempo apagar a minha história. Segui cantando sob a lua prateada o mais sublime sentimento que, mudo como uma cena de cinema antigo, tem linguagem própria e se manifesta através dos gestos e das atitudes. Chorei sem querer chorar; por amor fui vencido, traído… esquecido — um verdadeiro pecado fizeram comigo. 

Veja bem, o título de majestade veio pelas ondas do rádio. Por manter as tradições do samba raiz e cantar como um trovador, minhas canções são verdadeiras serenatas: cartas de amor que falam sobre reconciliação, saudade e amor. A fé sempre a me guiou; acendi velas para as almas, rezei para o meu protetor. Sob as bençãos de Xangô fui coroado como o príncipe do pagode. Pra finalizar, resumindo a minha história: hoje, no templo do samba, a Dragões da Real e todo o povo se curvam para me coroar de príncipe a rei da passarela, nessa homenagem que ficará eternamente na memória de cada sambista: a coroação do príncipe Reinaldo! 

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