Sarau marca encerramento do projeto “Leituras na Favela” da Maré
Ação promove encontro cultural e celebra o impacto da leitura na formação de crianças e jovens da comunidade
Após três meses de duração, o projeto “Leituras na Favela” prepara um encontro cultural de encerramento das atividades, que acontecerá na próxima terça-feira, dia 12 de maio, com apresentações de poesias, música, literatura e dança, tendo os responsáveis como convidados.
O Projeto Leituras na Favela completa cinco anos realizando oficinas gratuitas de literatura no Complexo da Maré. O projeto, que tem como objetivo formar um público engajado na leitura a partir da infância, valorizando o protagonismo negro, indígena e feminino, é realizado todas as terças-feiras na Biblioteca Municipal Jorge Amado, que fica na Areninha Cultural Herbert Vianna, com alunos das escolas públicas da região.
Com uma equipe majoritariamente formada por pessoas negras e moradores de favela, a iniciativa conta com dez colaboradores e 46 crianças. Durante os encontros são vivenciadas rodas de conversa e atividades artísticas, e os participantes também receberam lanche e kit leitura.
“Compreendemos que a maioria dos nossos beneficiários são crianças que vivem em contexto de desigualdade social, em sua maioria negra, por isso a importância de garantia de um lanche nutritivo. Toda a estrutura da biblioteca está adaptada para receber pessoas com deficiência, com rampas e banheiros recém reformados”, destacam os idealizadores Anderson Oli e Camila Mendes.
Anderson é morador do Complexo da Maré, ator, artista visual, documentarista, educador popular, graduando em Letras-literaturas na UFRJ, com trabalhos desenvolvidos no audiovisual e com arte-educação. E Camila Mendes é professora de Língua Portuguesa e Literatura, moradora da Maré e coordenadora metodológica do projeto Leituras na Favela – EJA: Eles Leem!
Com duração de três meses, as oficinas promoveram o acesso a direitos básicos por intermédio da leitura.
Mais livros, menos telas
A ideia para o Leituras na Favela surgiu em 2021 com a leitura dos livros da banca examinadora da UERJ para o vestibular. Dez jovens participaram da atividade entre janeiro e julho por vídeo chamada. Foi quando os educadores comprovaram a precarização dos recursos públicos para a educação e inúmeras outras dificuldades estruturais. Além disso, perceberam que o tempo de exposição às telas trazia grandes desafios na concentração e na capacidade de interpretação dos jovens.
Para a formação das turmas, os idealizadores visitam escolas da região, instituições locais e divulgam nas redes sociais. Ao visitar os espaços e apresentar as atividades, Anderson e Camila começaram a conquistar os alunos: “Ao incentivar a leitura a partir da conexão do livro e das histórias, interagimos com os outros leitores frente a frente, sem telas. Acreditamos que o acesso à leitura amplia as oportunidades e melhora o repertório sociocultural. O livro nos possibilita conhecer e refletir sobre a nossa vida e a vida de outras pessoas reais, por isso gera tanta identificação”.
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