“O Reino de Jorge” faz únicas apresentações na Glória com inspiração em Shakespeare e toque carioca
Peça teatral surge a partir da “necessidade de reconhecimento” de companhia de artes da Zona Norte do Rio
Um jovem que sonha em ser artista e se vê numa encruzilhada após o assassinato do pai. É com essa premissa que a Oficina Estilhaça apresenta o espetáculo musical ‘O Reino de Jorge’, no Teatro Sérgio Britto, na Glória (RJ), com únicas apresentações nos dias 28, 29, 30 e 31 de maio. A peça é baseada nas obras de William Shakespeare, que nessa versão foi englobada à aspectos típicos da vivência carioca. O espetáculo tem sessões sempre às 19h com valores a partir de R$35,00.
A origem da apresentação surge a partir de uma “necessidade de reconhecimento”. “Somos uma companhia da Zona Norte e já fizemos vários musicais, mas nos faltava um brasileiro. Como diretor, compreendi que essa era a hora de valorizar o que e quem somos. Deixar que o elenco faça as pazes com a própria origem e história”, explica o diretor da peça, Matheus Raineri. Ele afirma que o público pode esperar uma exibição digna de filme. “É definitivamente um espetáculo cinematográfico. Uma mistura de tudo o que a gente já gostou de ver na TV, mas agora, ao vivo. A peça é uma ‘teia de aranha’; o mosquito que parar nela, vai ser devorado. Tudo se cruza, se mistura e em velocidade”.
Sinopse: “O Reino de Jorge” traz a história de Hamilton (Bernardo Alexandre), um jovem da periferia do Rio de Janeiro que decide romper com as expectativas impostas pela violência e pela origem humilde de sua família a fim de um objetivo: seguir o sonho de se tornar artista. No entanto, sua trajetória toma um rumo inesperado quando ele é confrontado com o assassinato do pai — que passa a visitá-lo em sonhos, clamando por vingança. A partir daí ele mergulha em um conflito profundo entre destino, desejo e justiça, em um universo onde todos os personagens dialogam com arquétipos shakespearianos.
O processo criativo passou por diversas obras, como ‘Macbeth’, ‘Otelo’, além de ‘Romeu e Julieta’, todas do mesmo autor.
“Nosso musical cruza mais de 8 peças de Shakespeare, porém, durante a pesquisa, entendemos que ‘Hamlet’ é a maior delas. O mover da exibição é a vingança de Hamilton pela morte do pai; a vingança corrói ele por dentro e cria uma reviravolta em sua vida. Além disso, Hamilton se inscreve em um projeto social de teatro - como o nosso - e decide fazer um espetáculo sobre as próprias vivências - como a gente -. É a metalinguagem shakespeariana aqui incorporada na nossa vivência”, revela Matheus.
O diretor fala um pouco sobre quais pontos pegou do drama original e adaptou para ‘O Reino de Jorge’. “Eu começo com os coveiros. Tal como em ‘Hamlet’, os meus coveiros do cemitério de Irajá contam a história a partir dos corpos que entram pelo local. Tentando não dar spoiler, mas Hamilton tem sonhos com o pai e é essa perturbação mental que faz ele querer entrar na facção comandada pelo o que ele suspeita ser o assassino do pai. Isso cria uma grande distorção na vida dele que sonhava em ser artista. Hamilton, tal qual o Hamlet, não é herói e nem vilão, mas humano, com sua sede de poder e vingança, justiça e liberdade”, conta.
O nome “Jorge” no título é uma referência ao santo guerreiro, que na apresentação tem um papel voltado ao lado simbólico. “Ele é a nossa alegoria. Contamos sua presença, não sua história. Aqui, a narrativa de suas batalhas está na luta diária do que é ser suburbano. A figura de São Jorge é um personagem, ‘Ogum’, que apenas com trabalho corporal vai fazendo um prefácio sobrenatural das cenas, costurando-as”, diz Raineri.
O espetáculo traz à plateia momentos em que serão lembradas sonoridades que compõem o dia a dia, com um coro de 25 atores preparados para cantar e dançar ao vivo. Diferente de outras atrações, esse evento promete não seguir um estilo considerado inerte. “Nós trouxemos nossas narrativas para a cena. Acho que estaremos diante de um musical para cantar junto. Eu já estava incomodado com os musicais que cantam o texto, mas que o público precisava acompanhar passivamente. Aqui vamos cantar Jorge Aragão, Milton Nascimento, Rita Lee, MC Marcinho, Claudinho e Buchecha, que estão colocados a favor da peça”, ressalta o diretor.
Ele completa ao afirmar que a exibição não fica restrita apenas ao teatro da Glória e que vai percorrer por mais bairros do Rio de Janeiro. “Assim que estrearmos ‘O Reino de Jorge’, já seguiremos para a Gávea, depois para outros teatros e espaços públicos, levando nossa linguagem, nossos elencos, nossa suburbanidade”, finaliza Matheus.
A venda de ingressos está disponível pelas redes sociais da Oficina Estilhaça, no https://www.sympla.com.br/
Instagram oficial https://www.instagram.com/
O Reino de Jorge
Data: 28/05 a 31/05
Horário:19h
Local: Teatro Sérgio Britto - R. Santo Amaro, 44 - Glória, Rio de Janeiro
Duração: 140min
Classificação indicativa: 16 anos
Lotação: 90 lugares (sentados) + piso de tábua corrida
Valor: R$ 35,00
Ingressos: https://www.sympla.com.br/
Ficha técnica
Direção artística: Matheus Raineri
Direção musical: Nakiska Muniz
Coreografias: Maria Carolina
Dramaturgia: Construção coletiva com supervisão de Matheus Raineri
Iluminação: Mika Cordeiro
Figurino: Construção coletiva
Direção de produção: Edneia Raineri
Elenco: Layla Santos, Bernardo Alexandre, Crystal Assis, Naluz Viana, Fernanda Évora, Fernando Salvier, Bruna Souto, Akin e grande elenco.
Assessoria: Ribamar Filho e Victor Santos (MercadoCom)


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