Novo álbum d’Os Garotin vira exposição de arte no Rio de Janeiro com obras inspiradas nas músicas Clique para ensinar ao produto Gmail que esta conversa é importante
Novo álbum d’Os Garotin vira exposição de arte no Rio de Janeiro com obras inspiradas nas músicas
A música ganha forma, cor e materialidade no novo projeto d’Os Garotin. Para marcar o lançamento de “Força da Juventude”, segundo álbum do trio, o grupo apresenta uma exposição inédita que desdobra as faixas do disco em obras visuais, transformando o álbum em uma experiência que vai além da música.
A iniciativa reúne 12 artistas de diferentes regiões do Brasil, convidados a criar trabalhos autorais a partir da escuta das músicas. A seleção parte da curadoria de Iuna Patacho, Pedro Treiguer e Anchietx, que busca reunir diferentes trajetórias, linguagens e perspectivas, ampliando o alcance do projeto e evidenciando novos nomes da cena contemporânea. Nesse processo, cada artista desenvolve sua própria leitura visual das faixas, com obras que respondem às atmosferas, narrativas e sentimentos presentes no álbum.
“Foi incrível poder pensar esse projeto de uma forma meio metalinguística. Pensar a arte através da arte. Pensar nas artes visuais a partir das músicas apresentadas. Foi um desafio maravilhoso e intrigante. Quando convidamos cada artista, não fazíamos ideia do resultado que sairia dali, só tínhamos a certeza de que daria muito certo! Misturar duas linguagens distintas é sempre desafiador, sobretudo quando os envolvidos são pessoas tão diferentes, com bagagens de vida diferentes, o que confere pontos de vista e lugares de fala diferentes. E talvez esteja aí mesmo a beleza do projeto todo. Ampliar essa visão de mundo”, diz Iuna Patacho, curadora da exposição d’Os Garotin e produtora do Museu de Arte do Rio, Gestora Cultural, Cientista social, produtora do carnaval de rua do RJ.
Na obra inspirada em “Se Joga”, Emerson Rocha parte da escuta repetida da faixa para chegar à imagem: “antes de rascunhar qualquer coisa, ouvi várias e várias vezes a música pra entender o que queria expressar. ‘Se joga’ virou esse dia tranquilo na praia, onde o tempo passa devagar, a conversa rende e a vida parece leve. Pra mim, a força da juventude também está nisso: cultivar esses momentos e seguir sonhando”.
Em “Baby Não Vá”, Pandro Nobã descreve o processo como intuitivo e guiado pelo som: “poder ouvir a música enquanto pintava foi como um ritual. As pinceladas seguiam o ritmo, criando esse vasto jardim de flores amarelas. A arte surge como continuidade, como algo que nos permite seguir e também abrir caminhos pra quem vem depois”.
Pandro Nobã ( pandronoba) – Apreciar-te as flores, 2026. Óleo sobre tela
Em “Deixa eu Te Encontrar” intimidade aparece como eixo na obra de Kika Carvalho: “o que me pegou foi essa sensação de trânsito entre paixão e amor, que exige um olhar mais próximo. Acho que a música também é sobre isso – intimidade, esse lugar onde não existe mais vergonha de demonstrar o que se sente”.
A diversidade estética se amplia em “Soul Brasileiro”, de Elian Almeida, que buscou fugir da literalidade: “a música tem uma levada que mergulha no universo cultural brasileiro, mas eu não queria transformar diretamente o que eu escutava em imagem. Busquei referências em pôsteres de festivais dos anos 80, pensando em movimento, dança e encontro”.
Elian Almeida (@elianalmeidaaa) – Soul Brasileiro, 2026. Acrílica sobre tela.
Já Maria Ismália, em “Falador”, constrói uma narrativa atravessada por tempo e espiritualidade: “receber essa música foi como uma flecha no peito. Existe algo nela que fala da fé como movimento. Meu processo nasce desse lugar – da permanência, do cultivo e da ideia de seguir, mesmo depois dos pesares. ‘A fé é meu suporte’ ficou muito forte pra mim”.
Maria Ismália – Colheita, 2026. Acrílica sobre tela
Inspirada na canção “Hoje Eu Vou Me Dar Bem”, a obra de Renata Leoa retrata uma paisagem carioca atravessada por cor, movimento e sensação de liberdade. Partindo da relação entre som e imagem, a artista utiliza ritmo e melodia como elementos que orientam a construção visual da pintura.
O cenário escolhido é o Morro do Fallet, comunidade onde Renata viveu por um período e pôde observar as conexões visuais e afetivas entre o morro e o bairro de Santa Teresa. Na composição, cores vibrantes e formas marcantes ajudam a construir a atmosfera de um dia quente e ensolarado, enquanto a presença da van sugere deslocamento, circulação e expectativa pelos encontros que atravessam a cidade.
Renata Leoa – Hoje Eu Vou Me Dar Bem, 2026. Acrílica sobre tela.
Em “Ogunhê”, Blecaute constrói uma obra atravessada por símbolos de proteção, ancestralidade e resistência negra. Inspirado pela faixa e pela juventude periférica de Fortaleza, o artista retrata um jovem homem negro cercado por referências aos adinkras e à espiritualidade de Ogum, propondo uma reflexão sobre potência, sobrevivência e futuro. A pintura parte da ideia de que a arte também é uma ferramenta de fabulação e permanência, capaz de narrar histórias muitas vezes invisibilizadas e transformar corpos negros em símbolos inevitáveis de existência e força.
Tainan Cabral desenvolve a obra partindo de uma relação sensorial entre som e imagem. Para o artista, o processo de criação das pinturas e colagens nasce justamente da construção de atmosferas visuais a partir das sensações despertadas pela música, transformando ritmo, melodia e emoção em cores, formas e elementos que dialogam com a realidade proposta pela faixa, traduzindo esse encontro entre percepção e imaginação, ampliando visualmente os sentimentos presentes na canção.
Já Amanda Nunes, em “Calor e Arrepio”, transforma a experiência da paixão em memória afetiva e celebração do amor como força vital. Inspirada pela atmosfera da faixa, a artista constrói uma cena que mistura intimidade, desejo e pertencimento, em que elementos da paisagem amazônica surgem como extensão emocional do encontro retratado. A obra propõe o amor como espaço de bem viver, deslocamento e potência, transformando o quarto em um lugar de devoção, afeto e lembrança.
Na colagem “Onde se encontra”, Alexia Ferreira aborda o pós-término e os caminhos de reconstrução emocional a partir das redes de apoio femininas. Inspirada pela faixa “Baby Não Vá”, a artista utiliza símbolos ligados à ancestralidade e à proteção para representar amizade, acolhimento e fortalecimento coletivo, reunindo elementos como tranças, búzios e espadas de São Jorge em uma composição que transforma memória e afeto em arquivo visual.
Já em “Nós – na piracema do meu olhar”, Tassila Custodes traduz o amor como travessia e movimento contínuo. A partir da imagem da piracema, a artista relaciona afeto, insistência e entrega, criando uma narrativa visual que aproxima o amor da arte e do deslocamento interior. A obra nasce da ideia de atravessar correntes emocionais para alcançar um lugar de reconhecimento e inteireza, refletindo a intensidade sensível presente nas faixas do álbum.
Tassila Custodes – Nós – na piracema do meu olhar, 2026. Acrílica sobre tela.
Em “Por Nós”, Marcos da Matta parte da faixa “Simples Assim” para refletir sobre amizade, acolhimento e redes de apoio. A obra discute a importância de relações seguras e afetivas, especialmente entre homens, como espaços de escuta, vulnerabilidade e construção emocional. A pintura propõe um olhar sobre como vínculos de amizade podem atravessar momentos difíceis e contribuir para trajetórias menos solitárias e mais sensíveis.
Marcos da Matta – Por Nós, 2026. Acrílica sobre tela
Mais do que uma ação paralela ao lançamento, a exposição se insere no próprio conceito de “Força da Juventude”, que propõe a juventude como um estado de movimento, troca e construção coletiva. Com 13 faixas e participações de nomes como Lenine, Liniker, Marina Sena, BK’ e Arthur Verocai, o álbum já nasce expandido, atravessando diferentes gerações, estéticas e formas de expressão.
Apresentadas ao público no evento de lançamento, no Circo Voador, no dia 5 de maio, as obras transformaram o disco em uma experiência imersiva, em que som e imagem se complementam. Cada artista ofereceu uma leitura própria das músicas, evidenciando a diversidade de olhares que compõem o projeto.
Após a estreia, os trabalhos seguirão em circulação por meio de um leilão beneficente, com renda destinada à compra de instrumentos para instituições de São Gonçalo. A iniciativa reforça o compromisso coletivo que orienta o projeto, conectando produção artística, acesso à cultura e impacto social.
“Desde o lançamento do primeiro álbum, já tínhamos o desejo de doar violões amarelos para instituições de São Gonçalo. Existe entre os meninos a vontade de retribuir no possível para a cidade que os criou. Acreditamos que a arte como um todo tem um poder de transformação social, seja na música, artes plásticas, dança ou qualquer outra expressão artística. É através dessa mistura e do poder do coletivo que enxergamos a força da juventude que não tem a ver exatamente com faixa etária e sim com uma energia visceral que movimenta, mobiliza, constrói!”, finaliza Pedro Treiguer, curador e produtor executivo d’Os Garotin.
OUÇA FORÇA DA JUVENTUDE EM TODAS AS PLATAFORMAS DIGITAIS NO DIA 14 DE MAIO!
EXPOSIÇÃO FORÇA DA JUVENTUDE
OBRAS DA EXPOSIÇÃO:
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