[MÚSICA] Ritmos afrodiaspóricos em ascensão, blues e jazz encontram novo fôlego entre jovens brasileiros

 

Ritmos afrodiaspóricos em ascensão, blues e jazz encontram novo fôlego entre jovens brasileiros

No panteão dos artistas em atividade da cena blues/rock brasileira, o guitarrista e filho do lendário Álvaro Assmar, Eric Assmar, afirma que o blues tem presença autêntica dentro da Música Popular Brasileira.




A cena do blues nacional não morreu, pelo contrário, está ainda mais viva. O ritmo que atravessou o sul dos Estados Unidos em direção ao Brasil, a partir dos cantos entoados em lavouras de algodão, se popularizou com riffs do bluesman brasileiro Álvaro Assmar, deixando um legado a ser perpetuado por seu filho, Eric Assmar; nome confirmado na masterclass do Festival Salvador Jazz, dia 27 de maio


No panteão dos maiores artistas em atividade no cenário blues/rock brasileiro, Eric é guitarrista, assim como o pai, que não deixa esconder seu amor pelo blues. Com os ritmos afrodiaspóricos ganhando território entre os jovens, o winner do Prêmio Caymmi de Música, na categoria "Melhor Instrumentista", afirma que a cultura no país é conectada diretamente à diáspora africana, tendo herdado o protagonismo dos instrumentos de percussão rítmica nessa conexão ancestral.


“Ao longo dos anos, o blues se tornou uma grande espinha dorsal da música popular estadunidense, tendo uma ligação muito forte com o jazz e sendo a grande inspiração para o surgimento do rock. Desta forma, a disseminação global dessa música viabilizou sua chegada em outros territórios e, no Brasil, é muito marcante a influência do rock no processo de sedimentação de uma cena de blues no país”, diz. 


Eric Assmar, que integra à programação dos cinco dias do Festival Salvador Jazz – maior programação de jazz e ritmos afrodiaspóricos em maio no Brasil, entre os dias 27 e 31 de maio, conta que o blues tem presença estética dentro da Música Popular Brasileira. “Fruto dessa disseminação global que iniciou na primeira metade do século passado”, explica. 


Na visão artística do cantor, esse é um momento de interesse crescente pelo blues e pelo jazz por parte dos jovens. “Eu atribuo esse momento a fatores como a facilidade de acesso que as novas plataformas vêm proporcionando e o crescimento do número de festivais dedicados ao segmento no Brasil, além da tendência atual no consumo de catálogos de artistas ‘clássicos’ dos gêneros”, afirma.  


O guitarrista enxerga com entusiasmo a renovação da música como organismo vivo, que está sempre sujeita a ser reelaborada, vista através de novos ângulos e de um novo contexto. “Acho que é plenamente viável um caminho em que haja estímulo para novas produções, sem negar a história, sem deixar de prestar o devido reconhecimento aos protagonistas que traçaram o caminho até aqui, bem como todo o histórico de resistência relativo às trajetórias do blues e do jazz”, conclui. 


Ao final do mês, o bluesman se junta ao baterista Tedy Santana e a professora Marília Sodré (SAMBAIANA), para os encontros que antecedem o line-up do Festival Salvador Jazz. Nesta edição, o maior evento de jazz, blues, R&B e ritmos afrodiaspóricos da temporada traz nomes como Sandra Sá, Amaro Freitas, A Cor do Som, Aguidavi do Jêje, Skanibais e Grupo Garagem, entre os dias 27 e 31 de maio.

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