GRÁTIS nesta sexta Museu Bispo do Rosario inaugura exposição de longa duração e amplia acesso para pessoas com deficiência no Rio
Museu Bispo do Rosario inaugura exposição de longa duração e amplia acesso para pessoas com deficiência
"Atos da Apresentação" reúne produções de Arthur Bispo do Rosario a documentos históricos e arte contemporânea; projeto de acessibilidade inclui a reprodução de obras táteis e piso adaptado, além de mapas e parcerias com escolas públicas O Museu Bispo do Rosário abre ao público, a partir do próximo dia 29 de maio (sexta-feira), sua exposição de longa duração. 'Atos da Apresentação' toma vida e a obra de Arthur Bispo do Rosario como fio condutor para uma travessia pelas camadas históricas da Colônia Juliano Moreira, território da renomeada Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, que carregou por décadas estigmas extremamente pejorativos e hoje se afirma como bairro vivo, produtor ativo de cultura e memória. Simultaneamente, a instituição avança em seu projeto de acessibilidade física, com ações que abrem as portas do museu a visitantes com deficiência visual.
A exposição articula seis eixos conceituais interligados: a apresentação da trajetória de Bispo do Rosario; a figura de Juliano Moreira para além da Colônia que leva seu nome; a transformação do território; a coletividade feminina que o marcaram; a luta antimanicomial; e o eixo Sonhos que vencem. Cada eixo acumula camadas de percepção que, juntas, recusam imagens estereotipadas de violência e subserviência sem apagar os fatos que ali se deram.
A mostra reforça o protagonismo de Bispo e marca a retirada dos objetos e artefatos como aparelhos de eletroconvulsoterapia, tiras de contenção e utensílio destinado a procedimentos de lobotomia e que remetiam à dor daqueles que foram institucionalizados. Antes expostos ao lado das obras de arte, esses instrumentos médicos utilizados para ''tratamentos'' na época do funcionamento do complexo manicomial deixam a exposição para integrarem o acervo e seguirão disponíveis para pesquisadores. "A retirada é um ato que simboliza a nova direção curatorial", ratifica Carolina Rodrigues, curadora geral do Museu Bispo do Rosario, ao endossar o posicionamento que o museu vem adotando desde a elaboração da exposição dos "100 anos da Colônia Juliano Moreira" realizada em 2024.
Carolina Rodrigues conta ainda que a curadoria não se debruçou apenas sobre a apresentação do mundo somente sob a perspectiva do artista que dá o nome ao Museu. ''Mais do que isso, nos voltamos à apresentação de um dos mundos que tiveram a Colônia Juliana Moreira como ponto de convergência. Nesse território que durante décadas ficou conhecido como 'Fim de Linha', compreender suas histórias é fundamental para que imagens de flagelo e subalternidade não permaneçam atreladas a um bairro efervescente, de grande extensão territorial, que conta com vários agentes na manutenção de sua memória e na produção ativa das histórias que ainda estão por vir''.
Ao lado da produção expressiva de Bispo, a mostra dá lugar a obras de Antônio Bragança e Stella do Patrocínio e à presença incontornável do Ateliê Gaia. Documentos históricos despachados pelo próprio Juliano Moreira — figura central na ruptura com as ideias de inferioridade racial e degeneração associadas às populações subalternizadas e no desenvolvimento de tratamentos integrados à política de saúde pública — costura memória local a registros do passado manicomial com conquistas da Reforma Psiquiátrica, iniciada no Brasil nos anos 2000, através do movimento antimanicomial que teve início ainda nos anos 80 e capitaneado por trabalhadores da área da saúde, usuários dos serviços e seus familiares.
Por ser uma mostra de longa duração, 'Atos da Apresentação' prevê a substituição periódica de obras, especialmente, as de Bispo do Rosario, cujo acervo foi tombado em 2018 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A cada ciclo, o museu reorganizará a forma de documentar o território a partir de registros históricos e produções contemporâneas, projetando futuros fundados na transformação social pelo viés da arte, do cuidado e da saúde.
Museu mais acessível
Em paralelo à abertura da exposição, o Museu implementa um projeto estrutural de acessibilidade para pessoas com deficiência em suas dependências do museu. As ações estão alinhadas à Política Nacional de Museus (PNM), que orienta a democratização do acesso aos bens culturais, e reforçam o compromisso da instituição com novas formas de interface com a sociedade. Entre as ações executadas estão: a instalação de piso tátil nas dependências do museu; programa de formação para equipes e mediadores; elaboração de laudo técnico de acessibilidade e a produção de mapa tátil dos três pavimentos do prédio. Contando ainda com a criação de reproduções das obras de Bispo conhecidas como Grande Veleiro, Estandarte da Colônia e Manto da Apresentação para atividades educativas.
O projeto contempla ainda parcerias com escolas da rede pública de ensino e o oferecimento de transporte para visitas técnicas, com destaque para a colaboração com o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES). A iniciativa expande o alcance do museu para públicos historicamente afastados das instituições culturais e consolida o Museu Bispo do Rosario como espaço de inclusão efetiva.
'Atos da Apresentação é uma realização do Ministério da Cultura, Prefeitura do Rio e Secretaria Municipal da Cultura com o patrocínio do Itaú.
Sobre o Museu Bispo do Rosario
O Museu Bispo do Rosario é responsável pela guarda e difusão da obra de Arthur Bispo do Rosario, artista cujo acervo foi tombado em 2018 pelo IPHAN. Localizado na Taquara, atual Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, o museu ocupa parte do território da antiga Colônia Juliano Moreira e atua como polo de arte, pesquisa, memória e saúde comunitária.
Serviço:
Abertura - Exposição permanente | 'Atos da Apresentação' GRÁTISAtividades educativas | Visitas mediadas somente com agendamento prévioData: 29 de maio - 2026Horário: 14hLocal: Museu Bispo do Rosario End :: Estrada Rodrigues Caldas, 3400 – Taquara/RJ
"Atos da Apresentação" reúne produções de Arthur Bispo do Rosario a documentos históricos e arte contemporânea; projeto de acessibilidade inclui a reprodução de obras táteis e piso adaptado, além de mapas e parcerias com escolas públicas
O Museu Bispo do Rosário abre ao público, a partir do próximo dia 29 de maio (sexta-feira), sua exposição de longa duração. 'Atos da Apresentação' toma vida e a obra de Arthur Bispo do Rosario como fio condutor para uma travessia pelas camadas históricas da Colônia Juliano Moreira, território da renomeada Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, que carregou por décadas estigmas extremamente pejorativos e hoje se afirma como bairro vivo, produtor ativo de cultura e memória. Simultaneamente, a instituição avança em seu projeto de acessibilidade física, com ações que abrem as portas do museu a visitantes com deficiência visual.
A exposição articula seis eixos conceituais interligados: a apresentação da trajetória de Bispo do Rosario; a figura de Juliano Moreira para além da Colônia que leva seu nome; a transformação do território; a coletividade feminina que o marcaram; a luta antimanicomial; e o eixo Sonhos que vencem. Cada eixo acumula camadas de percepção que, juntas, recusam imagens estereotipadas de violência e subserviência sem apagar os fatos que ali se deram.
A mostra reforça o protagonismo de Bispo e marca a retirada dos objetos e artefatos como aparelhos de eletroconvulsoterapia, tiras de contenção e utensílio destinado a procedimentos de lobotomia e que remetiam à dor daqueles que foram institucionalizados. Antes expostos ao lado das obras de arte, esses instrumentos médicos utilizados para ''tratamentos'' na época do funcionamento do complexo manicomial deixam a exposição para integrarem o acervo e seguirão disponíveis para pesquisadores. "A retirada é um ato que simboliza a nova direção curatorial", ratifica Carolina Rodrigues, curadora geral do Museu Bispo do Rosario, ao endossar o posicionamento que o museu vem adotando desde a elaboração da exposição dos "100 anos da Colônia Juliano Moreira" realizada em 2024.
Carolina Rodrigues conta ainda que a curadoria não se debruçou apenas sobre a apresentação do mundo somente sob a perspectiva do artista que dá o nome ao Museu. ''Mais do que isso, nos voltamos à apresentação de um dos mundos que tiveram a Colônia Juliana Moreira como ponto de convergência. Nesse território que durante décadas ficou conhecido como 'Fim de Linha', compreender suas histórias é fundamental para que imagens de flagelo e subalternidade não permaneçam atreladas a um bairro efervescente, de grande extensão territorial, que conta com vários agentes na manutenção de sua memória e na produção ativa das histórias que ainda estão por vir''.
Serviço:
Abertura - Exposição permanente | 'Atos da Apresentação'
GRÁTIS
Atividades educativas | Visitas mediadas somente com agendamento prévio
Data: 29 de maio - 2026
Horário: 14h
Local: Museu Bispo do Rosario
End :: Estrada Rodrigues Caldas, 3400 – Taquara/RJ

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