Campinas abriga a temporada de estreia
Protagonizado pela atriz e palhaça Cachú (Companhia do Bagaço), solo será apresentado sexta-feira (8/5), às 17h, no Lume Teatro (Barão Geraldo), e 16/5, às 17h, na Sala dos Toninhos (Estação Cultura). A entrada é franca.
Quando um artista circense chega ao fim do mundo, há dois caminhos: a teimosia e a esperança, a travessia e as travessuras. Justamente esse é o dilema do Palhaço Luluzin, encarado de forma bastante bem-humorada pelo nariz vermelho, em meio à decadência do Gran Circo Lublin. Para conhecer o desfecho surpreendente desta jornada, basta assistir ao espetáculo A Travessada, protagonizado pela atriz e palhaça Cachú, da Companhia do Bagaço (Campinas/SP). A temporada de estreia do solo circense acontece sexta-feira (8/5), às 17h, no Lume Teatro (Barão Geraldo), e 16/5, às 17h, na Sala dos Toninhos (Estação Cultura). A entrada é franca.
Sob a direção de Gabriela Ramos e trilha sonora do premiado músico Marcelo Onofri, vale destacar que o espetáculo foi contemplado pelo Plano Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura, do Governo Federal, e conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Campinas.
De acordo com Cachú, que também assina a dramaturgia do solo, o embrião da montagem nasce a partir de trechos do livro A Cidade Inexistente, assinado pelo jornalista e escritor mineiro José Resende Júnior. Em resumo, a obra literária, publicada em 2000, reúne uma série de contos que se entrelaçam ao redor de uma mesma grande narrativa: a de uma cidadezinha do interior esvaziada e submersa por conta da construção de uma hidrelétrica.
“O inspirador da obra está justamente na sua capacidade de transformar o desaparecimento de uma cidade em um mosaico de memórias, lendas e fantasmas. A inundação, que poderia ser apenas um fato trágico, ganha contornos poéticos e fantásticos, revelando que, mesmo diante da perda, há histórias que emergem e resistem. É dessa força poética que A Travessada se nutre para construir sua narrativa cômica e crítica”, destaca a atriz.
Na trama do solo, o Respeitável Público acompanha os passos e tropeços do Palhaço Luluzin, dono do decadente Gran Circo Lublin, que faz graça da própria desgraça enquanto procura uma maneira de transpor uma grande represa. “O circo itinerante, parado diante da represa, torna-se metáfora da própria arte: insistente, resiliente e capaz de reinventar mundos mesmo quando o caminho parece bloqueado. Essa ambiguidade, entre o que desaparece e o que permanece, inspira a criação de uma dramaturgia que se alimenta do riso e da fabulação”.
Para dar alma circense a essa contação, o solo lança mão de diversas virtuoses circenses, além da palhaçaria, consolidada entre gags, claques, improvisações e comicidade física. “As virtuoses surgem reinventadas em versões cômicas de quadros clássicos do circo, como acrobacias, mágicas, malabares e até a doma de animais. Esses elementos aparecem sempre com uma grande dose de humor e manipulação de objetos, que sustentam a estética e a mágica circense, mostrando que o incrível também pode estar no simples”.
Para a diretora Gabriela Ramos, o destaque do solo está na composição entre dramaturgia, atuação e musicalidade. “Os temas do espetáculo são trabalhados por meio do riso, ora cômico, ora constrangedor, e do jogo entre a atriz, seus personagens e o público, criando relação e cumplicidade. É nesse jogo, e nesse corpo em travessia, que um problema que parece individual vai se revelando coletivo”, pontua Gabriela.
A respeito da trilha sonora, a diretora reforça: “A sonoridade criada por Marcelo Onofri tem um papel fundamental na condução do ritmo e na criação de tensões do espetáculo. Em jogo com a atriz, a trilha fortalece os momentos cômicos, fantásticos e densos, em alguns momentos construindo e, em outros, contrapondo-se à dramaturgia falada”.
Ao fim do solo, qual mensagem A Travessada gostaria de reverberar na consciência do Respeitável Público? Cachú indica: “O riso e o encantamento são formas de resistência e sobrevivência diante das adversidades. O espetáculo convida o público a enxergar que a arte, assim como o palhaço, desdobra-se em mil tarefas para continuar existindo, e que essa persistência é também uma metáfora da vida. Ou seja, mesmo em meio às travessias mais difíceis, sempre há espaço para rir, imaginar e reinventar novos caminhos”, finaliza Cachú.
A sinopse
Ói quem chegou, ói quem chegou! Um velho e decadente circo itinerante empaca diante de uma cidadezinha submersa bem no meio de seu caminho. Com a promessa de sempre seguir adiante, e nunca voltar atrás, o Palhaço Luluzin e seu Gran Circo Lublin fazem graça da própria desgraça enquanto procuram uma maneira de passar pela grande represa. Entre a travessia e as travessuras, A Travessada é o espetáculo encenado nesse meio desse fim de mundo que dá palco para a teimosia e a esperança.
Ficha Técnica
Elenco
Cachú
Direção
Gabriela Ramos
Criação de Trilha Sonora Original
Marcelo Onofri
Músicos da Trilha Sonora
Marcelo Onofri (Piano)
Edu Guimarães (Sanfona)
Gabriel Peregrino (Percussão)
Cenografia e Figurino
Fernanda Nunes
Dramaturgia
Cachú
Coordenação de Produção
Dayane Ribeiro
Assistente de Produção
Cachú
Produção Local
Fernanda Nunes
Designer Gráfico
Lui Kanashiro
Técnica de Som
Camilla Puertas
Intérprete de LIBRAS
Verena Teixeira
Roteiro e Narração de Audiodescrição
Isadora Ifanger
Consultoria de Audiodescrição
Ana da Hora
Fotos
Chun Dalton
Filmagem
Thiago Pedro (KAIOWAS)
Assessoria de Imprensa
Tiago Gonçalves
Mídias Sociais
Cachú
Realização
Companhia do Bagaço
Temporada de Estreia | Campinas
ü Sexta-feira (8/5), às 17h, no Lume Teatro (Rua Carlos Diniz Leitão, 150, na Vila Santa Isabel, em Barão Geraldo)
ü 16/5, às 17h, na Sala dos Toninhos | Estação Cultura (Rua Francisco Teodoro, 1050, Vila Industrial)
Quanto: Entrada franca
Informações: @cia.dobagaco
.jpg)
Comentários
Postar um comentário