SAUDADE, novo espetáculo do grupo Os Geraldos, estreia em São Paulo
Sessões acontecem de 15 de maio a 14 de junho no Sesc Santana; inspirada livremente no conto "Pinguinho", do jornalista e escritor maranhense Viriato Correia (1884-1967), peça ressignifica a saudade como um ato de resistência e celebração
Cena de “Saudade” - Crédito: Stephanie Laura
Fotos e vídeos para a imprensa AQUI
Depois de passar por Minas Gerais, Distrito Federal e pelo Rio de Janeiro, o grupo campineiro Os Geraldos estreia em São Paulo o espetáculo Saudade. A montagem narra a história de um vilarejo onde a morte era tratada como brincadeira pelas crianças, até que um acontecimento altera de forma definitiva a maneira como elas compreendem a perda. A temporada acontece no Teatro do Sesc Santana, de 15 de maio a 14 de junho de 2026. Informações de dias, horários e valores no www.sescsp.org.br/programacao/
Inspirada no conto Pinguinho, de Viriato Correia, e em textos de Rubem Alves, a peça articula infância, morte e memória a partir de uma encenação que integra narrativa e canto coletivo. No vilarejo que se constrói em cena, a saudade surge como experiência compartilhada entre atores e público.
Com concepção e direção de Douglas Novais, direção musical de Everton Gennari e dramaturgia de Julia Cavalcanti e Paula Guerreiro, o espetáculo reúne 13 intérpretes em cena, que executam ao vivo canções tradicionais em português, espanhol, francês, italiano e latim. A música organiza a progressão das cenas e aproxima referências culturais distintas de um imaginário popular.
Criado há 18 anos em Campinas, Os Geraldos desenvolvem pesquisa em teatro popular centrada na relação direta com a plateia. O grupo já circulou por 106 cidades, em 24 estados brasileiros e 10 países.
Destrinchando a montagem
A primeira apresentação de Saudade ocorreu em língua espanhola. Ainda na etapa inicial de pesquisa, em 2024, o projeto foi selecionado na Convocatoria Iberoamericana de Residencias de Creación, do Programa Iberescena, entre mais de 200 propostas inscritas por 24 países. A partir desse convite, o grupo realizou uma residência artística na Catalunha, na Espanha, com desdobramentos na Itália, França e Inglaterra.
Segundo o diretor Douglas Novais, a experiência evidenciou a permeabilidade da narrativa: a versão apresentada em espanhol encontrou ressonância junto ao público europeu, aproximando contextos culturais distintos por meio de temas universais.
A encenação articula teatro popular e diálogo intercultural. A música ao vivo ocupa função estruturante na dramaturgia, organizando a progressão das cenas. O repertório reúne canções tradicionais em português, espanhol, francês, italiano e latim, mobilizando memórias compartilhadas e reforçando a dimensão coletiva da experiência cênica.
O cenário, também assinado por Novais, utiliza um chão de vidro que alterna reflexão e iluminação interna, modificando a percepção do espaço ao longo do espetáculo. A iluminação é de Caetano Vilela. Os figurinos, também concebidos pelo diretor, são confeccionados em algodão cru e partem de referências das infâncias dos intérpretes. A visualidade dialoga com a paleta e o olhar social presentes na obra de Cândido Portinari.
Repercussão
Ao longo das cidades por onde passou, Saudade também motivou diferentes leituras de críticos e pesquisadores que acompanharam as apresentações.
O crítico e fotógrafo Bob Sousa observa a visualidade como elemento estruturante da encenação, destacando a articulação entre imagem, som, palavra e corpo na construção de uma memória compartilhada. Ele aponta aproximações com o universo pictórico de Cândido Portinari, sobretudo no olhar voltado ao homem comum e ao Brasil interiorano, e ressalta a presença do coro como eixo da proposta cênica.
Para o crítico de arte Rômulo Sobrinho, a montagem mobiliza dimensões sensoriais e afetivas. Ele chama atenção para a cenografia de caráter simbólico e para a trilha sonora como fio condutor da narrativa.
Já o pesquisador Marcos Antônio Alexandre, doutor em Letras pela UFMG, destaca o diálogo da obra com memórias individuais e coletivas, observando o trânsito entre humor e melancolia e a construção coral do elenco.
Grupo Os Geraldos
É um grupo de teatro formado por artistas, de 19 a 60 anos, que vêm de pequenas cidades do interior de São Paulo e de outros estados, trazendo consigo um olhar enraizado no Brasil profundo. Desde 2008, o grupo desenvolve um teatro popular que valoriza a relação direta com o público e combina pesquisa técnica com a vivência de quem conhece o país por dentro.
A estética do grupo desenvolve-se em três frentes principais: as Visualidades do Espetáculo, com um ateliê próprio responsável pela criação de figurinos, cenários e iluminação; a Expressividade Vocal, que investiga a palavra falada e cantada como matéria central da cena; e o Coro, entendido tanto como base estrutural da encenação quanto como um signo da ética do trabalho coletivo, de modo que a relação entre estética e ética se manifesta na cena e no processo de criação.
FICHA TÉCNICA
Direção e concepção de cena, figurino e cenografia: Douglas Novais
Direção musical e preparação vocal: Everton Gennari
Dramaturgia: Julia Cavalcanti e Paula Guerreiro
Direção de texto: Douglas Novais e Paula Guerreiro
Elenco: Alexandre Cremon, Carolina Delduque, Emme Toniolo, Everton Gennari, Gileade Batista, Guilherme Crivelaro, João Fernandes, Julia Cavalcanti, Paty Palaçon, Paula Guerreiro, Pedro Dias, Roberta Postale e Valéria Aguiar
Iluminação: Caetano Vilela
Visagismo e maquiagem: Douglas Novais e Gileade Batista
Assistência de direção: Julia Cavalcanti
Assistência Dramatúrgica: Emme Toniolo e Tatiana Alves
Coordenação do Ateliê Kairós: Emme Toniolo
Assistência do Ateliê Kairós: Gileade Batista, Guilherme Crivelaro, Vinícius Zaggo, Valéria Aguiar, Agnes Foster, Aline Sivieri e Jennifer Adélia
Fotografia: Stephanie Lauria, Bob Sousa e Guto Muniz
Design gráfico e Ilustrações: Guilherme Crivelaro
Redação do programa: Paula Guerreiro
Operação de luz: Débora Piccin
Coordenação de produção executiva: Paty Palaçon
Produção executiva: Anna Helena Longuinhos
Assistência de produção: João Vitor Paulato, Nicole Mesquita, Lívia Telles
Captação e Projetos: Carolina Delduque, Paula Guerreiro, Lívia Telles, Paty Palaçon
Assistência de Captação e Projetos: Pedro Dias, Anna Helena Longuinhos e Débora Piccin
Coordenação técnica: João Fernandes e Alexandre Cremon
Assistência técnica: Roberta Postale e Pedro Dias
Coordenação de comunicação: Nicole Mesquita
Coordenação de gestão: Tatiana Alves
Coordenação geral: Douglas Novais
Produção: Os Geraldos
SERVIÇO
SAUDADE
Grupo Os Geraldos
Data dos Eventos: de 15/05 a 14/06/2026, sextas e sábados às 20h, aos domingos e feriados às 18h. Com exceção do dia 23/05, onde a sessão será às 21h e do dia 13/06 que não haverá sessão. Sessões extras nos dias 29/05 e 12/06, às 15h.
Entrada Gratuita: nos dias 15, 16 e 17/05 (*Semana S) e nos dias 23 e 24/05 (Virada Cultural).
Acessibilidade: a partir do dia 22/05 – tradução e interpretação em Libras, audiodescrição e recursos táteis.
Duração: 60 minutos
Recomendação etária indicativa: 12 anos
Ingressos: R$ 18 (credencial plena), R$ 30 (meia entrada) e 60 (inteira)
Venda de ingressos a partir de 5/5 pelo APP Credencial Sesc SP, no site sescsp.org.br/santana, ou a partir de 6/5 nas bilheterias das Unidades.
Sesc Santana - Teatro (330 lugares)
Av. Luiz Dumont Villares, 579, São Paulo – SP, Tel.: 11 2971-8700
Prefira o transporte público: Jd. São Paulo – 850m | Parada Inglesa – 1.250m
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*A Semana S é uma iniciativa nacional do Sistema Comércio (CNC-Sesc-Senac) realizada em maio para destacar e oferecer serviços gratuitos ou de baixo custo nas áreas de cultura, lazer, saúde, turismo e qualificação profissional.
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