Espetáculo que promove o poder da dança e a valorização de matrizes afro-indígenas circulará no Sesc de Niterói e Ramos

 Espetáculo que promove o poder da dança e a valorização de matrizes afro-indígenas circulará no Sesc de Niterói e Ramos

O espetáculo “Gbin” evidencia o poder da dança em aproximar e valorizar matrizes de movimento afro-indígenas na contemporaneidade. A peça estará em circulação nas unidades do Sesc nos municípios de Niterói, Nova Friburgo, Barra Mansa, Rio de Janeiro e Nova Iguaçu no mês de maio. 


O projeto é a mais recente criação da Cia Xirê e tem como ponto de partida a palavra iorubá “Gbìn” (bîn), que significa “plantar” ou “semear”, conceito que orienta e inspira todo o projeto. A proposta é justamente semear novos olhares, estimulando o contato com corpos e movimentos que brotam de referências estéticas pouco presentes nas cenas massivas de dança. 


São gestos, ritmos e presenças que escapam dos padrões mais difundidos nos palcos e também nas mídias virtuais, televisivas e cinematográficas. Ao trazer essa perspectiva, a obra amplia o repertório sensível do público e convida especialmente as crianças a reconhecerem outras formas de expressão corporal, valorizando a diversidade de corpos, culturas e narrativas que também compõem o universo da dança.


“A dança pode nos aproximar muito mais do que poderíamos imaginar, promovendo a redução das desigualdades a partir do encontro, em dança, dos olhares de crianças com corpos fenotipicamente e culturalmente afro indígenas, bem como às qualidades de movimento que brotam desses corpos”, afirma a diretora e coreógrafa Andrea Elias. 


Contemplado no Edital Sesc Pulsar O Corpo Negro, tem um corte temático marcadamente afro indígena, ficha técnica predominantemente composta por negros, cultivando uma poética que dialoga com o conceito de “oralitura”, da pesquisadora Leda Martins, onde os atravessamentos, os cruzos, promovem o acontecimento.


“‘Gbin’ nasce do desejo de aproximar corpos em suas diversidades num momento no qual estes são convocados a se manterem à distância. Esta aproximação fala não apenas da fisicalidade, mas também da diversidade cultural e subjetiva, da convicção no poder que tem a dança de conectar corpos em suas diferenças e afirmar suas potências”, acrescenta Andrea. 


Ao ser criado para crianças, a peça transita por questões centrais da linguagem da dança contemporânea em direção à recepção do público infanto-juvenil, investigando o que é próprio da linguagem na relação com este olhar lúdico da infância. 


Andrea reforça ainda que a Cia Xirê, há mais de 20 anos, tem exercido um importante papel na democratização da dança contemporânea, ampliando os canais de acesso entre ela e o público em formação. 


“Nosso compromisso vai além de colocar um espetáculo em cena. A gente busca, de forma contínua, criar caminhos reais de aproximação entre a dança contemporânea e o público, especialmente aqueles que ainda estão em processo de formação e descoberta. Democratizar o acesso é entender que nem todos se sentem pertencentes a esses espaços, e por isso trabalhamos para romper essas barreiras, ocupar novos territórios e estimular o olhar, a sensibilidade e o interesse de diferentes pessoas pela arte”, finaliza a diretora e coreógrafa. 


Sobre a Cia Xirê

Criada em 2003 por Andrea Elias, a Cia Xirê é uma companhia de dança contemporânea que se propõe à pesquisa da construção cênica através do movimento. Suas primeiras produções resultaram em espetáculos de dança-teatro criados para crianças. Uma das principais motivações da companhia é a comunicabilidade com o público tendo como mídia o corpo do ator-bailarino em ação. 


Os espetáculos da Cia Xirê circulam por territórios da Argentina, Brasil, Equador, Alemanha, Índia, Itália e Espanha e um dos objetivos da Cia Xirê é a democratização da dança contemporânea junto aos mais diferenciados olhares, enfatizando-se aí o olhar de crianças o que, muitas vezes, acaba por iniciar os olhares dos responsáveis que as acompanham. 


Dentre as produções da Cia, destacam-se “Ciranda” (2003),“Quando Crescer, Eu Quero Ser...” (2006), “Entrelace”(2011) e “Dingling” (2016), direcionados para crianças; “Esther Williams não quer mais nadar...” (2012), direcionado para adultos; e “Isto é sobre liberdade: o que você ainda lembra sobre ela?” (2016). Os espetáculos da Cia mantém-se em circulação contemporaneamente.


Além dos espetáculos a Cia tem em seu repertório o desenvolvimento dos projetos “Arte-Política-Pedagogia:Ações Cooperativas” (2010), projeto de residência artística; “Cuidado” (2008), projeto para criação coreográfica que originou dois de nossos espetáculos; e“Isto é sobre liberdade: o que você ainda lembra sobre ela?” (2015), igualmente projeto de pesquisa para criação coreográfica que resultou na performance urbana de mesmo nome e no trabalho para bebês de 2016,“Dingling”.


Como resultado da pesquisa da Cia Xirê estão também os seguintes projetos pedagógicos: workshop “Do Jogo pra Dança”; exposição interativa “Pode Mexer!”; e a caixa “Cadê a Dança?”. 


Ficha Técnica:

Concepção, direção e coreografia: Andrea Elias

Criação e performance - Aline Bernardi, Andrea Elias, Fagner Santos, Luna Leal

Figurino - Carla Ferraz

Trilha sonora original - PC Castilho

Desenho de luz - Eduardo Albergaria

Programação visual – Miguel Carvalho

Fotos – Carolina Spork

Costureira - Ateliê das meninas

Áudio descrição – Mônica Ruiz

Consultoria de áudio descrição – Moira Braga

Mestra de balé – Helena Matriciano

Assessoria de imprensa – Alessandra Costa

Produção executiva - Aloisio Antunes

Produção - Trânsito Produções Culturais

Realização - Cia de Dança Teatro Xirê / Sesc Pulsar RJ

Parceria – Escola e Faculdade Angel Vianna / Teatro Municipal Carlos Gomes


Serviços

Espetáculo “Gbin”, Cia Xirê


09 de maio, às 16 horas Sesc Niterói - R. Padre Anchieta, 56 - São Domingos, Niterói

10 de maio, às 16 horas Sesc Ramos - R. Teixeira Franco, 38 - Ramos, Rio de Janeiro

Ingressos: R$15,00 (inteira), R$7,50 (meia entrada para casos previstos por lei, estendida a professores e classe artística mediante apresentação de registro profissional e programa Mesa Brasil), R$ 13,50 (convênio), R$10,50 (credencial plena), gratuito (público PCG).

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