15ª Mostra Ecofalante de Cinema 2025
Festival de Cinema faz Homenagem a Zita Carvalhosa e destaca mudanças Climáticas, conflitos no Oriente Médio, colonialismo e Povos Originários, ativismo feminista, saúde mental e educação
* evento acontece de 28/05 a 10/06, com entrada franca
* são exibidos 104 filmes, representando 27 países
* presentes produções vencedoras do Oscar, premiados nos festivais de Cannes, Sundance, Locarno, Montreal, Guadalajara e Tribeca e selecionados para Berlim e Roterdã
* Leonardo DiCaprio e Ang Lee são produtores executivos de dois dos títulos programados: “O Grande Lago Salgado” e “À Deriva: 76 Dias Perdido no Mar”
* “Arquivo Vivo”, novo longa de Vincent Carelli, tem première mundial e participa da mostra competitiva de longas brasileiros
* primeiro documentário da argentina Lucrecia Martel, o premiado “Nossa Terra”, é atração inédita em São Paulo
* série de debates discutem emergência climáticas, conflitos no Oriente Médio, colonialismo, Educação, ativismo feminista, saúde mental e democracia
* Homenagem a Zita Carvalhosa reúne direções de Jeferson De, Carolina Markowicz, Aurélio Michiles e José Roberto Torero
* 51 selecionados brasileiros estão nas mostras competitivas Territórios e Memória e Concurso Curta Ecofalante
* Panorama Histórico traz o vencedor do Oscar “Harlan County: Tragédia Americana” (1976) e o clássico documentário “Nanook, o Esquimó” (1922), de Robert J. Flaherty, em versão restaurada
* Programas Especiais promovem estreias de filmes
*Programa Ecofalante Educação leva filmes educativos, longa e curtas infantis, para o circuito
de CEUs e escolas da rede pública
* Sami van Ingen, bisneto do cineasta Robert J. Flaherty e de Francis Hubbard Flaherty, ministra masterclass sobre o processo de pesquisa do filme “Sombras Reveladas”
* Oficinas para o público jovem serão ministradas nos CEUs
* Sessões acontecem no Reserva Cultural, Centro Cultural São Paulo e em 28 espaços do Circuito Spcine
* plataformas parceiras Itaú Cultural Play e Spcine Play disponibilizam parte da programação após o festival
* patrocinado pelo Itaú, Spcine e White Martins, com apoio Veja, festival é uma realização da OSC Ecofalante, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústrias Criativas, Ministério da Cultura e Governo Federal
Com um total de 104 filmes, representando 27 países, a 15ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema destaca temas relacionados às mudanças climáticas, conflitos no Oriente Médio, ameaças aos territórios dos povos originários, lutas feministas e questões de gênero, saúde mental, entre outros. Na programação está uma homenagem à produtora paulista Zita Carvalhosa, falecida em 2025; uma retrospectiva histórica dedicada à trajetória do Seminário Flaherty, espaço privilegiado de reflexão sobre o cinema documentário e independente, com destaque para o papel central de sua fundadora, Frances Hubbard Flaherty; uma mostra contemporânea com os destaques do cinema socioambiental internacional; duas competições exclusivas para filmes brasileiros de longa e curta-metragem; e vários outros programas. São dirigidas ou codirigidas por cineastas mulheres 59 - ou 56,7% - das obras.
Considerado o mais importante evento audiovisual da América do Sul focado em questões socioambientais, o festival acontece de 28 de maio a 10 de junho na cidade de São Paulo, ocupando o Reserva Cultural, Centro Cultural São Paulo e mais 28 espaços culturais do Circuito Spcine, sempre com entrada gratuita. Além das exibições de filmes, estão agendados debates, encontros, bate-papos com realizadores e críticos de cinema, oficinas e uma masterclass com o convidado internacional Sami van Ingen. Seleções de filmes ficam disponibilizadas também em duas plataformas de streaming parceiras, ambas com acesso gratuito: Itaú Cultural Play e Spcine Play. Mais detalhes sobre a programação podem ser acessados através dos endereços https://ecofalante.org.br/ e https://www.instagram.com/
A grande homenageada desta edição da Mostra Ecofalante de Cinema é a produtora Zita Carvalhosa (1960-2025). Importante nome da área audiovisual brasileira, ela assina a produção executiva de 59 séries, longas e curtas-metragens. Também comandou o Kinoforum – Festival Internacional de Curtas de São Paulo e as Oficinas Kinoforum de Realização Audiovisual. A seleção de sua produção com temáticas socioambientais exibida na Mostra inclui os longas "O Cineasta da Selva", de Aurélio Michiles, “Carvão”, de Carolina Markowicz, e “Fé”, de Ricardo Dias, ao lado dos curtas “Distraída para a Morte”, (Jeferson De), “A Alma do Negócio” (José Roberto Torero) e “Onde São Paulo Acaba” (Andrea Seligmann).
A atração de abertura do evento, em 27/05, exclusiva para convidados, é “O Urso Inconveniente”, uma coprodução entre os EUA e o Reino Unido ainda inédita no Brasil. O longa causou forte impacto no Festival de Sundance deste ano, quando venceu o grande prêmio do júri para documentários. Dirigido por Gabriela Osio Vanden e Jack Weisman, o filme acompanha o caminho tradicional de migração de um urso polar, que se aproxima de áreas povoadas, gerando conflitos entre os interesses humanos e a natureza selvagem.
Entre os destaques da programação estão filmes que têm entre seus produtores executivos o ator Leonardo DiCaprio e o diretor Ang Lee. DiCaprio está na equipe de “O Grande Lago Salgado”, longa dirigido por Abby Ellis inédito do Brasil que foi premiado no Festival de Sundance. A obra descreve o secamento do Grande Lago Salgado (Great Salt Lake), em Utah (EUA), liberando componentes depositados em seu fundo sob a forma de poeira tóxica e contaminando o ar da região. Já Ang Lee é um dos responsáveis por “À Deriva: 76 Dias Perdido no Mar”, uma abordagem da epopéia do velejador Steven Callahan, que sobreviveu 76 dias sozinho em um bote salva-vidas cruzando o Atlântico.
Uma série de debates discutem questões urgentes ligadas às questões socioambientais e dialogam com filmes da programação. O encontro “Emergência Climática & Crise Ambiental”, agendado para 28/05, reúne o físico Paulo Artaxo (USP), a advogada pública e pesquisadora Erika Pires Ramos, da Rede Sul-Americana para as Migrações Ambientais (RESAMA), e o cientista José Antonio Marengo Orsini, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais - Cemaden/MCTI, com mediação da jornalista Daniela Chiaretti. O filme exibido antes do debate é o espanhol “Bangladesh Submersa”, de Lucía Benito. Vencedora do prêmio de melhor filme socioambiental no Festival de Guadalajara e inédita no Brasil, a obra acompanha uma família de Bangladesh se preparando para escapar do clima extremo que assola a região em que vivem.
No dia 29/05, o tema do debate é “Colonialismo, Território e Povos Originários: Histórias de saques e violências”, sendo que o filme exibido é “Nossa Terra”, primeiro documentário dirigido pela aclamada cineasta argentina Lucrecia Martel (de “O Pântano” e “A Menina Santa”). Ainda inédito em São Paulo, o longa foi lançado no Festival de Veneza, venceu o BFI London Film Festival e foi premiado no Festival de Locarno. A revista The Hollywood Reporter definiu o filme como uma “crônica contundente” e um “documentário visualmente esplêndido”, destacando a forma meticulosa e expressiva com que o cinema de Martel retrata o roubo histórico das terras da comunidade indígena Chuschagasta e a sua resistência. A programação reserva ainda espaço para outras três obras relacionadas a esse debate. Vencedor do prêmio de patrimônio cultural imaterial no festival Cinéma du Réel (França), “Suriname, a Lei do Rio e a do Dinheiro”, de Lonnie van Brummelen, Siebren de Haan e Tolin Alexander, acompanha um barqueiro quilombola na floresta tropical do Suriname que navega entre as tradições ancestrais e o capitalismo moderno. É inédito no Brasil, assim como o peruano “Runa Simi”, no qual Augusto Zegarra foi eleito como o melhor diretor de documentário estreante no Festival de Tribeca. No filme, um dublador peruano tenta convencer a The Walt Disney Company a dublar o filme “O Rei Leão” (1994) para o quíchua, na esperança de salvar sua língua nativa. Já a coprodução de Uganda e Suécia elogiada por seu tratamento visual “O Sal de Katwe”, de Nima Shirali, focaliza as duras condições de trabalho e vida de extrativistas de sal na região de Katwe, em Uganda. Em outros tempos, seu lago salgado foi massivamente explorado por colonizadores alemães, mas hoje o local e seus habitantes encontram-se abandonados à própria sorte.
Os conflitos na região do Oriente Médio também são temas de dois dos debates programados em 2026. “Oriente Médio: Conflitos, Guerra e Memória” e “Palestina: Apagamentos e Resistências”. O primeiro, programado para 1/06, tem a participação da professora Safa Jubran (USP) e de Mariana Duccini, pesquisadora da área de cinema e arquivo com doutorado pela ECA-USP. Na data, está programada a exibição do longa “Você Me Ama”, no qual a cineasta Lana Daher partiu de mais de 20 mil horas de material de arquivo para contar uma história recente do Líbano através de imagens que ajudaram a formar o imaginário e a identidade de seus habitantes. Lançado no Festival de Veneza e premiado nos festivais Doc Point (Finlândia) e Hamburgo, trata-se de uma viagem íntima por 70 anos de memórias audiovisuais do Líbano, reunindo desde filmes a vídeos caseiros, passando por programas de tv e fotos. Dois outros títulos em exibição, ambos inéditos no Brasil, dialogam com o tema. “Os Leões do Rio Tigre”, uma coprodução Noruega/Países Baixos dirigida por Zaradasht Ahmed, mostra uma cidade devastada durante a batalha pela libertação do Estado Islâmico, e sua luta para curar e preservar sua identidade, cultura e arte, tendo sido selecionado para os importantes festivais de documentários CPH:DOX (Copenhague), DOC NYC (Nova York) e no alemão DOK Leipzig. Finalmente, “Jerusalém, a Lei da Pedra”, de Danae Elon, promove uma análise aprofundada e instigante da arquitetura israelense e do tipo de pedra que moldou a Jerusalém moderna e foi usada para controlar a cidade, tendo sido recebido com elogios nos festivais de documentários IDFA – Amsterdã e DocAviv (Israel).
Já o debate “Palestina: Apagamentos e Resistências”, em 3/06, tem inspiração no filme “Partition”, de Diana Allan, que mescla imagens de arquivo da Palestina sob ocupação britânica com áudios de refugiados palestinos no Líbano. Selecionado para o prestigioso Festival de Roterdã e inédito no Brasil, o longa revela os fios invisíveis que conectam o passado e o presente da região utilizando uma montagem dialética e uma banda de som assíncrono. Também focado na Palestina, “Os Gêmeos de Gaza”, é dirigido por diretor por Mohammed Sawwaf, uma das vozes decisivas para que muitas das histórias de apartheid, guerra e genocídio em Gaza chegassem ao Ocidente. Também inédito no Brasil, o filme acompanha uma mãe que enfrenta obstáculos angustiantes e barreiras militares enquanto luta para se reunir com seus gêmeos recém-nascidos. No sueco “Yalla Parkour”, exibido no Festival de Berlim, a cineasta palestina-jordaniana-americana Areeb Zuaiter cruza o caminho de um atleta de parkour em Gaza, dando início a uma jornada onde aspirações conflitantes se cruzam.
O tema do encontro em 4/06 é “Feminismos, Corpo e Lutas de Gênero”, com quatro filmes da programação a ele relacionados. Em “Escrevendo a Vida – Annie Ernaux pelos Olhos dos Estudantes”, a realizadora francesa Claire Simon aborda os diferentes olhares marcados por um forte viés de gênero de jovens estudantes sobre a obra de Annie Ernaux, autora vencedora do Prêmio Nobel de Literatura. Selecionado para o Festival de Tribeca, “Artista dos Rejeitos”, de Toby Perl Freilich, focaliza o trabalho e o percurso da artista visual Mierle Laderman Ukeles, que combina arte e engajamento para falar do importante tema da gestão de resíduos urbanos e toda sua cadeia de trabalho invisível. Já “Rompendo Rochas”, dirigido por Sara Khaki e Mohammadreza Eyni, foi indicado ao Oscar de melhor documentário e venceu o grande prêmio do júri para documentário internacional no Festival de Sundance. Sua protagonista é a primeira mulher eleita para o conselho local de seu conservador povoado no noroeste do Irã, gerando reações adversas e acusações sobre suas motivações. Por sua vez, no longa “Sem Dó Nem Piedade”, a realizadora Isa Willinger questiona se o cinema feminino se caracteriza por uma dureza particular. O filme, que investiga poder, violência e representação, mesclando história, crítica e manifesto, conta com participação das cineastas Céline Sciamma, Virginie Despentes, Nina Menkes, Catherine Breillat, Apolline Traoré e Joey Soloway.
Educação, tema discutido em “Escrevendo a Vida – Annie Ernaux pelos Olhos dos Estudantes”, está no centro de outro título assinado por Claire Simon, “Aprender”. Inédito no Brasil, o longa tem como protagonistas professores e seus desafios diários. Reconhecido mundialmente como um dos mais importantes pensadores da pedagogia, o brasileiro Paulo Freire (1921-1997) criou uma pedagogia crítica e libertadora, que transforma a educação em ferramenta de conscientização e transformação social, rompendo com o modelo tradicional de ensino. Ele tem seu projeto de alfabetização de adultos recuperado em “Lendo o Mundo”, obra dirigida por Catherine Murphy e Iris de Oliveira eleita como o melhor documentário no Festival de Gramado e vencedor do Prêmio Corazón Feliz no Festival de Havana. Já “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai, foi a atração de abertura da mostra Generation do Festival de Berlim 2026. Nele, meninas no sertão do Piauí equilibram a infância lúdica com a transição para a adolescência, incluindo seus sonhos e as diferenças de gênero. Educação também está presente nos curtas-metragens brasileiros “Da Aldeia à Universidade”, “Mestrinhos”, “Nioladi”, “Saber Brincar”, “Ser Cria” e “Um Pé de Caju”.
Saúde mental é discutido em 5/06 no debate “Sociedade do Cansaço: Solidão, Trabalho e a Reconstrução do Comum”, que conta com a presença da professora e pesquisadora Ludmila Costhek Abílio. O encontro está ancorado na exibição de “Querido Amanhã”, obra dirigida por Kaspar Astrup Schröder que focaliza três indivíduos isolados no Japão que encontram consolo por meio de um serviço de bate-papo patrocinado pelo governo. Também conectado com o tema do encontro, o filme francês “A Vida Real”. Nele, os diretores Ekiem Barbier e Guilhem Causse propõem a um jovem ator habitar um avatar virtual e explorar uma simulação de vida online. Ambas as produções são inéditas no Brasil.
Debate organizado em parceria com a Anistia Internacional, “Democracia, Ética e Justiça” acontece em 2/06 e está ancorado no longa “O Silêncio da Terra”, produção da Espanha juntamente com a França e a Bélgica dirigida por Frank Gutiérrez que trata dos assassinatos de quatro defensores do meio ambiente latino-americanos: Berta Cáceres (Honduras), Paulo Paulino Guajajara (Brasil) e Ildefonso e Aldo Zamora (México). Inédito no Brasil, o filme é apresentado “como um testemunho direto da luta de comunidades e famílias que continuam a enfrentar ameaças, criminalização e impunidade”. Duas produções alemãs, inéditas em telas brasileiras, também dialogam com o tema do encontro. “Desmascarando Elon Musk”, de Andreas Pichler, utiliza informações vazadas de 100 GB de documentos internos da Tesla para denunciar como a empresa tem repetidamente reduzido a segurança em favor de experimentos e tecnologias inovadoras, e traça a ascensão meteórica de Musk e sua guinada em direção a Donald Trump. Já “Soldados da Luz” explora o crescente cenário de influenciadores, coaches e curandeiros autoproclamados que espalham narrativas conspiratórias e mantêm laços estreitos com movimentos antidemocráticos. Dirigida por Julian Vogel e Johannes Büttner, a obra foi selecionada para os festivais de documentários Visions du Réel (Suíça) e DOK.fest (Alemanha).
Um total de 51 títulos brasileiros recentes foram selecionados para as duas mostras competitivas do evento. São produções representando o Distrito Federal e mais 19 estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, São Paulo, Sergipe e Tocantins. Para a competição Territórios e Memórias, voltada a curtas e longas-metragens que discutam temas sociais e ambientais no Brasil, estão selecionados 12 longas e 19 curtas-metragens. Um dos destaques é “Arquivo Vivo”, dirigido por Vincent Carelli (de “Corumbiara” e “Martírio”) que é exibido em première mundial. A obra recapitula os 40 anos de atuação junto a comunidades indígenas pelo projeto Vídeo nas Aldeias, reunindo um acervo histórico e devolvendo essas imagens às novas gerações das primeiras populações visitadas. Os demais longas da competição são “A Fabulosa Máquina do Tempo” (de Eliza Capai), “Amazônia Oktoberfesta” (Sérgio Oliveira e Felipe Drehmer), “Até Onde a Vista Alcança” (Alice Villela e Hidalgo Romero), “Futuro Futuro” (Davi Pretto), “Minha Terra Estrangeira” (Coletivo Lakapoy, Louise Botkay e João Moreira Salles), “Movimento Perpétuo” (Leandro Alves), “Na Passagem do Trópico” (Francisco Miguez), “Nimuendajú” (Tania Anaya) e o inédito no Brasil “Mounir”, de Juliana Borges, além de outras duas estreias mundiais: “Benvindos” (Luana Cabral) e “O Jardim de Maria” (Jade Rainho). Por sua vez, o Concurso Curta Ecofalante é uma competição exclusiva para curtas-metragens realizados por estudantes (ensino superior, técnico, livre ou médio) e teve 20 obras selecionadas.
Em 2026, a Mostra Ecofalante de Cinema dedica seu Panorama Histórico ao legado do Flaherty Film Seminar, iniciativa sediada em Nova York que presta homenagem a Robert J. Flaherty (1884-1951), pioneiro realizador que definiu o cinema documental em “Nanook, o Esquimó” (1922). Criado em 1955 por Frances Hubbard Flaherty, esposa e colaboradora de longa data do cineasta, o seminário tornou-se referência entre cineastas, artistas, curadores e críticos. Intitulada “The Flaherty Way e os Contra-cinemas”, a programação reúne cinco títulos icônicos que passaram pelo seminário, abrangendo diferentes décadas. O grande destaque é “Harlan County: Tragédia Americana” (1976), obra da diretora Barbara Kopple, que venceu o Oscar de documentários e registra, de forma comovente da luta de treze meses entre uma comunidade que luta para sobreviver e uma corporação dedicada aos resultados financeiros. Estão programados ainda o clássico “Nanook, o Esquimó”; o vanguardista “Para Sempre Condenadas” (1987), de Su Friedrich, sobre desejos reprimidos, a culpa católica e a sexualidade lésbica; “Remontagem” (1983), no qual a diretora Trinh T. Minh-há desafia os métodos documentais etnográficos convencionais para desconstruir a representação colonial; o iraniano vencedor do prêmio Câmera de Ouro e o prêmio da crítica internacional no Festival de Cannes “Tempo de Embebedar Cavalos” (2000), de Bahman Ghobadi, “Sombras Reveladas” (2025), longa que, a partir de material de arquivo inédito, examina a trajetória de Frances Hubbard Flaherty e seu papel fundamental na construção da obra e do legado do cineasta Robert J. Flaherty. Frances foi uma colaboradora decisiva em diversos filmes do diretor, atuando na produção, na escrita, na edição e, posteriormente, na preservação e difusão de sua obra. Seu diretor, Sami van Ingen, bisneto de Robert J. Flaherty e de Francis Hubbard Flaherty, tem presença confirmada em São Paulo, onde ministra masterclass sobre o processo de pesquisa do filme “Sombras Reveladas”.
Cinco filmes integram os Programas Especiais em 2025. Além de “Aprender”, de Claire Simon, e “Lendo o Mundo”, de Catherine Murphy e Iris de Oliveira, estão incluídas mais três outras produções. As belezas e os problemas críticos do mais importante rio paulista estão em foco em “Tietê: Águas Verdadeiras”, longa inédito em festivais dirigido por Rodrigo Campos. Projeto idealizado por Guilherme Brammer e dirigido por Sylvio Rocha, “A Economia da Esperança” é um road movie inédito que tenta descobrir, no Brasil e na Coréia do Sul, se é possível construir negócios que regenerem o planeta e ainda sejam viáveis. Completa a seção a produção francesa “Longe dos Holofotes”, de Jérémie Battaglia, que focaliza aqueles que trabalham para a marca VEJA no Brasil. A marca francesa de tênis sustentáveis é reconhecida pelo uso de materiais ecológicos, como borracha da Amazônia e algodão orgânico, e focada no comércio justo.
Finalmente, uma seção é dedicada ao programa Ecofalante Educação, promovido pela mesma organização social responsável pela Mostra Ecofalante de Cinema. A iniciativa promove de forma permanente a integração entre cinema, educação e cidadania, levando o audiovisual a escolas e universidades de todo o Brasil por meio de um catálogo de filmes, curadorias temáticas, debates e atividades formativas. Conta ainda com a plataforma gratuita Ecofalante Play, que oferece a educadoras e educadores acesso a mais de 300 filmes, materiais de apoio e acompanhamento da equipe Ecofalante para a realização de exibições em instituições de ensino. Nesta edição do festival estão programadas 12 produções, cinco delas resultado de parceria com o evento francês FIFE - Festival International du Film d’Éducation: “Aqui” (de Aurélia Hollart, (França), “Kuap” (Nils Hediger, Suíça), “Matilda” (Vito Palmieri, Itália), “Meu Amigo Nietzsche” (Fáuston da Silva, Brasil) e “Meu Avô Estranho” (Dina Velikovskaya, Rússia). Voltado ao público infantil, o longa brasileiro “Sete Cores da A

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