[TEATRO / GRATUITO] Solo de Sidney Santiago Kuanza, “A Solidão do Feio” chega ao Sesc Itaquera pelo projeto "Boca de Cena" | Sexta e sábado, 17 e 18/04, 19h e 17h30.

 Solidão do Feio

Solo de Sidney Santiago Kuanza sobre Lima Barreto inicia circulação gratuita pelos 20 anos da Cia Os Crespos

Espetáculo sobre Lima Barreto, indicado ao Prêmio Shell 2024, percorre territórios periféricos e quilombolas do estado de São Paulo em apresentações gratuitas

Um ator em um estúdio improvisado e uma equipe recriam, de forma ficcional, fragmentos da vida e obra do escritor Afonso Henrique de Lima Barreto. Sem compromisso com a cronologia biográfica, Sidney Santiago Kuanza dá vida ao solo performático "A Solidão do Feio" — indicado ao Prêmio Shell 2024 na categoria de Melhor Ator — que a partir de agosto inicia uma circulação por São Paulo em comemoração dos 20 anos da Cia Os Crespos.

Mais do que uma itinerância comemorativa, o projeto propõe um gesto curatorial e pedagógico: levar Lima Barreto a territórios de São Paulo marcados por desigualdades e violências raciais — tensionamentos centrais em sua obra. O solo percorre além da capital de São Paulo, as cidades de Guarujá, São Caetano do Sul e o Vale do Ribeira, região com forte presença da comunidade quilombola e altos índices de vulnerabilidade social.

"Nosso intuito com esse projeto de circulação é devolver o Lima Barreto como herói nacional a quem de fato lhe é devido: as pessoas mais despossuídas, pobres e marginalizadas. Porque a literatura desse homem teve todo um compromisso com esses grupos. Nosso trabalho é justamente devolver o Lima a esses quilombos, a essas favelas", afirma Sidney Santiago Kuanza.

circulação do projeto teve início em agosto de 2025, no Teatro de Contêiner, em São Paulo, com apresentações gratuitas e ensaio aberto e bate-papo com o público no dia 01/08Em seguida, passou pelo Centro Cultural São Paulo, também na capital, e nas cidades de São Caetano do Sul, Guarujá, Santo André, Registro, Mogi das Cruzes e em Eldorado, no Quilombo de Ivaporunduva, comunidade do Vale do Ribeira. 

Com dramaturgia e atuação de Sidney Santiago Kuanza e direção compartilhada com Gabi Costa, o espetáculo parte de um velório na parte externa do teatro e transita entre diferentes gêneros cênicos para recriar, de forma ficcional e poética, fragmentos da vida e obra do escritor Lima Barreto.

"Quando penso em Lima Barreto, penso em recontar a história de um homem insubmisso, que pensou o seu tempo e o seu país em profundidade”, afirma Sidney Santiago Kuanza.  

Pesquisador do romancista desde 2009, Sidney escolheu ampliar a representação do autor em "A Solidão do Feio", deslocando-se da biografia comum ao autor, que reduz Lima à um homem pobre e mestiço que foi parar no sanatório por problemas com bebida.

"A Solidão do Feio é o nosso diário aberto de possibilidades para a existência de Lima Barreto. É o nosso e-mail salvo em rascunhos, que sempre que é revisitado, abre uma nova porta", explica Gabi Costa. 


Projeto

“A Solidão do Feio” é parte de um projeto acerca dos estudos e reflexões sobre as masculinidades negras que, desde 2014, pesquisa os impactos do racismo na psique, afetividade e subjetividade de homens negros. O monólogo integra uma trilogia da Cia Os Crespos, intitulada “Masculinidade & Negritude”, que leva o legado político, artístico e cultural de homens negros aos palcos. Assim como Lima Barreto, João Francisco dos Santos (Madame Satã), e poeta Cruz e Souza são os nomes escolhidos desta cartografia coordenada por Sidney Santiago Kuanza.

Sinopse

Um ator em um estúdio improvisado e uma equipe fazem o exercício ficcional de recriar fragmentos da trajetória da vida e obra do escritor Afonso Henrique de Lima Barreto. O personagem, é contado em primeira pessoa com suas certezas, contradições e sonhos de futuro.

Lima Barreto (1881-1922)

Importante escritor, jornalista e cartógrafo afro-brasileiro. Sua obra está impregnada de fatos históricos e de uma perspectiva negra diante das evoluções e retrocessos políticos do Brasil. A paisagem da escravidão, do racismo estrutural e das desigualdades sempre estiveram em suas páginas. Lima foi um pensador do seu tempo e de sua terra. Deixou obras célebres da literatura brasileira: “Recordações do escrivão Isaías Caminha” (1909), “Triste Fim de Policarpo Quaresma” (1911), “Clara dos Anjos” (1948) , “Cemitério dos Vivos” entre outras.


SOBRE O PROJETO BOCA DE CENA - DO SESC ITAQUERA

O que não podemos esquecer?

Boca de Cena chega à sua 4ª edição e convida o público a transformar memória em ação

Em abril, o Sesc Itaquera abre as portas para a 4ª edição do projeto Boca de Cena, consolidando sua trajetória como um espaço de experimentação, reflexão e encontro nas artes cênicas.

A programação, que até 2025 contou com o teatro e a dança como suportes artísticos, amplia agora suas linguagens ao incorporar o circo voltado ao público adulto — em diálogo com uma cena contemporânea.

Cada edição, um recorte: a memória como eixo de 2026

Depois de emocionar o público em 2025 com espetáculos sob o tema “O amor como ato revolucionário”, essa temporada assume novo eixo curatorial e avança agora para um território ainda mais provocador: a memória como escolha política.

A edição lança ao público uma pergunta direta e necessária: o que não se pode esquecer?

Sob o recorte curatorial “Lugar de Memória: Sobre o que não podemos esquecer”, a programação, que segue até outubro, propõe revisitar o passado não como nostalgia, mas como ferramenta para compreender o presente e imaginar outros futuros possíveis. É a memória como matéria viva em disputa, em movimento e em construção coletiva.

Ao formular essa pergunta central, a curadoria do Sesc Itaquera lança luz sobre histórias silenciadas, corpos que resistiram e saberes que sobreviveram apesar das tentativas de apagamento.

Trata-se de um gesto fundamental, já que nosso passado nem sempre foi narrado de forma justa. Muitas vezes, foi escrito pelos vencedores, enquanto experiências fundamentais permaneceram à margem.

Memória, então, é disputa de sentido.
Lembrar é um gesto crítico e necessário.

O Boca de Cena propõe tensionar essas narrativas, trazendo à cena feridas históricas, memórias apagadas e trajetórias invisibilizadas. Os espetáculos convidados tratam a lembrança como força de cura, afirmação e continuidade — capaz de produzir deslocamentos individuais e coletivos. O palco se torna território simbólico onde passado, presente e futuro se cruzam, revelando outras formas de existir e permanecer.

Serviço
"A Solidão do Feio" da Cia Os Crespos

14 anos | 80 minutos 

SESC ITAQUERA - Pelo Projeto Boca de Cena
6ª feira, 17/4 às 19h, e sábado, 18/04, às 17h30 - GRATUITO
SESC ITAQUERA: Av. Fernando Espírito Santo Alves de Mattos, 1000 
Ingressos: Gratuito | Retirada de ingressos uma hora antes
Classificação: 14 anos | Duração: 80 min



FICHA TÉCNICA:
Concepção e atuação: Sidney Santiago Kuanza

Direção: Gabi Costa e Sidney Santiago Kuanza

Direção de Produção: Rafael Ferro e Sidney Santiago Kuanza

Direção de arte: Jandilson Vieira 

Dramaturgia: Sidney Santiago Kuanza

Dramaturgia de imagens e desenho de som: Eduardo Alves

Operação de som e vídeo: Heron Demetrius e Duque

Iluminação: Denilson Marques

Operação de LuzGuilherme Pereira

Cenografia: Wanderley Wagner

Concepção de Figurino: Sidney Santiago Kuanza

Criação de Figurino especial Lima Barreto: Zebu

Peças acervo: Hilda Marinho

Contrarregra: Fredo Peixoto 

Produção executiva: Jandilson Vieira

Fotografia: Pedro Jackson e Fredo Peixoto

Designer: Irving Bruno 

Aderecista e desenho de traje: Thiago Menezes

Comunicação e Assessoria de imprensa: Pedro Madeira e Rafael Ferro

Jornalista ColaboradorNabor Júnior

Vozes off: Darília Ferreira, Heitor Goldflus e Pedrão Guimarães

Apoio: Ocupação 9 de Julho e Teatro de Container

Transporte de cenário: Hugo Torrens Soria



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