Pesquisa feita na Zona Noroeste sobre CAPS das periferias vira livro e saraus culturais em São Paulo
Celebrando o lançamento do livro e o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, três saraus ocupam CAPS da Zona Noroeste com música, poesia e arte, em um grande encontro no território onde o projeto foi criado.
Livro registra experiências de arte e saúde mental em CAPS da periferia de São Paulo
Fazendo um “esquenta” para o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, nos dias 04, 08 e 13 de maio de 2026, com entrada gratuita, acontecem três saraus culturais na Zona Noroeste de São Paulo, celebrando o lançamento do livro “Oficinas de Arte e Cultura – um sobrevoo pelos CAPS Adultos Brasilândia e Perus”. No dia 04 de maio (segunda-feira), o sarau acontece no CAPS AD Brasilândia, em 08 de maio (sexta-feira) na Biblioteca de Perus e no dia 13 de maio (quarta-feira) no CECCO Perus. Em parte das atividades haverá recursos de acessibilidade como Libras e audiodescrição.
A iniciativa propõe transformar o livro em um grande encontro cultural nos próprios territórios onde a pesquisa foi realizada, reunindo usuários dos serviços do CAPS, artistas, coletivos culturais e moradores dos territórios envolvidos, destacando a arte como ferramenta de cuidado em saúde mental.
Além do lançamento do livro, acontecerão apresentações de poesia, música, performances, rodas de samba, feira de economia solidária, exposições, microfone aberto, oficinas de criação de estandartes e cartazes para a luta antimanicomial, com participações de coletivos ligados aos próprios CAPS, reforçando o protagonismo cultural das periferias e a potência desses espaços como centros de convivência, criação e produção de vida.
Lançado em formato impresso e digital (e-book), o livro é resultado do projeto “A Arte como Meio de Promoção da Saúde Mental: um olhar sob CAPS sediados em periferias” (@saude.na.periferia).
Sobre o projeto de arte e saúde mental em CAPS da periferia de São Paulo
Frequentemente alvo de piadas e memes, os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) ainda são vistos de forma distorcida ou associados aos antigos manicômios. Um exemplo é o meme "eu e minha amiga fugindo do CAPS" representando os usuários de formas pejorativas, o que não é a realidade.
Na contramão dessa visão, o projeto “A Arte como Meio de Promoção da Saúde Mental: um olhar sob CAPS sediados em periferias” coloca no centro quem vive esses espaços no dia a dia: pessoas que criam, cantam, pintam, escrevem e constroem outras formas de cuidado e existência. “A loucura precisa ser melhor acolhida e falaremos muito disso nos Saraus. Esse estigma apaga o papel desses espaços que promovem cuidado em liberdade, convivência e práticas culturais nos territórios”, comentam as pesquisadoras.
O projeto é um estudo cultural que investigou o impacto de práticas artísticas (artes visuais, música, teatro, literatura) no bem-estar mental de usuários de CAPS em territórios periféricos de São Paulo. A pesquisa acompanhou oficinas e atividades culturais em dois CAPS: Adulto III da Brasilândia e II Adulto de Perus, refletindo como a arte contribui para a recuperação, o fortalecimento subjetivo e a construção de vínculos. O resultado é o livro “Oficinas de Arte e Cultura – um sobrevoo pelos CAPS Adultos Brasilândia e Perus”, que reúne reflexões, registros e experiências sobre as relações entre arte, cuidado e território.
“Nos CAPS existe uma produção cultural muito potente que quase nunca ganha visibilidade. São oficinas, experiências coletivas e processos criativos que ajudam a reconstruir vínculos com a vida e com o território. A pesquisa quis justamente registrar e valorizar essas práticas”, explica a equipe do projeto.
Ao registrar experiências culturais nesses espaços, o projeto propõe um novo olhar sobre os CAPS, destacando-os como lugares de convivência, produção cultural e criação artística. “Existe vida além do diagnóstico. E muitas vezes ela aparece primeiro na arte”, afirmam as pesquisadoras.
O estudo foi desenvolvido por meio do Edital ProAC nº 46/2024 – Pesquisa e Publicação de Estudo Cultural. E o projeto de ações territoriais foi contemplado pelo Edital Fomento CultSP PNAB nº 46/2024 – Pesquisa e Publicação de Estudo Cultural, do Governo Federal, Governo do Estado de São Paulo, Política Nacional Aldir Blanc, Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas e o Fomento CULTSP.
Além do caráter acadêmico, o projeto também nasce da vivência direta com o território. A proponente Jaqueline Barreto, moradora de Perus, professora de yoga, atriz e arte-educadora, desenvolve pesquisas voltadas à promoção da saúde nas periferias por meio da arte e práticas corporais. A investigação contou com a participação da atriz e produtora Gleice Kelle, como social media, da pesquisadora, produtora cultural e musicista, Emanuela Fontes da Costa, e orientação da psicóloga, pesquisadora, doutora em Psicologia e professora universitária, Laís Barreto Barbosa,.
Informações: www.instagram.com/saude.na.

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