Dia do Pau Brasil: conheça obra que celebra a árvore antes de sua despedida do Museu do Jardim Botânico Em cartaz até 5 de maio, instalação ‘Utopia Botânica’, da artista Fernanda Froes, combina pigmentos naturais do pau-brasil para colorir uma espécie de mosaico composto por camadas de tecido
.jpg) | | Fragmento da obra “Utopia Botânica” de Fernanda Froes |
Rio de Janeiro, 30 de abril de 2026. A instalação “Utopia Botânica”, da artista Fernanda Froes, é uma homenagem -- e um resgate pictórico -- à árvore-símbolo do Brasil: o pau-brasil. Desde o ano passado, a obra está exposta no Museu do Jardim Botânico, mas já tem despedida marcada para o próximo dia 5 de maio. Seu último fim de semana em cartaz coincide com uma data especial: o Dia do Pau-Brasil. Criada especialmente para o espaço, a instalação parte de uma pesquisa sobre antigas receitas portuguesas de produção de pigmentos naturais. A artista combina esses saberes com materiais extraídos do pau-brasil — obtidos a partir de galhos de poda — para produzir tintas em diferentes tonalidades, que vão do vermelho ao roxo, passando por rosa e amarelo. Esses pigmentos são aplicados em camadas de tecido de algodão suspensas do teto ao chão, formando uma composição imersiva. Não é de hoje que o pau-brasil é uma referência simbólica para a arte brasileira. Os modernistas lançaram o Manifesto da Poesia Pau-Brasil, movimento que reivindicava uma arte autenticamente nacional e que viria a influenciar as gerações seguintes, sobretudo os tropicalistas nos anos 1960. A árvore com madeira avermelhada que daria nome àquela terra invadida pelos portugueses em 1500 logo se tornaria um produto a ser extraído e exportado às toneladas para a Europa. A indústria têxtil da época conseguia, através dela, criar algo que ainda hoje é motivo de admiração estética: cores. Hoje, o pau-brasil traz em si todo esse histórico de resistência. Afinal, após séculos de exploração e de destruição de seu bioma nativo, a Mata Atlântica, a árvore ainda está aqui. O trabalho de Fernanda Froes dialoga com essa trajetória: de espécie que deu nome ao Brasil e que foi amplamente explorada no período colonial para os dias de hoje, quando se tornou símbolo de preservação da Mata Atlântica. A coincidência entre a data comemorativa e o encerramento da exposição reforça o convite ao público para conhecer a obra e refletir sobre o papel histórico e contemporâneo da espécie.
O Museu do Jardim Botânico conta com patrocínio master da Shell Brasil, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. A gestão é do idg. Inaugurado em março de 2024, o Museu apresenta ao público, por meio de exposições, conteúdos interativos e programação cultural, o trabalho pioneiro do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro na pesquisa e conservação da flora brasileira Sobre o idg Há 25 anos, o idg atua na gestão e desenvolvimento de projetos culturais, ambientais e educacionais. Une conhecimento, inovação, criatividade e ousadia para dar vida a ideias e contar histórias que provocam reflexões e criam experiências. Guiado pelo propósito de esperançar futuros possíveis, implementou e gere o Museu do Amanhã e o Museu do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro; o Museu das Favelas e o programa CultSP PRO, em São Paulo; o Paço do Frevo, no Recife; e o Museu das Amazônias, em Belém. Também é gestor operacional do Fundo da Mata Atlântica, no Rio de Janeiro.
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