Dandara Vital narra a própria travessia como mulher trans em ‘Raia 8´

 Dandara Vital narra a própria travessia como mulher trans em ‘Raia 8´


Autora transforma a própria trajetória em livro autobiográfico sobre corpo, memória, afeto e o processo de se reconhecer como mulher trans


Dandara Vital estreia como autora com o lançamento de “Raia 8 – Nadando nas memórias de uma mulher trans”, obra em que transforma a própria trajetória em uma narrativa potente sobre identidade, corpo, afeto e reconstrução.

No livro, Dandara revisita a infância, a relação com a natação, as primeiras descobertas do desejo e os conflitos de crescer sem ainda conseguir nomear o que sentia. Ao longo de oito capítulos, inspirados nas raias de uma piscina, a autora conduz o leitor por diferentes fases de sua vida até o processo de se reconhecer e se afirmar como mulher trans.

“Quando as pessoas falam de transição, acham que é só de gênero. Mas a gente faz várias transições na vida. Eu conto desde a criança que descobria o corpo na água, as paixões, o desejo, até o momento em que eu me reconheço como quem sempre fui”, afirma.

A escrita começou ainda nos anos 2000, quando Dandara criou um blog para relatar, em tempo real, os desafios da própria transição. Em meio a conflitos familiares, dificuldades profissionais e experiências de vulnerabilidade, a palavra virou acolhimento, memória e sobrevivência.

“Eu escrevia tudo. Era uma forma de sobreviver emocionalmente. E as pessoas vinham, comentavam, diziam que se viam ali. Aquilo virou uma terapia para mim”, completa.

Com o tempo, sua trajetória também se consolidou nas artes, passando pelo teatro, pela produção cultural e pelo carnaval. Foi nesse percurso que Dandara reconheceu a escrita não apenas como registro pessoal, mas como linguagem artística.

A ideia inicial era reunir lembranças em textos curtos, quase como fragmentos. Mas a força dessas memórias acabou dando forma a um livro inteiro. O capítulo final, segundo ela, foi o maior desafio.

“Eu escrevi o último capítulo mais de mil vezes, porque queria um final apoteótico. Muito inspirado no carnaval, nessa ideia de fechamento grandioso. No fim, é um reencontro comigo mesma.”

Com linguagem direta e sensível, “Raia 8” mergulha nas múltiplas camadas da experiência de uma mulher trans, atravessando temas como pertencimento, exclusão, desejo, arte e reinvenção.

FOTOS:  Arquivo Pessoal/ Divulgação


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