Adele Fátima, Diva Negra da Cultura Brasileira: espetáculo de contação de histórias realiza circulação na cidade do Rio
Adele Fátima, Diva Negra da Cultura Brasileira: espetáculo de contação de histórias realiza circulação na cidade do Rio
Com apresentações em Santa Cruz, Aldeia Maracanã e Realengo, o espetáculo Adele Fátima, Diva Negra da Cultura Brasileira é uma peça criada para desconstruir a imagem criada sobre a estrela, que é a protagonista do projeto. Ao todo, serão 10 Contações de História, pela própria atriz, e se tornam espaços de oportunidades para o público ficar diante da artista, que construiu um legado no teatro, no cinema, na televisão, na publicidade e nos movimentos culturais e negros, e ainda continua enriquecendo a sua trajetória com um legado inestimável, em nossa História.
Adele Fátima, que assina a dramaturgia em parceria com Paulo Mileno, se tornou conhecida do público ao estrelar o comercial da Sardinha 88 e ao dar vida a protagonista Clara das Neves de Histórias Que Nossas Babás não Contavam, uma paródia sensual da história da Branca de Neve.
O filme foi um sucesso de público nos cinemas brasileiros e também na televisão, sendo exibido constantemente nas sessões noturnas do SBT na década de 1980 e mais recentemente no Canal Brasil. "Ser símbolo sexual atrapalhou minha vida. (...) É claro que estudo todas as propostas que recebo, e quando ela é significativa, lá estou eu gravando", enfatiza Adele.
A proposta do projeto visa resgatar a imagem de Adele Fátima, que revolucionou o Brasil e o mundo, ressignificando a beleza, a corporalidade, a potência, talento e carisma da mulher negra. Adele vem de um período em que não havia mulheres negras nas capas de revistas de beleza. Ela veio em seguida da Aizita Nascimento, da Vera Manhães e outras raríssimas aparições em publicações do gênero.
Segundo o jornalista e escritor Joaquim Ferreira dos Santos, até então, mulheres para terem a chancela de ícones da perfeição plástica “precisavam estar cobertas de uma quase camada de leite, uma peruca loura e, se possível, olhos verdes”, afirma o escritor.
Ainda de acordo com o escritor, Vera Fischer era assim, as vedetes do teatro de revista também e todas as que ocupavam as capas da Manchete, Fatos e Fotos, O Cruzeiro e também da descolada revista SR. “As negras só podiam ser associadas à sensualidade, à alcova, mas não ao padrão social consagrado de beleza. Toda esta mulherada de coloração incrível, do mais suave moreno ao mais exacerbado negro, deve muito a Adele”, acrescenta.
Filha de pai europeu e mãe descendente de negros e indígenas, Adele Fátima é a síntese da miscigenação característica da população brasileira. Desta forma, o espetáculo mostra ao público desde o início de sua carreira até sua representação brasileira, mesmo estando fora do Brasil.
Adele Fátima é ícone da cultura brasileira, símbolo da beleza, da representatividade e da resistência artística. Tornou-se um rosto conhecido nacionalmente nas décadas de 1970 e 1980, quando protagonizou o icônico comercial das Sardinhas 88, além de conquistar projeção internacional, tendo atuado em quatro filmes no exterior, entre eles, na franquia 007, contracenando com Roger Moore, o próprio James Bond, sendo até hoje a única Bond Girl brasileira da história do cinema mundial.
“Se o mundo das artes, do teatro, do cinema, da música, da publicidade e do carnaval e a sociedade não são mais os mesmos desde quando Adele Fátima começou é porque temos uma Diva como ela, que nos impactou ao mudar a própria realidade e, por conseguinte, a visão do público que a assiste e a reverência como a Rainha que ela é”, enfatiza Paulo Mileno, idealizador, produtor e diretor do espetáculo.
A História a ser contada será em formato teatral, representada e apresentada pela própria atriz, Adele Fátima, que vai passar em revista a sua trajetória e contribuição para as artes, o carnaval e a cultura em geral.
“É incontestável que a trajetória de Adele Fátima é um resgate cultural e histórico. As novas gerações, sejam os brancos antirracistas e as massas negras ávidas por representação precisam saber como ‘uma neguinha’ conseguiu quebrar um antigo paradigma, abrindo espaço na mídia para a mulher negra, valorizando sua imagem e fenótipos a nível internacional, transformando, de forma revolucionária, a mentalidade e o comportamento da sociedade”, analisa Mileno.
Mesmo após enfrentar situações delicadas ao longo de sua trajetória, Adele Fátima encontrou forças para se reconstruir e dar a volta por cima. Em meio às dores e desafios, decidiu não se deixar definir pelas adversidades, mas sim pela sua capacidade de superação. Hoje, sua história se transforma em um símbolo de resistência e renascimento.
“Como fênix, insatisfeita com o rumo da própria vida e em busca da felicidade, Adele ressurge como símbolo de resistência, com novos projetos audiovisuais, musicais, teatrais e literários e o projeto da sua vida que é sobre o Meio Ambiente e está pronta para ocupar de novo o lugar de destaque que sempre foi seu, que são os holofotes do sucesso”, finaliza Paulo Mileno.
Sobre Adele Fátima
Adele Fátima é um dos nomes mais marcantes da cultura popular brasileira, especialmente quando se fala da televisão dos anos 1970 e 1980 e do brilho do carnaval carioca. Atriz, modelo e dançarina, ela construiu uma trajetória que mistura talento, resistência e reinvenção.
Nascida no Rio de Janeiro, Adele começou sua carreira ainda jovem como modelo, chamando atenção pela beleza e presença de palco. Sendo a principal mulata do show do Oswaldo Sargentelli, rapidamente migrou para a televisão, ganhando projeção nacional ao integrar o elenco do programa Os Trapalhões, onde se destacou como uma das “trapalhonas”, em toda a linha de shows da TV GLOBO durante uma década, incluindo Chico Anysio, Viva o Gordo, Chico City, Alerta Geral, entre outros, tendo atuado em novelas e minissérie.
Sua desenvoltura diante das câmeras abriu portas também para o cinema com participações em produções como o infantil O Homem de Seis Milhões de Cruzeiros contra as Panteras, 007 Contra o Foguete da Morte, Natal da Portela e Histórias Que Nosso Cinema (Não) Contava.
Paralelamente à carreira artística, Adele Fátima também construiu uma forte ligação com o carnaval do Rio de Janeiro, tornando-se uma figura icônica da folia. Ela foi proclamada como madrinha de Bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel no desfile de 1981 pelos próprios componentes da bateria, portanto, entrou para a história no carnaval carioca como a primeira madrinha de bateria e brilhou como destaque em escolas de samba tradicionais.
Sua presença no Sambódromo sempre foi marcada por fantasias luxuosas e performances cheias de energia, reforçando seu status como símbolo do carnaval carioca. Além de mais, Adele Fátima está eternizada para todo o sempre no Sambódromo do Rio de Janeiro devido ao fato de ter sido a musa inspiradora do genial arquiteto Oscar Niemeyer que representou as curvas dos quadris de Adele no monumento das curvas apoteóticas na Apoteose da Marquês de Sapucaí
Ao longo da carreira, Adele Fátima participou de diversos programas de televisão, ensaios fotográficos e eventos culturais, mantendo-se como uma referência de uma época em que a televisão e o cinema brasileiros viviam intensa efervescência. Sua imagem permanece associada à ousadia, à alegria e à potência do corpo negro feminino na mídia, especialmente em um contexto em que a representatividade ainda era limitada.
Hoje, Adele Fátima é lembrada não apenas por sua beleza e talento, mas também por sua contribuição para a cultura popular brasileira e para o carnaval, sendo considerada uma figura emblemática de uma geração que ajudou a moldar o entretenimento no país, sendo considerada patrimônio nacional.
Serviços
Espetáculo Adele Fátima, Diva Negra da Cultura Brasileira
18 de abril, às 15 horas
Igreja de São Jorge - R. Adolfo Konder, 141 - Realengo, Rio de Janeiro
23 de abril, às 12 horas.
Igreja de São Jorge - R. Adolfo Konder, 141 - Realengo, Rio de Janeiro
29 de Abril, às 15 horas
Aldeia Maracanã - Av. Rei Pelé, 1051 - Maracanã, Rio de Janeiro
Ingressos: Gratuitos
FICHA TÉCNICA:
Pesquisa e Idealização: Paulo Mileno
Dramaturgia: Adele Fátima e Paulo Mileno
Elenco: Adele Fátima
Direção: Paulo Mileno
Figurino e acessórios: Adele Fátima
Assessoria de Imprensa: Alessandra Costa
Social Media: Paulo Mileno
Design Gráfico: Paulo Mileno
Produção Executiva e Produção Cultural: Paulo Mileno
Realização: Mpumelelo Kwami
Apoio:
Instituto Mugozap Capoeira Sinhá
Casa de Cultura de Jacarepaguá
Instituto de Pesquisas e Estudos Afro Brasileiros
Ponto de Cultura Mugozap Capoeira Sinhá
Patrocínio:
Secretaria de Cultura e Economia Criativa, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Ministério da Cultura, Governo Federal.

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