“Qual é o seu lugar no mundo?” Oficinas de teatro político e popular para mulheres movimentam o Barreiro no mês de março

 “Qual é o seu lugar no mundo?” Oficinas de teatro político e popular para mulheres movimentam o Barreiro no mês de março

Inspiradas na metodologia Teatro do Oprimido, oficinas gratuitas convidam mulheres negras e periféricas a serem espect-atrizes. A programação já começou e ainda há vagas para os próximos encontros.




Em março, mês marcado pela luta histórica das mulheres por direitos e dignidade, o Barreiro se torna palco de um encontro potente entre arte e protagonismo feminino. O projeto “Seu Lugar no Mundo – Teatro Político e Popular”, idealizado por Sabrina Dourado, que reside em ocupação na região, realiza uma série de oficinas gratuitas que convidam mulheres negras e periféricas a refletirem sobre seus lugares no mundo e sobre as possibilidades de transformação coletiva por meio da arte. A iniciativa teve seu primeiro encontro no dia 7 de março, no Centro Cultural Vila Santa Rita, e as oficinas seguem ao longo do mês em diferentes centros culturais do Barreiro. As inscrições para os próximos encontros estão abertas.


Realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, por meio do edital Descentra, o projeto propõe um espaço de criação acessível e acolhedor, onde as experiências de vida das participantes se tornam matéria-prima para a construção artística. Segundo Sabrina, que conduz as oficinas, a proposta nasce de uma inquietação que atravessa a trajetória de muitas mulheres periféricas. “Esse projeto nasce de uma pergunta muito simples e muito profunda: qual é o meu lugar no mundo? A partir dessa pergunta, eu quis criar um espaço de reflexão, de escuta e de criação dentro do próprio território, para que mulheres possam olhar para suas trajetórias, reconhecer suas potências e imaginar outras possibilidades de existir e agir no mundo”, explica.


SOBRE O TEATRO DO OPRIMIDO
A oficina utiliza como base a metodologia do Teatro do Oprimido, criada pelo dramaturgo Augusto Boal, que propõe um teatro participativo, em que as pessoas deixam de ser apenas espectadoras e passam a ser também protagonistas da cena e da reflexão social. “A metodologia parte da ideia de que todo mundo é espect-ator. Ao mesmo tempo que a gente observa o mundo, também atua nele. O teatro se torna um espaço para experimentar outras formas de agir, refletir sobre as opressões que atravessam nossas vidas e pensar caminhos de transformação”, afirma a atriz.


Cada encontro acontece em um único dia e termina com uma pequena mostra aberta ao público, permitindo que a comunidade acompanhe o processo criativo desenvolvido pelas participantes. A atividade também foi pensada para ampliar o acesso, por isso, o espaço conta com acessibilidade arquitetônica, possibilidade de audiodescrição e Libras, além de profissional brincante responsável, permitindo que as mães participem tranquilamente com seus filhos.


IMPORTÂNCIA DA INICIATIVA PARA A REGIÃO
Para Evandro Nunes, coordenador do projeto, a proposta ganha ainda mais força por acontecer no mês dedicado às mulheres e por ser conduzida por uma artista também  periférica. “Eu acho que o projeto tem importância em duas perspectivas. A primeira é por ser um projeto de mulher, voltado para mulheres, justamente em um momento em que a gente vive uma onda muito forte de violência e feminicídio. Pensar um projeto conduzido por uma mulher negra, periférica e jovem, onde ela pode contribuir com várias outras, se questionando sobre qual é seu lugar no mundo nesse processo de construção de protagonismo, força e empoderamento. Acho que isso é o que é mais brilhante nesse projeto ",ressalta.


Além do encontro presencial, o projeto prevê um desdobramento formativo com um encontro online posterior, conduzido por uma profissional especializada na técnica Arco-Íris do Desejo, também ligada ao Teatro do Oprimido. A proposta é ampliar as reflexões surgidas nas oficinas e dar continuidade ao processo de criação e aprendizado.


“Eu estou bem animada. E, para mim, é um sonho realizado também”, resume Sabrina. ““Foi o primeiro método que eu tive contato no teatro e foi o que me despertou uma vontade, assim, de realmente seguir com isso como carreira, onde eu pude sentir que eu sou capaz de ocupar esse espaço, de ter essa profissão como espect-atriz. E multiplicar o teatro, que é uma ferramenta de luta, de independência, de transformação social”, finaliza.


INSCRIÇÕES
A participação é gratuita e aberta a mulheres e pessoas não binárias que, muitas vezes, também são atravessadas pelas violências direcionadas às mulheres. As oficinas acontecem sempre das 14h às 17h e as vagas são limitadas a 20 participantes por encontro. As inscrições podem ser feitas presencialmente no Ponto de Cultura FavelArte ou por meio de formulário online.


14 de março
Centro Cultural Bairro das Indústrias
Rua dos Industriários, 289 – Indústrias I (Barreiro) / Belo Horizonte - MG,30610-280

21 de março
Centro Cultural Lindeia Regina
Rua Aristolino Basílio de Oliveira, 445 – Regina / Belo Horizonte - MG, 30692-190

28 de março
Centro Cultural Urucuia
Rua W-3, 500 – Pongelupe / Belo Horizonte - MG, 30628-175


SERVIÇO

Ocupa - FavelArte - Cultura, Cidadania e Memória da Periferia

Local: Rua Profa. Dirce Maria, N°530 - Barreiro, Belo Horizonte - MG, 30666-515

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