Leituras na Favela entra no quinto ano de oficinas no Complexo da Maré

 Leituras na Favela entra no quinto ano de oficinas no Complexo da Maré


Projeto oferece encontros semanais com foco em literatura negra 


O Projeto Leituras na Favela entra no seu quinto ano realizando oficinas gratuitas de literatura no Complexo da Maré. O projeto, que tem como objetivo formar um público engajado na leitura a partir da infância, valorizando o protagonismo negro, indígena e feminino, é realizado todas as terças-feiras na Biblioteca Municipal Jorge Amado, que fica na Areninha Cultural Herbert Vianna, com alunos das escolas públicas da região.


Com uma equipe majoritariamente formada por pessoas negras e moradores de favela, a iniciativa conta com dez colaboradores e 46 crianças. Durante os encontros são vivenciadas rodas de conversa e atividades artísticas, e os participantes também recebem lanche e kit leitura. 


“Compreendemos que a maioria dos nossos beneficiários são crianças que vivem em contexto de desigualdade social, em sua maioria negra, por isso a importância de garantia de um lanche nutritivo. Toda a estrutura da biblioteca está adaptada para receber pessoas com deficiência, com rampas e banheiros recém reformados”, destacam os idealizadores Anderson Oli e Camila Mendes. 


Anderson é morador do Complexo da Maré, ator, artista visual, documentarista, educador popular, graduando em Letras-literaturas na UFRJ, com trabalhos desenvolvidos no audiovisual e com arte-educação. E Camila Mendes é professora de Língua Portuguesa e Literatura, moradora da Maré e coordenadora metodológica do projeto Leituras na Favela – EJA: Eles Leem! 


Com duração de três meses, as oficinas promovem o acesso a direitos básicos por intermédio da leitura. Ao final deste período, os alunos realizarão o encerramento do projeto com um sarau de poesias, literatura e música, onde se apresentarão para os responsáveis.



Mais livros, menos telas 


A ideia para o Leituras na Favela surgiu em 2021 com a leitura dos livros da banca examinadora da UERJ para o vestibular. Dez jovens participaram da atividade entre janeiro e julho por vídeo chamada. Foi quando os educadores comprovaram a precarização dos recursos públicos para a educação e inúmeras outras dificuldades estruturais. Além disso, perceberam que o tempo de exposição às telas trazia grandes desafios na concentração e na capacidade de interpretação dos jovens. 


Para a formação das turmas, os idealizadores visitam escolas da região, instituições locais e divulgam nas redes sociais. Ao visitar os espaços e apresentar as atividades, Anderson e Camila começaram a conquistar os alunos: “Ao incentivar a leitura a partir da conexão do livro e das histórias, interagimos com os outros leitores frente a frente, sem telas. Acreditamos que o acesso à leitura amplia as oportunidades e melhora o repertório sociocultural. O livro nos possibilita conhecer e refletir sobre a nossa vida e a vida de outras pessoas reais, por isso gera tanta identificação”.


Contemplando crianças e adolescentes entre 5 e 15 anos que estejam matriculadas na rede municipal de ensino, por intermédio do edital Territórios em Foco, o Leituras na Favela conta com o incentivo do Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através da Política Nacional Aldir Blanc. 



Serviço: Leituras na Favela

Duração: De 17 de março a 12 de maio de 2026 

Local: Biblioteca Municipal Jorge Amado (Areninha Cultural Herbert Vianna) – Maré

Periodicidade: todas as terças-feiras

• 15h – Contação de histórias (5 a 10 anos)

• 16h – Leitura compartilhada (11 a 15 anos)

Instagram: @leiturasnafavela 

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