Cinemateca Brasileira exibe nova cópia do filme FÁBULA (1965), do sueco Arne Sucksdorff


 Cinemateca Brasileira  exibe nova cópia do filme FÁBULA (1965), do sueco Arne Sucksdorff

Longa filmado no Morro da Babilônia terá sessão no dia 30 de março, seguida de debate com Esther Hamburger e Joel Pizzini

 


 

Com curadoria de Carlos Augusto Calil, o Programa Revisão Crítica do Cinema Brasileiro organiza sessões mensais na Cinemateca Brasileira, sempre acompanhadas de debates. O objetivo é promover a difusão de filmes com pouca circulação e/ou que foram restaurados pela instituição.

 

No dia 30 de março (segunda-feira), às 19h30, será realizada uma sessão de uma nova cópia DCP do longa-metragem FÁBULA (1965), de Arne Sucksdorff. Esta versão digital, confeccionada pelo Laboratório de Imagem e Som da Cinemateca Brasileira, partiu de uma cópia 35mm fornecida por Svensk Filmindustri, com créditos e narração em sueco. Os créditos foram traduzidos e a narração, substituída pela de Nelson Xavier, que consta da versão brasileira do filme.

 

 

FÁBULA foi apresentado no Festival de Cannes em 1965 e retrata a desigualdade social no Rio de Janeiro dos anos 60. Gravado no Morro da Babilônia com som direto e elenco local, o filme é narrado por Nelson Xavier e acompanha o cotidiano de crianças órfãs que circulam entre a comunidade e a praia de Copacabana.

 

A exibição do filme será seguida de um debate com Esther Hamburger e Joel Pizzini, sob mediação de Carlos Augusto Calil. O debate terá Libras e será transmitido no YouTube da Cinemateca Brasileira.

 

Os ingressos são gratuitos e serão distribuídos uma hora antes da sessão.

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Fábula (ou Meu lar é Copacabana)

Por Carlos Augusto Calil, curador

 

Em 1965, Arne Sucksdorff apresentou Mitt hen är Copacabana, uma produção sueca (Svensk Filmindustri), no Festival de Cannes.

 

Falado em português, filmado no Morro da Babilônia no Rio de Janeiro, captação de som direto e atores da comunidade, o filme ganhou uma versão brasileira, Fábula, narrada por Nelson Xavier.

 

O filme é o resultado de um curso de técnica cinematográfica oferecido pelo consórcio IPHAN/Itamaraty/Unesco visando a apresentar aos jovens cineastas brasileiros os novos equipamentos que permitiam o registro da imagem com som direto em sincronia.

 

Sucksdorff não tinha a aura de Joris Ivens, ou do mais jovem François Reichenbach, nomes da preferência dos postulantes, mas trazia na bagagem uma sólida formação técnica e uma sensibilidade apurada para os temas relacionados com a natureza e a vida urbana.

 

Participaram desse curso João Bethencourt, Flávio Migliaccio, Nelson Xavier, José Wilker, Dib Lutfi, Eduardo Escorel, Luiz Carlos Saldanha, Antônio Carlos da Fontoura, Domingos de Oliveira, Vladimir Herzog, Lucila Ribeiro, entre outros, tendo como intérprete Arnaldo Jabor.

 

O treinamento culminou com a doação pela Unesco ao IPHAN de um conjunto completo de equipamentos de ponta, composto de uma câmera Arriflex 35mm, gravador Nagra e moviola Steenbeck, que assegurou a produção de quase todos os filmes do Cinema Novo que se sucederam. A moviola é até hoje utilizada pela Cinemateca do MAM do Rio de Janeiro.

 

O apelo da matéria brasileira, com o incontornável enfrentamento da desigualdade social, calcada na discriminação do negro, levou o cineasta a envolver-se na produção de mais uma obra sobre a infância perdida, no rastro de Rio 40º graus (1955) e Couro de Gato (1961), usando como locação principal as mesmas ruínas do telégrafo onde outro estrangeiro, Marcel Camus, filmou Orfeu negro (1959), vencedor da Palma de Ouro no mesmo festival.

 

A realização do filme foi também espécie de coroamento do aprendizado, ao proporcionar a alguns dos participantes o exercício prático em nível profissional.

 

A cópia que será exibida foi adquirida com recursos do projeto de pesquisa (Fapesp) da professora Esther Hamburger da ECA/USP junto à produtora sueca.

 

Desde o início o compromisso do projeto era com a doação do filme à Cinemateca Brasileira e sua divulgação na comunidade originária.

 

 


CINEMATECA BRASILEIRA

Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Mariana

 

Horário de funcionamento

Espaços públicos: de segunda a segunda, das 08 às 18h

Salas de cinema: conforme a grade de programação.

Biblioteca: de segunda a sexta, das 10h às 17h, exceto feriados

 

Sala Grande Otelo (210 lugares + 04 assentos para cadeirantes)

Sala Oscarito (104 lugares)
Área externa (300 lugares)

Retirada de ingresso 1h antes do início da sessão


 

SOBRE A CINEMATECA BRASILEIRA 

A Cinemateca Brasileira, maior acervo de filmes da América do Sul e membro pioneiro da Federação Internacional de Arquivo de Filmes – FIAF, foi inaugurada em 1949 como Filmoteca do Museu de Arte Moderna de São Paulo, tornando-se Cinemateca Brasileira em 1956, sob o comando do seu idealizador, conservador-chefe e diretor Paulo Emílio Sales Gomes. Compõem o cerne da sua missão a preservação das obras audiovisuais brasileiras e a difusão da cultura cinematográfica. Desde 2022, a instituição é gerida pela Sociedade Amigos da Cinemateca, entidade criada em 1962, e que recentemente foi qualificada como Organização Social.

O acervo da Cinemateca Brasileira compreende mais de 60 mil títulos e um vasto acervo documental (textuais, fotográficos e iconográficos) sobre a produção, difusão, exibição, crítica e preservação cinematográfica, além de um patrimônio informacional online dos 120 anos da produção nacional. Alguns recortes de suas coleções, como a Vera Cruz, a Atlântida, obras do período silencioso, além do acervo jornalístico e de telenovelas da TV Tupi de São Paulo, estão disponíveis no Banco de Conteúdos Culturais para acesso público.

 

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