O Pescador e a Mulher-Esqueleto | Teatro, inclusão, instituições e escola pública: circulação leva metáfora sobre diferença a 6 mil alunos de SP
Espetáculo O Pescador e a Mulher-Esqueleto, feito com bonecos, realiza apresentações em instituições para pessoas cegas e escolas públicas
Crédito: Arô Ribeiro
Fotos e vídeos para a imprensa: AQUI
A dificuldade em aceitar o que é “diferente” é o ponto de partida do novo espetáculo infantojuvenil do Grupo Caleidoscópio, O Pescador e a Mulher-Esqueleto, com dramaturgia e direção artística de João Bresser e elenco formado pelos atores-manipuladores Anderson Gangla, Cássia Carvalho, Juliana Fegoci e Liz Mantovani. Após percorrer cidades de todo o estado de São Paulo e fazer temporada em teatros da capital no ano passado, a peça se prepara para se apresentar em instituições para pessoas cegas e escolas, a partir de março.
O espetáculo explora a linguagem do teatro de bonecos a partir da técnica japonesa milenar Bunraku, quando até três atores-manipuladores, com movimentos sincronizados, manuseiam bonecos construídos com articulações baseadas no corpo humano.
Nas instituições que atendem pessoas cegas, a programação contempla uma apresentação e uma oficina em cada local, reafirmando o compromisso do projeto com a acessibilidade, a inclusão cultural e a ampliação do acesso às artes cênicas. A peça passará pelas seguintes instituições: Associação Tocando em Frente (31/03), Fundação Dorina Nowill para Cegos (8/04), ADEVA – Associação Deficientes Visuais Amigos (9/04), Instituição Cadevi (16/04).
Na sequência, o espetáculo circula por 7 escolas públicas, onde serão realizadas quatro apresentações em cada unidade, duas destinadas às turmas do período da manhã e duas às turmas da tarde, além de duas oficinas, sendo uma voltada aos professores da manhã e outra aos professores da tarde.
Sobre a encenação
O Pescador e a Mulher-Esqueleto é baseado no conto milenar homônimo do povo Inuit, uma nação indígena esquimó que habita as regiões árticas do Canadá, do Alasca e da Groenlândia. A história está presente no livro Mulheres que correm com os lobos: Mitos e histórias do arquétipo da Mulher Selvagem, da psicóloga Junguiana norte-americana Clarissa Pinkola Estés.
“No conto original, a mulher-esqueleto adquire carne e, em uma metáfora, arranca o coração do pescador, mas não era esse o ponto que me interessava. Eu tive a intuição de mantê-la como esqueleto, para justamente unir dois seres completamente diferentes e fomentar uma discussão sobre preconceito, bullying e aceitação. Assim, o amor, que é o pilar da peça, transformará os dois personagens, mas somente em seus corações, e não em suas aparências”, comenta João Bresser.
O cenário fica em cima de uma bancada de três metros de comprimento e reproduz uma casa com todos os móveis e utensílios de um pescador simples. Os espectadores veem uma cozinha com um forno à lenha, pia, mesa de madeira com duas cadeiras e alguns objetos. No quarto, há uma cama antiga de madeira, com um travesseiro e uma coberta. Ao lado da residência fica um quintal com plantas, uma árvore e um lago.
A vibrante trilha sonora de Ivan Garro contribui para a imersão da plateia. A peça também incorpora a linguagem audiovisual para garantir que o público acompanhe a história nos mínimos detalhes.
Todas as cenas no interior da casa são projetadas no varal localizado no quintal do pescador. Já as cenas no lago e no quintal são vistas sem a necessidade desse recurso. Dessa forma, os dramas dos personagens ganham mais profundidade.
“Nós criamos uma sincronia tão perfeita entre os atores-manipuladores, as luzes e as cenas gravadas que o público sempre fica em dúvida se as projeções são ao vivo. Acho isso bastante enriquecedor”, fala Bresser.
Confeccionados por Anderson Gangla e Thais Larizzatti, os dois bonecos em cena medem entre 50 e 60 centímetros e, para o Grupo Caleidoscópio, é um grande desafio dar movimentos realistas a eles. “Precisamos pensar muito bem em como o nosso corpo se comporta quando fazemos ações simples, como o levantar de uma cama. Ao utilizarmos a técnica Bunrako, temos que tornar os movimentos verossímeis, como se fosse mesmo um ser humano. Inclusive, os atores-manipuladores vestem-se de preto para não terem nenhum destaque no espetáculo”, comenta o encenador.
Sobre o Grupo Caleidoscópio
O grupo paulistano dedica-se à pesquisa do Teatro de Animação desde 2003, quando começou o processo de sua primeira criação. O espetáculo O Fantástico Laboratório do Professor Percival estreou em 2004 e utiliza a técnica do Teatro de Objetos. Num segundo momento, inicia-se uma nova pesquisa, tendo como inspiração e ponto de partida a vida do curioso bicho-da-seda. Utilizando a técnica do Teatro de Bonecos com música ao vivo, nasce em 2006, o espetáculo A vida mudada de um bicho mutante.
Já em 2011, estreia o terceiro espetáculo, Andersen sem Palavras, inspirado em cinco contos de Hans Christian Andersen, que são representados através do Teatro de Sombras, sem palavras, tal um cinema mudo, onde imagens, figuras, silhuetas, luzes, sombras e músicas se unem para entreter e emocionar a plateia. O Do Jeito Certo – Um ato sobre o amor, aborda de uma maneira irreverente o machismo nas relações amorosas, utilizando a técnica do Teatro de Objetos. A montagem foi selecionada no Edital ProAC Expresso Lab 36/2020 – Produção de Teatro, com temporada online em abril de 2021 e é a primeira montagem do grupo para o público adulto. A mais recente produção do grupo é “O Pescador e a Mulher-Esqueleto", contemplado em 2021 pelo Edital 38ª Edição do Fomento ao Teatro de São Paulo, da Secretaria Municipal de Cultura.
FICHA TÉCNICA
Elenco: Anderson Gangla, Cássia Carvalho, Juliana Fegoci e Liz Mantovani
Cenário e Adereços: Lourenço Amaral e Valter Valverde
Confecção dos Bonecos: Anderson Gangla e Thais Larizzatti
Trilha Sonora: Ivan Garro
iluminação: Thatiana Moraes
Imagens: Capote Filmes
Assistente de Iluminação: Danilo Mora e Marcelo Pessoa
Operação de som e imagens: Gylez Batista e Dante Dantas
Fotografia: Arô Ribeiro
Figurino: Rogério Romualdo
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto
Programação Visual: Walmick de Holanda
Projeto Audiodescrição: Gangorra
Coordenação do Projeto: Grupo Caleidoscópio
Instagram: @opescadoreamulheresqueleto
SERVIÇO
O Pescador e a Mulher-Esqueleto
Duração: 50 minutos
Classificação: livre (recomendado a partir de 7 anos)
Acessibilidade: haverá audiodescrição e intérpretes de Libras em todas as apresentações
para pessoas cegas ou com deficiência visual, a reserva de equipamento é feita pelo telefone 11 99737-8785).

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