Com dramaturgia de Fran Ferraretto e direção de Eugenio Lima, peça infantojuvenil RUA reflete sobre sonhos e oportunidades
Espetáculo estreia no Sesc Pinheiros e utiliza muita música e batalhas de passinho para tratar de questões sociais
RUA - foto de Sérgio Silva
Dois meninos com realidades bem diferentes acreditam, em um primeiro momento, que não podem ser amigos. No entanto, resolvem procurar a Senhora Sociedade para mudar essa realidade: esse é o ponto de partida de RUA, primeiro espetáculo infantojuvenil dirigido por Eugenio Lima. O trabalho faz sua temporada de estreia no auditório do Sesc Pinheiros, com sessões nos dias 1º, 8, 15, 22 e 29 de março, às 15h e às 17h.
Com texto de Fran Ferraretto, a peça conecta dois universos por meio de uma rua: de um lado, um dos bairros mais ricos de São Paulo; do outro, uma comunidade. Na trama, a aproximação desses dois mundos revela aspectos bons e ruins da sociedade.
“Queremos abordar a desigualdade social, de uma maneira direta, sem subestimar as crianças. E sem difundir as ideias fatalistas e estereotipadas sobre a pobreza ou de que as diferenças entre as pessoas são naturalmente irreconciliáveis. Temos que combater essas visões, porque quando naturalizamos uma situação qualquer, deixamos de lutar para mudá-la ”, conta Lima.
É a terceira dramaturgia infantojuvenil de Fran Ferraretto, que mantém em RUA o mesmo modelo de criação de seus trabalhos anteriores: além de assinar o texto, a artista também idealiza e atua na peça. Por seu espetáculo anterior, Valentim Valentinho, a autora foi indicada ao Prêmio APCA 2024 por sua dramaturgia, e Marcelo Varzea e Erica Rodrigues na categoria direção. No palco, contracenam com Fran os atores Barroso, Fernando Lüfer, Jennifer Souza e Rodrigo Pavon.
“Minha infância no interior foi a grande inspiração, porque eu vivi essa rua que aproximava dois mundos. Quis resgatar essa memória porque ela formou a pessoa que sou, e, consequentemente, a artista que me tornei. É a primeira vez que trago algo tão pessoal para uma dramaturgia, mas tenho certeza de que a identificação será grande, porque, infelizmente, esse é o panorama do país”, conta.
Fran desenvolve obras que exaltam a inteligência das crianças e adolescentes. “É possível tratar de temas importantes e atuais com esse público. Aliás, eu só vejo sentido assim: de igual para igual, claro que com a abordagem correta, mas sem diminuir o alcance deles, ainda mais nos dias de hoje. Foi assim nos meus dois primeiros projetos infantojuvenis, e o resultado na plateia é imediato," completa.
Lucas – Então a gente não pode brincar juntos, e nem ser amigos porque a senhora sociedade fez a gente morar em lugares diferentes?
Jeffinho – Acho que sim. Pelo menos eu nunca vi isso. Lá no meu bairro todo mundo acha que vocês têm medo da gente.
Lucas – Que pena. É porque eu não tenho muitos amigos, e seria muito legal aprender uns passinhos...
Jeffinho – Mas se você quiser eu posso te dar umas dicas.
Trecho da dramaturgia de RUA
Sobre a encenação
Como é comum nos espetáculos de Eugenio Lima, a música tem um papel decisivo na narrativa de RUA. Com canções que vão do eletro funk do DJ, cantor, compositor, produtor e ativista estadunidense Afrika Bambaataa ao trap, a peça também está recheada de batalhas de passinho. Também há composições com letras que utilizam do texto de Ferraretto.
Já o cenário é construído pelas projeções de Vic von Poser. Trata-se de uma rua metafórica que serve como um portal para a imaginação. “Ela se inspirou na pop art inspirada na cultura do grafite produzida pelo artista norte-americano Keith Haring (1958-1990). Tem muitas cores e referências a desenhos infantis, remetendo a uma certa artesania”, explica o encenador.
RUA é definido como um espetáculo contagiante, que, além das danças, explora muito o humor. “Para além de tratar da desigualdade, criamos uma obra que destaca as nossas oportunidades e a importância de sonhar”, reflete Fran.
Um dia, brincando, ele conhece Lucas, um garoto da mesma idade e que mora do lado de lá. Apesar das diferenças, eles se tornarão amigos e viverão, juntos, descobertas boas e ruins sobre o mundo e a sociedade. Com muita música, dança, aprendizado e diversão, a história fala sobre oportunidades, sonhos e amizade.
Operação de luz: Matheus Espessoto
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