Produtora carioca investe no conhecimento técnico e experiencial para criar seus projetos de acessibilização de forma singular
Foto 1: Georgea Rodrigues numa audiodescrição simultânea durante evento cultural (Créditos: divulgação)Em cartaz até 1º de março, na Caixa Cultural Fortaleza, a exposição “Nise – A Revolução pelo Afeto”, criada pelo Estúdio M’Barabá, já recebeu cerca de sete mil visitantes desde a sua abertura e tem, na acessibilidade, um dos pontos pensados para que um maior número de pessoas tenha a possibilidade de conhecer a obra de Nise da Silveira (1905–1999). Com base nessa premissa, a narradora e roteirista Georgea Rodrigues, diretora da Inclusive Acessibilidade Produção Cultural, sentiu que não poderia criar algo convencional para contextualizar o universo da psiquiatra que revolucionou as técnicas terapêuticas por meio da arte e do afeto. “A ideia era caminhar com a curadoria, trazendo justamente a visão transgressora de Nise através do recurso da audiodescrição”, ressalta a diretora.
Ao receber o convite para produzir a acessibilização da mostra, Georgea Rodrigues, participou de uma intensa pesquisa e recriou diversos personagens que conviveram com a médica para traduzir em palavras o percurso da exposição. A proposta, desenvolvida originalmente na primeira edição, foi agora adaptada para celebrar os 120 anos de nascimento da psiquiatra. “O trabalho contou com a participação de uma equipe de audiodescritores roteiristas, consultores e dubladores profissionais. O roteiro foi produzido sob a supervisão da Prof. Dra. Josélia Neves, reconhecida internacionalmente na área, e que também liderou a equipe de audiodescritores da Copa do Mundo Fifa de 2022, no Catar. Nomeamos esse trabalho como Experiência Sonora Descritiva, pois contou também com a criação de sound painting (paisagem sonora)”, explica a produtora.
Com curadoria de M’Baraká e consultoria de Eurípedes Junior, a mostra é dividida em três partes que exploram a vida e o trabalho da psiquiatra. Em exposição, pinturas, desenhos, fotografias, gravuras e esculturas, somando 157 obras de 11 artistas, que evidenciam a potência da expressão artística como instrumento de cuidado, escuta e inclusão. São expostos também documentos históricos e publicações pertencentes ao Museu de Imagens do Inconsciente. Os visitantes são convidados a refletir sobre o poder transformador da arte e da empatia na construção de uma sociedade mais humana e inclusiva.
Arte, cultura e educação inclusivas são os fios condutores que norteiam a trajetória de Georgea Rodrigues. A Inclusive investe no conhecimento técnico e experiencial para produzir de forma singular seus projetos. A abordagem criativa e colaborativa propõe uma experiência impactante e, acima de tudo, anticapacitista. Além da exposição de Nise da Silveira, no Ceará, a produtora também assina o projeto de audiodescrição da Nova Exposição Permanente do Museu do Futebol, em São Paulo, estreado em julho de 2025; e o recém-inaugurado recurso de audiodescrição panorâmica do Circuito de Visitação do AquaRio, no Rio de Janeiro, dentre outros.
“Acreditamos que o recurso da audiodescrição (AD), tradução de imagens em palavras, não deve se limitar a atuar somente com a informação descrita. A AD pode e deve ir além, provocando e instigando o público a sentir integralmente a atmosfera da obra. Para isso, lançamos mão neste projeto, produzir uma narrativa audiodescrita criativa e entregá-la por meio de sonoridades diversas e narrações expressivas. Na Inclusive, trabalhamos essencialmente sob essa perspectiva da acessibilidade estética, a fim de também transformá-la em uma experiência tão interessante que atenda não só ao público de pessoas com deficiência visual, mas ao público que se interessa por cultura. Isso para mim é inclusão”, afirma Georgea Rodrigues.
Na prática, o audiodescritor roteirista precisa compreender profundamente a obra e a partir daí produzir o conceito do trabalho que quer desenvolver. Exemplificando: a exposição “FUNK: Um grito de ousadia e liberdade”, que ficou em cartaz no Museu de Arte do Rio – MAR, trazia a influência do soul no funk carioca. A produtora de acessibilidade escolheu audiodescrever o percurso expositivo por meio de uma avó e uma neta, conectando o passado e o presente.
Na Nova Exposição Permanente do Museu do Futebol, a produtora criou o programa de rádio audiodescrito “Futebol é Mais”, reforçando a importância e a identidade do veículo de comunicação para a pessoa com deficiência visual. No Museu Casa Darcy Ribeiro, em Maricá (RJ), quem conduz a narrativa é o próprio Darcy, que revisita a casa onde morou e foi transformada em museu. Já no AquaRio, na Zona Portuária do Rio de Janeiro (RJ), é uma audiodescritora que narra histórias inusitadas e pitorescas sobre alguns dos 10 mil moradores do maior aquário marinho da América do Sul.
Confira alguns trabalhos da Inclusive Acessibilidade
Criação de audiodescrição para as exposições “Crônicas Cariocas”, “FUNK: Um grito de ousadia e liberdade”, “ARTE EM BREVE: O corpo professor em cena!”, “Pegadas do Pequeno Príncipe” e “Nise da Silveira – A Revolução pelo Afeto”, entre outras. Além das exposições permanentes do Museu Casa Darcy Ribeiro (Maricá, RJ), e a Nova Exposição Permanente do Museu do Futebol, (São Paulo). A produtora também assina o projeto de audiodescrição do Circuito de Visitação do AquaRio (Aquário Marinho do Rio).
Museu do Amanhã (RJ), Museu do Ingá (Niterói, RJ), Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB (RJ) e (BH), Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAMRio, Oi Futuro (RJ), Instituto Moreira Salles (IMS São Paulo), Japan House São Paulo (SP), Petrobras (RJ), Museu de Arte do Rio – MAR (RJ), AquaRio (RJ) e Caixa Cultural Fortaleza (CE) são alguns espaços culturais assistidos pela Inclusive Acessibilidade Produção Cultural.
Audiodescrição para espetáculos teatrais, como: “Cauby! Cauby!”, “O Pagador de Promessas”, “Caio do Céu” e “Onde está Cassandra?” estão na lista de realizações da produtora. Acessibilidade para centenas de produções audiovisuais também fazem parte do currículo da Inclusive Acessibilidade. TV aberta, cinema, canais de streaming (Netflix) e TV fechada (Globo News, Canal Futura, Canal OFF e GNT), redes sociais (projetos para Museu de Arte do Rio – MAR, no YouTube), Mostra FIFH - Cinema Sem Diferenças e filmes de grande circulação como Kasa Branca (2004), É Fada! (2016), Desapega! (2022), Apaixonada (2023), Transo (2023), Assexybilidade (2023) e Turma da Mônica Jovem: Reflexos do Medo (2024). Além de Os Normais (2025), dentro da programação do Festival Open Air, no Rio de Janeiro (RJ).
Conheça Georgea Rodrigues
Natural de Petrópolis, Rio de Janeiro (RJ). Audiodescritora roteirista, narradora e produtora de acessibilidade. Estudou Artes Cênicas na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL). Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo pela FACHA. Especialização em Audiodescrição pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais (MG). Diretora de criação e produtora da Inclusive Acessibilidade Produção Cultural, com quase 10 anos no mercado. A empresa atua na produção de audiodescrição, legendagem descritiva para surdos e ensurdecidos e Libras. É também dubladora há mais de 30 anos, diretora de voz, locutora publicitária e foi locutora do Canal Gloobinho (2020 – 2025). Palestrante e instrutora do curso “Audiodescrição em Produções Audiovisuais” pela ABC Cursos de Cinema e RioFilme. Professora de narração no curso “Audiodescrição AD”, da Pós-Graduação da PUC Minas (MG).
Instagram: @inclusive_acessibilidade
Sobre a M’Baraká
É um estúdio de curadoria e design que cria experiências culturais conectando arte, ciência e história em museus e espaços públicos. Desde 2007, desenvolve projetos narrativos com abordagem crítica, unindo pesquisa histórica, arte contemporânea, design e múltiplas linguagens para ampliar o acesso e contar histórias relevantes.
Com dezenas de exposições e festivais realizados, o estúdio foi premiado pelo IPHAN com o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade (2019) pelo projeto Rolé Carioca e recebeu menção honrosa do IAB-RJ (2020) pela exposição Nise — A Revolução pelo Afeto. Entre os espaços onde já atuou estão CCBB, Museu Histórico Nacional, Museu Nacional, Fiocruz, Sesc SP e Farol Santander.
Foto 2: Imagem de Nise, quadros com gravuras e texto em destaque 'Arte Cura' (Créditos: Allan Diniz)
SERVIÇO
Exposição “Nise – A Revolução pelo Afeto”
Visitação: até 1º de março de 2026
Local: Caixa Cultural Fortaleza - Avenida Pessoa Anta, 287 - Praia de Iracema
Horários: terça a sábado, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 19h
Entrada gratuita
Classificação indicativa: livre
Acesso para pessoas com deficiência
Informações: Site: CAIXA Cultural | Instagram: @caixaculturalfortaleza
Patrocínio: CAIXA e Governo do Brasil
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