Mãe e filha bailarinas dançam sobre
o envelhecimento no SESI Campinas
Protagonizado por Jussara Miller e Cora Laszlo, duo Até Quando? será encenado no domingo (9/11), às 19h, no Teatro do SESI Campinas. Grátis, com ingressos distribuídos pelo site MEU SESI.
Na cena, mãe e filha bailarinas e coreógrafas premiadas dançam o diálogo entre gerações. A mãe expressa, com gestos firmes e contidos, a sabedoria do tempo; a filha responde com leveza e impulso, simbolizando o novo. Juntas, transformam o envelhecimento em arte, demonstrando em gestos que o tempo não separa, apenas coreografa a continuidade entre o que foi e o que está por vir. Esse é o mote que dá o tom ao espetáculo Até Quando?, protagonizado por Jussara Miller e Cora Laszlo, em cartaz domingo (9/11), às 19h, no Teatro do SESI Campinas. A entrada é franca, com ingressos distribuídos pelo site MEU SESI.
“O espetáculo apresenta, de maneira crítica e criativa, a arte como defensora da vida sem preconceitos. E como? Propondo um diálogo intergeracional com a presença de duas gerações em cena, evidenciando de maneira poética as transformações e a finitude da vida e ainda revelando a multiplicidade do envelhecer ao olhar a maturidade e a vitalidade do corpo que dança ‘até quando’ quiser dançar”, destaca a bailarina Jussara Miller, referência brasileira da Técnica Klauss Vianna de Dança e Educação Somática.
Com direção, dramaturgia e cenografia de Norberto Presta, diretor teatral e parceiro artístico de longa data de Jussara Miller, o espetáculo apresenta a temática do envelhecer como processo da passagem do tempo no corpo. “Longe de focar apenas nos sinais da velhice, o trabalho busca revelar a multiplicidade do envelhecer, enfatizando a maturidade, a vitalidade, os saberes e a pulsão de vida do corpo que dança, desafiando estereótipos. A dramaturgia se constrói a partir de um diálogo não-linear e poético sobre o tempo, a memória e o futuro”, pontua o diretor.
E qual a importância de dançar o corpo em envelhecimento? A bailarina Cora Laszlo reflete: “Dançar o corpo em envelhecimento é nada mais do que dançar a todo momento, desde que nasce e começa a dançar, pensando e se entendendo como um corpo que é marcado pelo tempo. Trata-se de prestar atenção nos vários tempos que existem dentro de uma dança, de prestar atenção na história de vida e na trajetória do corpo que a gente traz para a dança”.
Não por acaso, a arte se torna ferramenta potente para falar de um tema ainda tabu: o preconceito de gerações. “A importância de abordar o etarismo é deflagrar o preconceito que a sociedade apresenta perante o envelhecimento, principalmente, da mulher. Especificamente na área da dança, esse tema se apresenta urgente, pois os corpos velhos na dança ainda ocupam um espaço ínfimo. Nesse duo, abordamos o corpo em movimento como fluxo do tempo no corpo e como vitalidade para lidar com o tempo presente, pois o corpo que envelhece é o corpo que permanece vivo. E o corpo vivo é o que se reconhece no presente”, avalia Jussara.
Para trazer a temática à cena, o duo Até Quando? também revisita o diálogo entre a dança e o audiovisual, marca da identidade poética das bailarinas. Na cena, a proposta de audiovisual, assinada pelo artista Christian Laszlo, apresenta a projeção de imagens fotográficas e vídeos sobre o corpo das bailarinas por meio de três telas móveis, que elas mesmas manipulam em cena, instaurando um campo de atravessamentos entre presença e imagem, corpo e memória, dança e tempo. “Este recurso permite visualizar o tempo e a memória grafados na pele, intensificando a narrativa e os questionamentos sobre o processo de envelhecimento”, acrescenta Jussara.
Ao fim (se é que ele existe?), qual vivência poética e reflexiva Até Quando? gostaria de deixar dançando nos olhos dos espectadores? Norberto Presta reconhece: “Busca-se estimular a reflexão pessoal, incentivando o espectador a encarar sua própria equação "corpo-tempo" e a questionar: ‘O que faço com os sinais?’, ‘Como utilizo a potência de vida do meu eu-corpo-tempo?’”.
Cora Lazlo amplia: “Trata-se de uma relação com a vitalidade, o envelhecer não como um pânico, uma perda ou um lugar de fim. Envelhece-se porque se está vivo, e se está vivo é porque se habita um corpo, um espaço, uma relação, uma vitalidade. Acho importante trazer a atenção para a vida em seus vários momentos. Espero que isso chegue às pessoas não como uma mensagem sobre como elas devem viver, mas como um convite a encarar o envelhecer também como uma potência de vida”.
A Temporada
A temporada de Até Quando? é realizada por intermédio do Edital Fomento CultSP, do ProAC (Programa de Ação Cultural), da Secretaria da Cultura, Economia e Indústrias Criativas, do Governo do Estado de São Paulo. Além de oito apresentações do duo pela Capital e por cidades do interior de São Paulo, com recursos de acessibilidade em Libras e Audiodescrição, o projeto prevê a realização das oficinas A Escuta do Corpo, com Jussara Miller, e Outros Caminhos de Dança, com Cora Laszlo, além da palestra Velhices na Dança Contemporânea, com a professora, pesquisadora e artista da dança Diana Rodrigues.
A Sinopse
O espetáculo Até Quando? é um diálogo entre dança e audiovisual que investiga a temática do envelhecer como processo da passagem do tempo no corpo. Trata-se de um duo de dança que apresenta diferentes gerações de mulheres que dançam – mãe e filha – evidenciando de maneira poética as transformações e a finitude da vida nesse diálogo intergeracional revelador da multiplicidade do envelhecer ao olhar a maturidade e a vitalidade do corpo que dança “até quando” quiser dançar.
A Ficha Técnica
Concepção e coordenação geral do projeto: Jussara Miller
Criação, coreografia e dança: Cora Laszlo e Jussara Miller
Direção, dramaturgia e cenografia: Norberto Presta
Fotografia, audiovisual e pesquisa musical: Christian Laszlo
Iluminação: Eduardo Albergaria
Figurino: Warner Junior
Projeto cenotécnico: Christian Laszlo
Edição de vídeo da projeção: Isabela Moura
Arte gráfica: Elis Laszlo
Consultoria em acessibilidade: M&M Acessibilidade Cultural/Daniella Forchetti
Audiodescrição: Daniella Forchetti
Consultoria em audiodescrição: Vilson Zattera
Intérprete de libras: Mile Silva
Registro em vídeo: Isabela Moura e Lucas Reitano
Fotos de divulgação: Ana Laura Cintra e Christian Laszlo
Assessoria de imprensa: Tiago Gonçalves
Marketing digital: Gustavo Xella
Produção executiva e gestão financeira: Wannyse Zivko (Arte & Efeito)
Produção geral: Salão do Movimento
Sobre JUSSARA MILLER
Jussara Miller é bailarina, coreógrafa e professora de dança e educação somática. É Mestre e Doutora em Artes e graduada em Dança pela pela UNICAMP. É docente da Pós-Graduação lato sensu em Técnica Klauss Vianna da PUC-SP e diretora/fundadora do Salão do Movimento, um espaço de dança em Campinas-SP. É autora dos livros: A Escuta do Corpo: sistematização da Técnica Klauss Vianna (Summus, 2007) e Qual é o corpo que dança? Dança e Educação Somática para adultos e crianças (Summus, 2012). É criadora de diversos solos autorais contemplados pelo ProAC, com os quais recebeu os prêmios: Prêmio Denilto Gomes-2021 pelo projeto Verdes e Ouvirdes, Prêmio Denilto Gomes-2018 por sua Trajetória na Dança e o Prêmio Denilto Gomes-2015 pela coreografia do solo Nada Pode Tudo. www.salaodomovimento.art.br
Sobre CORA LASZLO
Cora Laszlo é bailarina e criadora brasileira vivendo entre os Estados Unidos e o Brasil desde 2018. É graduada em Dança pela Unicamp, pós-graduada em Técnica Klauss Vianna pela PUC-SP, mestre em Performance Studies pela New York University e doutoranda pela University of California-Los Angeles (UCLA). Como artista da dança, tem uma forte carreira autoral, tendo criado diversos trabalhos de dança sendo os mais recentes os solos: Gambiarra (2023) e 32 de Dezembro (2019). Viveu em Nova York entre 2018 e 2022, onde apresentou em espaços como Movement Research at Judson Church e foi artista residente no LEIMAY Arts in the Community Garden Fellowship com a qual criou a performance I Swallow Your Silence (2021). É autora do livro Outros Caminhos de Dança (Summus, 2018). www.coralaszlo.com
SAIBA MAIS
O quê: Até Quando?, duo com Jussara Miller e Cora Laszlo
Quando: Domingo (9/11), às 19h
Onde: Teatro do SESI Campinas (Avenida das Amoreiras, 450, Parque Itália, em Campinas | SP)
Quanto: Entrada franca, com ingressos distribuídos pelo site MEU SESI
Informações: @jussara.miller
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