Anná lança o Ep Deusa Diaba da Terra do Sol, uma mensagem clara de resistência frente ao patriarcado

 ANNÁ lança o EP DEUSA Diaba da Terra do Sol, uma mensagem clara de resistência frente ao patriarcado

Link para o EP: https://open.spotify.com/intl-pt/album/65PaMrf1OLLULckeKGgODL 




Quando ANNÁ era pequenininha a Diaba a chamou. E agora, artista feita, usa da sua voz para chamar a Diaba que mora dentro do nosso profundo através de seu novo álbum, com 4 faixas (sendo 3 autorais).  Segunda parte do projeto “DEUSA Diaba da Terra do Sol” com uma sonoridade que evoca nosso visceral, a vontade de cantar alto dançando com as portas fechadas dentro do quarto e um som ainda mais alto que nossa voz, fazendo o rock ecoar pela vizinhança e, alguém pensar sentado em seu sofá: “Mas que diabos está acontecendo aqui?”. Aliás, este para mim é o melhor cenário para escutar o álbum, conectado com seu íntimo e seu pessoal, fazendo aquilo que muitas vezes escondemos do mundo

Com referências diretas a Gilberto Gil, Elis Regina, Elza Soares, Clementina de Jesus, Clara Nunes, a artista usa da brasilidade, do samba e da instrumentação da nossa terra para questionar e provocar coisas que também são muito brasileiras (na verdade, sistêmicas): Pressa, ansiedade, consumismo.

 Na faixa “Pra que tanta pressa?” ela grita que quer viver sem pressa. Para seguir uma vida na contramão, é necessário coragem. É necessário aprender a dizer não, a gritar mais alto que o barulho dos carros, dos metrôs, das enchentes de humanidade cansada, de seguir as mesmas rotinas impostas, olhar nos olhos da indústria musical e cantar o que se sente vontade, dizer a verdade num mundo que valoriza a mentira é corajoso. Este álbum é corajoso.

É interessante associar o processo de criação do álbum ao próprio processo pós pandêmico. Já diz a música “Ter, ter, ter”, onde cita: “O futuro é um surto! Tem que ter, tem que parecer ser”, e é interessante observar como isso reflete a nossa nova realidade: individualista, consumista, sem olhares coletivos; justamente por termos ficado tanto tempo em isolamento pandêmico.




E a arte nasce no questionamento daquilo que está ao nosso redor, daquilo que nos incomoda, que nos atravessa, e faz repensar até o que fazemos nos nossos privilégios, como ela cita: “Enquanto tem gente passando fome, eu estou colecionando capinha de IPhone”.  Repensando e reescrevendo a realidade de forma escancarada, cutucando o embrião do nosso íntimo e quase dizendo, numa forma direta e dançante: “Acorda! É disso que estou falando”. É isso o “ser Diaba” então? A coragem de dizer aquilo que não querem ouvir?

Enquanto ouvinte e artista, para mim é a mensagem que fica do álbum. Uma mensagem clara de resistência e sobrevivência, um sopro feliz e potente nos nossos ouvidos em meio a tantas produções musicais iguais, produções com pressa de serem feitas apenas para cumprir tabela, demanda. Deixo aqui um conselho: Acorde, abra a janela. Respire. Ligue o álbum! Faça as suas demandas do dia, trabalhe, leve seus filhos para a escola, limpe, pegue o trem, cumpra. Deixe a voz de ANNÁ na sua orelha dizendo “Quero viver” ecoar.

Disseram para ANNÁ que não era para estar aqui, mas ela está. Que sorte a nossa que ela decidiu ficar e principalmente, permanecer.

(Mileny, fundadora do Slamabc - https://www.instagram.com/eusoumileny?igsh=dzUwd3c1OTlwNDkz )

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