Amaro Freitas se apresenta em sessões da mostra de Gordon Parks no Cinema do IMS

 


Cinema do IMS Paulista exibe retrospectiva de filmes de Gordon Parks, com destaque para sessões especiais do longa-metragem Shaft, seguidas de apresentação do pianista Amaro Freitas
 

Em cartaz a partir de 12/11, a mostra no Cinema dialoga com a exposição Gordon Parks: a América sou eu, em cartaz no centro cultural. Como parte da programação, nos dias 25 e 26/11, serão realizadas sessões especiais do clássico Shaft, seguidas de apresentação do músico Amaro Freitas, inspirada no longa-metragem.


Imagem de divulgação do filme Shaft, de Gordon Parks.

Um dos grandes nomes da fotografia mundial, responsável por documentar a história da população negra norte-americana no século 20, Gordon Parks (1912-2006) também construiu uma carreira consagrada como cineasta, sendo citado como referência por diretores contemporâneos como Ava DuVernay e Spike Lee. A partir de 12 de novembro, o Cinema do IMS Paulista apresenta uma mostra de filmes em homenagem a Parks. A programação dialoga com a exposição retrospectiva Gordon Parks: a América sou eu, em cartaz no 7o e 8o andar do centro cultural, que reúne mais de 200 fotos tiradas pelo artista.
 

A mostra no Cinema reunirá longas e curtas dirigidos por Parks, além de filmes que referenciam o seu legado. A programação começa em novembro e segue em cartaz nos próximos meses, com novos títulos. Neste mês, serão exibidos três filmes: o suspense Shaft (1971), um dos responsáveis por abrir as portas para o conjunto de filmes então chamado blaxploitationCom o terror na alma (The Learning Tree(1969)primeiro longa-metragem dirigido por um cineasta negro em Hollywood, e Momentos sem nome próprio (Moments without Proper Name) (1987), autorretrato pessoal e poético do diretor.




 

Shaft por Amaro Freitas
 

 

Nos dias 25 e 26 de novembro (terça e quarta), às 19h, como parte da programação, serão realizadas especiais de Shaftseguidas por uma apresentação do pianista Amaro Freitasconcebida pelo músico a convite do IMS. As exibições são gratuitas, com distribuição de senhas 1 hora antes.
 

Marco da cultura negra nos EUA, Shaft gira em torno do detetive John Shaft, contratado por um chefe do crime de Nova York para encontrar sua filha sequestrada. O roteiro, baseado em romance de Ernest Tidyman, foi transformado por Parks em um símbolo cultural que subverteu o papel historicamente submisso de personagens negros em Hollywood. Sucesso de bilheteria, o longa também influenciou gerações com a trilha sonora composta por Isaac Hayes, cuja música tema recebeu o Oscar de Melhor Canção Original em 1972.
 

Inspirado pela estética, narrativa e sonoridade de Shaft, Amaro fará uma apresentação, de cerca de 1 hora, na sequência do filme. Com sua linguagem inventiva e profundamente enraizada na música afro-brasileira, Amaro estabelecerá diálogos entre o legado do filme e as pulsões contemporâneas do jazz e da música negra global.

 



O músico comenta a importância de Shaf e qual foi sua emoção ao assisti-lo pela primeira vez “Me senti muito envolvido assistindo ao filme [...] A estética dos anos 70, as cores, as roupas, as músicas, as gírias, tudo fazendo parte de uma memória construída por meio do cinema americano. O protagonismo preto revela o início de uma nova era, onde as pessoas pretas são colocadas em lugares de destaque, mas com seu próprio jeito de ser, com as características do seu povo ou grupo social.”

 

Na apresentação no IMS, Amaro trará composições próprias, como “Dança dos Martelos”, do álbum Y'Y (2024), e “Angico”, lançada recentemente, e clássicos do Blues, como “All Blues” e “Blue in Green”, de Miles Davis, “Unforgettable”, muito conhecida na voz de Nat King Cole, e “Round Midnight”, de Thelonious Monk. A apresentação será norteada pelo diálogo entre gêneros e pela improvisação, a partir das referências do compositor e dos sons e narrativas do filme.

 

A sessão de Shaft, seguida de apresentação de Amaro Freitas, também acontecerá no IMS Poços, no dia 27 de novembro.

 

Mais sobre os filmes
 

Com o terror na alma (The Learning Tree) tem direção, roteiro e trilha sonora de Parks. O filme é uma adaptação do romance autobiográfico lançado pelo cineasta em 1963. O longa acompanha um ano na vida de Newt Winger (interpretado por Kyle Johnson), um adolescente negro descendente dos migrantes do sul dos Estados Unidos pós-Guerra Civil, que cresceu na zona rural do Kansas na década de 1920. A trama reflete as tensões sociais e raciais da época, ecoando as experiências do próprio diretor.
 

Um dos últimos trabalhos de Parks como diretor, Momentos sem nome próprio (1987), também traz um autorretrato. O filme combina fotografias de Parks tiradas ao longo de quatro décadas com imagens inéditas do artista, documentários e reportagens, composições musicais próprias e memórias pessoais, encenadas por um trio de atores renomados: Avery Brooks, Roscoe Lee Browne e Joe Seneca.
 

Nos próximos meses, a mostra trará outros filmes do cineasta, como Flavio (1964), rodado no Rio de Janeiro e inspirado em sua reportagem para a Life; e Leadbelly (1976) sobre o músico americano, um dos pioneiros do chamado "blues rural".
 

Sobre Amaro Freitas
 

Nascido em Recife em 1991, Amaro Freitas é uma das vozes mais inovadoras da música contemporânea. Filho de um líder de banda evangélica, começou sua formação musical aos 12 anos e rapidamente se destacou na cena jazzística do Brasil e do mundo. Com um estilo próprio, marcado pela improvisação, ancestralidade afro-brasileira e desconstrução das formas tradicionais do piano, Amaro já se apresentou em festivais como Montreux Jazz (Suíça), Ronnie Scott’s (Londres), além de colaborações com artistas como Milton Nascimento, Dom Salvador, Criolo e Lenine. Com álbuns aclamados como Sangue Negro (2016), Rasif (2018), Sankofa (2021) e o mais recente Y’Y (2024), lançado pelo selo norte-americano Psychic Hotline, o pianista vem sendo celebrado por veículos como DownBeatPitchfork e All About Jazz. Em 2025, recebeu o Prêmio da Música Brasileira de Melhor Álbum de Música Instrumental para Y’Y.

 

Sobre a exposição Gordon Parks: a América sou eu

 

Maior exposição de Parks já feita na América Latina, a exposição Gordon Parks: a América sou eu está em cartaz no IMS Paulista, com entrada gratuita, até 1 de março de 2026. A retrospectiva, exibida no 7o e 8o andar do centro cultural, reúne cerca de 200 fotografias, tiradas sobretudo entre as décadas de 1940 e 1970, além de filmes, periódicos e livros. Entre as imagens exibidas, estão retratos de nomes centrais do movimento negro norte-americano, como Malcolm X, Martin Luther King e Muhammad Ali, além de séries que abordam temas como a infância e o cotidiano. Realizada em parceria com a Fundação Gordon Parks, a mostra tem curadoria de Janaina Damaceno, com assistência de Iliriana Fontoura Rodrigues.
 

Serviço

 

Mostra Gordon Parks: a América sou eu no Cinema do IMS

Filmes exibidos partir de 12 de novembro

Confira os dias, horários e preços das sessões no site
 

Sessão especial de Shaft, seguida de apresentação de Amaro Freitas
25 e 26 de novembro (terça e quarta-feira), 19h
Entrada gratuita, com distribuição de senhas 60 minutos antes do evento. Limite de 1 senha por pessoa.

 

Cinema | IMS Paulista

Avenida Paulista, 2424. São Paulo

Tel.: 11 2842-9120

Horário de funcionamento: Terça a domingo e feriados (exceto segundas), das 10h às 20h.

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