Festival ZUM promove debates com Melissa de Oliveira, Lilia Schwarcz e Bauer Sá

 Festival ZUM lança nova edição da revista e promove conversas com Melissa de Oliveira, Bauer Sá, Sueli Maxakali e Lilia Schwarcz, além de oficinas, feira e exposição de fotolivros


Evento acontece nos dias 1 e 2 de novembro, no IMS Paulista, com entrada gratuita. No festival, também será lançada a revista ZUM #29.







Organizado pela revista de fotografia contemporânea do Instituto Moreira Salles, o Festival ZUM acontece nos dias 1 e 2 de novembro (sábado e domingo), no IMS Paulista (Av. Paulista, 2424). São dois dias de atividades gratuitas, incluindo feira de fotolivros e conversas com artistas. No evento, também será lançada a 29ª edição da ZUM.

 

Em sua 10ª edição, o Festival ZUM tem como destaques as artistas visuais Mayara Ferrão, Vera Chaves Barcellos e Melissa de Oliveira, a pesquisadora Lilia Schwarcz, o fotógrafo Bauer Sá e os cineastas indígenas Sueli e Isael Maxakali.
 

Melissa de Oliveira é autora da série Cada cabeça é um mundo, em que fotografou cortes de cabelo em favelas de Salvador e do Rio de Janeiro. A convite da ZUM, a artista fez registros inéditos da série no Morro do Dendê, Zona Norte do Rio, onde vive. O ensaio, que celebra a vaidade masculina e a beleza negra, ilustra a capa da ZUM #29.

Outro destaque no festival é o fotógrafo baiano Bauer Sá, autor de retratos que homenageiam a religiosidade e a cultura afro-brasileiras, rigorosamente elaborados e repletos de simbologias. Ele conversa com a artista gaúcha Vera Chaves Barcellos, destaque da ZUM #27 com obras que criam paisagens a partir de impressões do próprio corpo.


A artista visual Mayara Ferrão, capa da ZUM #27, que viralizou com fotos de relações afetivas entre mulheres negras criadas com inteligência artificial, participa de uma mesa com o artista e dramaturgo Yhuri Cruz, destaque da ZUM #24 com a fotonovela Jongo & Adriano. Ferrão também ministra a oficina Álbum de desesquecimentos. O Festival conta ainda com oficina da artista argentina Mariela Sancari: Fotolivros: uma experiência material.


A cineasta e educadora indígena Sueli Maxakali marca presença no Festival ZUM em conversa com seu parceiro Isael Maxakali sobre a produção audiovisual a partir da perspectiva de seu povo. Sueli é destaque da revista ZUM #29, em entrevista com a também cineasta indígena Patricia Ferreira Pará Yxapy.
 

Debates
 

Foto Yura I, da série Foto Yura (2022), de Alice Yura.


A programação de sábado (1 de novembro) inclui três debates. Às 15h, Melissa de OliveiraJuno B e Alice Yura conversam sobre suas obras artísticas construídas a partir de vivências pessoais na mesa Identidades em construção, com mediação da pesquisadora Daniela Moura. Em seguida, às 17h, a mesa Futuros amantes reúne Mayara Ferrão e Yhuri Cruz, que partem dos arquivos históricos e da literatura para fabular um passado desejado, encenando um arquivo vivo de afetos possíveis. A mediação é da professora e crítica literária Fernanda Silva e Sousa.
 

O primeiro dia do Festival ZUM encerra com uma conversa, às 19h, da historiadora Lilia Schwarcz com a jornalista Fabiana Moraes. A mesa Imagens da branquitude — título do livro de Schwarcz lançado em 2024 — trata do fenômeno social e cultural da branquitude a partir de suas manifestações simbólicas e iconográficas.
 

O festival continua no domingo (2 de novembro) com mais duas mesas. Às 14h, Vera Chaves Barcellos e Bauer Sá, autores de obras que inscrevem o corpo em imagens repletas de mistério e simbologia, conversam na mesa Geografias da pele, com mediação do curador André Pitol. Bauer Sá é destaque da ZUM #29, que será lançada durante o festival; Vera teve um ensaio visual publicado na ZUM #27.

 

Em seguida, às 16h, encerrando o Festival ZUM, os cineastas e educadores indígenas Sueli Maxakali Isael Maxakali cruzam cinema, pedagogia e política em uma produção audiovisual centrada na perspectiva de seu povo. O encontro Cinema em família tem mediação da educadora e filósofa Cristine Takuá. Em entrevista na ZUM #29, Sueli conversa com Patrícia Ferreira Pará Yxapy sobre o cinema realizado por mulheres indígenas.
 

Oficinas e feira de fotolivros
 

Desesquecer (2024), de Mayara Ferrão.
 

Além dos debates, no sábado (1/11), às 10h, acontece a tradicional apresentação das publicações selecionadas na Convocatória de Fotolivros ZUM/IMS. A seleção traz um panorama dos fotolivros lançados no último ano. Em seguida, três obras serão premiadas por um júri. Nos dois dias de festival, a Feira de Fotolivros reunirá publicações de cerca de 30 editores, coletivos e artistas no térreo do centro cultural. A visitação é aberta ao público das 10h às 18h.
 

A programação do festival inclui ainda duas oficinas no domingo, ambas às 11h. Na oficina Álbum de desesquecimentos, a artista soteropolitana Mayara Ferrão convida os participantes a pensar o texto e a literatura, aliados à inteligência artificial, como ponto de partida para o processo criativo com as imagens.

Na oficina Fotolivros: uma experiência material, ministrada por Mariela Sancari, a artista argentina vai analisar fotolivros a partir de seus conceitos e materialidades, considerando o efeito dessas escolhas na narrativa e na experiência do espectador. As inscrições para as oficinas serão feitas a partir do dia 21/10 no site Sympla.
 

 

ZUM #29
 

No festival, também será lançada a 29ª edição da revista ZUM, que estará à venda no centro cultural e na loja virtual do IMS. A capa do novo número traz fotografia da série Cada cabeça é um mundo, da artista Melissa de Oliveira, com registros de cortes de cabelo feitos nos bairros de Plataforma e Uruguai, em Salvador; em Belfort Roxo e no Morro do Dendê, no Rio de Janeiro. Para a pesquisadora e antropóloga Bárbara Copque, autora do texto que acompanha o ensaio, Melissa propõe uma reconfiguração da memória, em que os afetos e a beleza se insurgem: “É a memória da construção de uma identidade, de um tipo de estética que recusa o sistema das imagens de violência", escreve.
 

O fotógrafo baiano Bauer Sá produz retratos oriundos da tradição da fotografia documental mais clássica. A revista publica com destaque as séries Corpos, cadeira e luz e Nós, por exemplo. Ambas são compostas por retratos de estúdio, em fundo preto e com aspecto performático. No caso das fotografias de Nós, por exemplo, há ainda objetos que trazem simbologias importantes do candomblé. O texto que acompanha o ensaio é assinado pelo músico e poeta baiano Tiganá Santana.
 

Ainda nesta edição da ZUM, as cineastas Sueli Maxakali e Patricia Ferreira Pará Yxapy conversam sobre as descobertas, os desafios e os segredos do audiovisual feito por mulheres indígenas, com mediação de Sophia Pinheiro.
 

Outro destaque da ZUM #29 são as fotopinturas de Telma Saraiva (1928-2015), que incorporam seu fascínio pelo cinema hollywoodiano. No texto sobre o trabalho, o curador Bitu Cassundé observa que “o retrato fotográfico pintado faz parte do imaginário nordestino; é uma fundação de sua memória afetiva". Neste cenário, Saraiva, nascida no Crato, região do Cariri cearense, se distingue, diz ele, “pela sofisticação das nuances”. Ela também está no abre da revista, com retratos pintados de sua filha Edilma Rocha.
 

A revista também apresenta o trabalho do fotógrafo sul-africano Vuyo Mabheka, a partir de seu livro Popihuise (Casa de bonecas). Com poucas fotografias de uma infância pobre e distante da mãe, ele cria cenas mesclando esses retratos a desenhos, em imagens influenciadas pela orfandade e os conflitos sociais que permeiam a vida na África do Sul. O ensaio é acompanhado de texto em primeira pessoa extraído do fotolivro, que rendeu ao artista o prêmio principal no Rencontres d’Arles 2024.
 

ZUM #29 traz ainda a colaboração entre a fotógrafa Gauri Gill e o artista Rajesh Chaitya Vangad, ambos indianos. Gill convidou Vangad, pintor e desenhista, para fazer interferências sobre suas fotografias, de modo a ressaltar as múltiplas relações entre o ser humano e o meio ambiente na Índia. Também na revista, a obra pioneira da artista francesa Claude Cahun (1894-1954), feita em estreita colaboração com sua parceira Marcel Moore (1892-1972), une performance e autorretrato com forte influência do movimento surrealista para celebrar o que viria a ser conhecido como o universo queer.
 

No centenário de nascimento de Waldemar Cordeiro (1925-1973), sua arte computacional pioneira é lembrada pela revista, com texto da curadora e pesquisadora Priscila Arantes. E, fechando a edição, a ZUM #29 homenageia o legado de Sebastião Salgado (1944-2025), com texto da pesquisadora da UFRJ Teresa Bastos. Ela percorre a trajetória do fotógrafo destacando suas principais séries, ao mesmo tempo em que contextualiza o seu trabalho documental sob a ótica da fotografia contemporânea.

 

SERVIÇO

FESTIVAL ZUM

Sábado e domingo, 1 e 2 de novembro

Evento presencial | Entrada gratuita

IMS Paulista

Avenida Paulista, 2424. São Paulo

Tel.: 11 2842-9120
 

*Todos os eventos têm entrada gratuita. Para os debates, serão distribuídas senhas na bilheteria, a partir das 12h, com limite de 1 senha por pessoa. Para a conversa com autores da convocatória e anúncio dos vencedores, a entrada é gratuita e sujeita à lotação do espaço. Para participar das oficinas, é preciso realizar a inscrição a partir do dia 21/10 no site Sympla (as vagas são limitadas). Os eventos contam com interpretação em Libras (Língua Brasileira de Sinais).
 

Programação completa
 

SÁBADO (1/11)
 

10h

Conversa da Convocatória de Fotolivros 2024 | Biblioteca
 

10h-18h

Feira de fotolivros + lançamentos com autores | Térreo
 

12h

Anúncio dos premiados da Convocatória de Fotolivros 2024 | Biblioteca
 

15h

Debate | Identidade em construção

Com Melissa de Oliveira, Juno B e Alice Yura. Mediação: Daniela Moura
 

17h

Debate | Futuros amantes

Com Mayara Ferrão e Yhuri Cruz. Mediação: Fernanda Silva e Sousa
 

19h

Debate | Imagens da branquitude

Com Lilia Schwarcz e Fabiana Moraes

 

DOMINGO (2/11)
 

10h-20h

Exposição da Convocatória de Fotolivros ZUM/IMS | Biblioteca
 

11h-13h

Oficina | Álbum de desesquecimentos com Mayara Ferrão | 9º andar
 

11h-13h

Oficina | Fotolivros: uma experiência material com Mariela Sancari | Biblioteca de Fotografia
 

10h-18h

Feira de fotolivros + lançamentos com autores | Térreo
 

14h

Debate | Geografias da pele 

Com Vera Chaves Barcellos & Bauer Sá. Mediação: André Pitol
 

16h

Debate | Cinema em família

Com Sueli Maxakali & Isael Maxakali. Mediação: Cristine Takuá
 

Participantes

 

André Pitol (Jaú, SP, 1989) é pesquisador de arte, curador e professor, com doutorado pela Universidade de São Paulo (USP). Escreveu ensaios para publicações como e-fluxThe Brooklyn Rail, Mídia Ninja e revista ZUM. Foi curador da exposição Edival Ramosa – Nova construção totêmica (2024) e assistente curatorial da 36ª Bienal de São Paulo (2025). Colaborou para a revista ZUM #25 (2023).

 

Bauer Sá (Salvador, Bahia, 1950) é fotógrafo. Formou-se em técnicas avançadas de laboratório e conservação de filmes e papéis na Funarte, Rio de Janeiro. Realizou a exposição Bahia Afrofuturista: Bauer Sá e Gilberto Filho (2024-25), na galeria Galatea, em Salvador (BA), entre outras. Destaque da revista ZUM #29 (2025).

 

Cristine Takuá (Terra indígena Rio Silveira, localizada na divisa dos municípios de Bertioga e São Sebastião, 1981) é educadora, filósofa e aprendiz de parteira. Coordenadora das Escolas Vivas junto à associação Selvagem.

 

Daniela Moura (Salvador, BA, 1995) é pesquisadora e educadora. Doutoranda em artes visuais pela USP. Atuou como pesquisadora na Base de Dados de Livros de Fotografia (2020-2022). Foi curadora do festival Imaginária. Tem textos publicados nos sites das revistas ZUM e SeLecT. Atualmente trabalha como bolsista da Fapesp.

 

Fabiana Moraes (Recife, PE) é jornalista, doutora em sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). É vencedora de três prêmios Esso e um Petrobras de Jornalismo. Autora de sete livros, o mais recente, A pauta é uma arma de combate (Arquipélago Editorial, 2022). É colunista no The Intercept Brasil e Revista Gama e colaborou para a revista ZUM #12 (2017).
 

Fernanda Silva e Sousa (São Paulo, SP, 1993) é professora e crítica literária. Doutora em letras pela USP. Traduziu textos de Saidiya Hartman, Denise Ferreira da Silva e Cedric Robinson. Vencedora do 6º Concurso de Ensaísmo serrote, do IMS, em 2023. Colaborou para a revista ZUM #27 (2024).

 

Isael Maxakali (1978, Terra Indígena Maxakali – MG) é artista, cineasta e educador, liderança da Aldeia-Escola-Floresta da comunidade tikmũ'ũn_maxakali. Dirigiu o filme Yõg Ãtak: Meu pai, Kaiowá (2024), premiado pela melhor direção no 57º Festival de Cinema de Brasília. Participou das exposições Moquém_Surarî: arte indígena contemporânea (2021), no MAM-SP, Histórias Indígenas (2023), no MASP, entre outras.
 

Juno B (Fortaleza, 1982) é artista. Participou do 38º Panorama da Arte Brasileira do MAM-SP e de exposições coletivas na KADIST, FMAC, na Suíça, na Pinacoteca de São Paulo e na Pinacoteca do Ceará, entre outras. Foi um dos ganhadores da bolsa 100 Artists da Artlink e Sudkulturfonds, em 2022.
 

Lilia Schwarcz (São Paulo, SP, 1957) é historiadora, doutora em antropologia social e professora titular da USP. É autora de As barbas do imperador (Companhia das Letras, 1998), vencedor do Prêmio Jabuti em 1999, e Imagens da branquitude (Companhia das Letras, 2024), entre outros. É membra da Academia Brasileira de Letras (ABL).

 

Mariela Sancari (Buenos Aires, Argentina, 1976) é artista. Foi vencedora da VI Bienal Nacional de Artes Visuais de Yucatán (2013) e do Prêmio Descubrimientos PHotoEspaña (2014), entre outros. Publicou os fotolivros Moisés (La Fábrica, 2015), Mr. & Dr. (This Book is True, 2017) e El caballo de dos cabezas. Representación en diez actos (Asunción Casa Editora, 2021). Vive e trabalha na Cidade do México.

 

Mayara Ferrão (Salvador, BA, 1993) é artista visual e diretora criativa. Estudante de Artes Visuais na UFBA. Dirigiu o filme Orixás Center (2021), premiado na 5ª Mostra Lugar de Mulher é no Cinema. participou das exposições Histórias LGBTQIA+ (2025), no MASP e Ancestral Futures (2025), no festival Les Rencontres d'Arles. Foi capa da revista ZUM #27 (2024).
 

Melissa de Oliveira (Rio de Janeiro, RJ, 2000) é artista visual. É formada em fotografia na Spectaculu – Escola de Arte e Tecnologia. Participou das exposições FUNK: um grito de ousadia e liberdade (2024), no Museu de Arte do Rio, Fire Figure Fantasy (2022), no ICA Miami, entre outras, e do 38º Panorama da Arte Brasileira, do MAM-SP. É capa da revista ZUM #29 (2025).
 

Sueli Maxakali (Santa Helena de Minas, MG, 1976) é professora, artista e cineasta, liderança da Aldeia-Escola-Floresta da comunidade tikmũ'ũn_maxakali. Dirigiu os filmes Yãmĩyhex: as mulheres-espírito (2019), e Yõg Ãtak: Meu pai, Kaiowá (2024), entre outros. Apresentou a instalação Kumxop koxuk yõg - Os espíritos das minhas filhas na 34ª Bienal de São Paulo (2021). Destaque da revista ZUM #29 (2025).
 

Vera Chaves Barcellos (Porto Alegre, RS, 1938) é artista multimídia, desenhista e professora. Teve obras expostas na Bienal de Veneza (1976), na 14ª Bienal de São Paulo (1976) e no 3º Salão Paulista de Arte Contemporânea (1985). Em 2003, criou a Fundação Vera Chaves Barcellos, em Porto Alegre. Destaque da revista ZUM #27 (2024).
 

Yhuri Cruz (Rio de Janeiro, RJ, 1991) é artista visual, escritor e dramaturgo, formado em ciência política pela Unirio. Vencedor do IV Prêmio Reynaldo Roels Jr., em 2019, com o projeto O cavalo é levante (Monumento a Oxalá e axs trabalhadorxs). Realizou a exposição individual Revenguê: Uma exposição-cena (2023), no MAR-Rio. Sua fotonovela Jongo & Adriano foi publicada na revista ZUM #24 (2023).

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